sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

F de falso

Orson Welles contando histórias de falsários. Sendo ele mesmo um falsário. E eu também.

O que é real? O que é invenção?
A imaginação é menos crível do que a gravidade?

Mentira.

Eu olho nos seus olhos e minto. Acredito piamente no que digo. Pensar no contrário traz sensações que não sei decifrar. 

Minto. Mas não amo menos. 
Apenas de uma maneira diferente.

Ainda me surpreendo com o amor alheio por mim. Tenho medo que descubram que não sou quem pensam. E quem sou?

Eu vim para um experimento. Não esperava criar afeição por ele.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mas a hora peca

Eu te contaria meus segredos mais escusos,
se a hora não pecasse.
Mas ela peca.
Eu te contaria meus devaneios mais obtusos,
Da urgência de ir além de mim mesma.
Mas a palavra trai.

Eu te contaria meus sonhos dantescos apenas pelo prazer de ver teus olhos arregalados.
Mas eu me calo.
Eu te contaria dos meus momentos mais negros e autodestrutivos.
Mas tua imagem de mim não seria mais a mesma.

E a hora não peca. A palavra não trai. Eu não me calo. Minha imagem não muda.
Eu só não amo tanto quanto deveria.

sábado, 29 de novembro de 2014

O "sim" é sereno

Recebi uma carta esta semana. Ela veio em forma de um sonho. A carta falava de amor e ensinamentos.
O amor transforma. Faz-nos querer ser melhor do que somos. Ele redime. O amor é a canção da redenção.
E não há luta.
O "sim" é sincero. Ele é completo. O "sim" não tem ressalvas.

Você quer estar aqui?
Você quer ir embora?
Tudo o que você precisa é responder sim ou não.

E em alguns momentos, ao dizer "eu não quero estar aqui, quero ir embora", o sonho me agarra pelos cabelos. Com uma força que ignorava que possuísse. O sonho me força a vivê-lo. Olha profundamente nos meus olhos. O sonho me quer presa nesta dimensão à qual não pertenço, refém.

Ah, mas não deixa de ser MEU sonho. Eu o engano e escapo por entre seus dedos. 

O que mais desejo é voltar para casa, para junto dos meus. Eu não sou humana. Venho de um lugar distante no tempo e no espaço. E é este lugar que visito nos sonhos dentro do sonho. 

MEMENTO

sábado, 22 de novembro de 2014

Um dia de cada vez

Um dia desses eu conversava com uma amiga. Ela me contava das novidades da vida dela: o estudo, o trabalho, o pretendente a namorado.
Confesso que, enquanto ela falava, um pensamento não me deixava em paz: é só isso??? Então eu viajo milhões e milhões de anos-luz, submeto-me à este espaço-tempo, a esta dimensão lenta e atrasada para isto??? Não digo que os pequenos dramas da vida dela não sejam importantes para o sentido de vida que ela crê existir (ou parece crer).
Digo no mesmo sentido da pergunta que me assombrou 18 anos atrás, aos meus doze anos, eu me perguntei se a vida humana era apenas nascer, crescer, multiplicar-se e morrer.
O sentido da minha própria existência eu não posso estabelecer assim, de antemão, antes dos acontecimentos do passado, presente e futuro. 
Imagino que este sentido foi, é e será fluido conforme os acontecimentos.

E então me aconteceu um filme deveras poético: Interestelar.
O amor pode transcender a morte? Você deixa de amar quem já morreu?? 
Não.
Logo, ele  pode transcender o espaço, o tempo, e todas as certezas de que jamais encontrará este ser novamente.
Você deixa de amar alguém que já se foi?
Não.
Você deixa de amar porque seu ego ficou ferido, rejeitado?
Tenho pouco tempo aqui restante. Preciso dizer que não.
Você ama. E com tanta intensidade, que o espaço-tempo é dobrado bem aí, dentro de suas memórias.

"Nós amamos quando toda a esperança é perdida" Jane Austen



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Não existe outro dia

Não existe outro dia.

Até aquele momento não havia promessas. Não havia encontros programados de paixão inconsequentemente milimetrada. Não havia juras de amor. Não havia pedidos de casamento. Não havia explicação para a atração obscura pela autodestruição, pela submissão ao desejo.

Não existe outro dia.

Promessas foram pedidas. Juras de loucura, na escuridão ébria e passional. Palavras, arrependimentos. Humilhações. Ameaças. E olhos que sugam a alma para aquele deserto de desejo, poder e subjugação.

Não existe outro dia.

O dia é sempre o mesmo, na verdade.

Distrações e delírios esquizofrênicos-paranoicos

É difícil ter foco, sendo bombardeados por informações a todo instante.
É difícil ter foco, quando até uma Galinha Pintadinha nos distrai do caminho escolhido.
Penso diversas coisas ao mesmo tempo, enquanto me pergunto se chegou a derradeira hora de ser internada, exilada da sociedade de falsos normais.
E a pergunta que segue, tatuada em meu cerne, é "por quê?".

O que é a realidade?
Eu não sei.
Sei que os dias aqui são tão reais quanto meus sonhos.
Não sei a diferença entre um e outro.
E como nos meus "sonhos", quando falo sobre isto, sou olhada com desconfiança, com desdém.

Escolho a máscara dourada no sonho.
Uso a maquiagem para me esconder.
Esconder de quem? 
Eu não sei ao certo.

Delírios.
Trancados.
Alucinações.
Acorrentadas.

Por quê?
Só por que são diferentes do que outros vêem, ouvem, sentem?

Inspira.
Expira.
Abra sua mente.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Confiteor

Mea culpa
Mea culpa. Mea maxima culpa.
Sinto falta. Saudades. Como não? Quando a poeira baixa, acho que é natural.
Sinto culpa. Eu poderia ter sido melhor. Menos louca. Mais flexível. Mais empática.
Carrego esta e tantas outras culpas em fardos nas costas. Envergo-me com o peso dos meus próprios erros.
Nem deles consigo me desapegar.

Partir.
É o que me resta. Esta cidade me suga. Dei mais de mim do que eu poderia. E só agora percebo. 
Cheguei pelo motivo errado. E por muito tempo foi o que permaneceu.
Tantos erros, tantos aprendizados que não seriam possíveis em outro lugar. Não da maneira que foram.
Partir para outras aventuras. Outros sonhos. A partida é necessária para que haja um reencontro. E reencontrar-se é certo para aqueles que são amigos.

Recomeço.
Encontrar-me. Nesta vastidão de sensações, eu me perdi. Esqueci o que é essencial. Deixei-me guiar pela cobiça alheia, por sonhos que não eram meus.
Encontrar-me, na solidão da viagem. No vasto deserto desconhecido que é estar entre desconhecidos numa terra desconhecida.
Abrir-me para o novo. Para as oportunidades do caminho.




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Um ano. Um mês. Trinta anos. Um segundo.

Tempo. Como medi-lo? Com voltas que o planeta der ao redor do Sol?

Com lições aprendidas no sonho. Com quantas vezes seu coração se partiu e se recompôs. Com quantas pessoas fantásticas você pode fazer amizade.

Um ano. Tudo mudou. Sensações. Perspectivas. Think outside the box. Do mais profundo dos círculos do inferno, até o mais alto do céu. There and back again. E de volta ao planeta Terra. De volta com o espírito quase pueril.

Um mês. Centro de gravidade deslocado. Louco. Apaixonado. Um mês de euforia viciante. Parecia tanto tempo. E ainda assim, tão pouco. Cinza demais.

Trinta anos. É assim que medem minhas voltas ao redor do Sol, neste estado onírico-lúcido constante. Trinta anos, e ainda quase adolescente. E velha. Tão velha quanto o universo. Tão velha e cansada do mesmo, do tédio, das hipocrisias. Tão velha, e sedenta por aventuras que só a busca por si mesma pode me dar agora.

Um segundo. É o tempo que as certezas levam para se tornar dúvida. É o tempo que crenças podem se tornar pó. Só basta um segundo pra se apaixonar. Um segundo para ferir. Um segundo para partir. E um segundo para voltar para casa.

Estar em casa é encontrar o seu lugar.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"Amor, meu grande Amor"

Certas coisas têm hora marcada. O trabalho. A aula. O trem.
Outras têm hora esperada. Casamento. Nascimento. Morte.

E algumas estão na zona do "não sei". O que você vai fazer depois que formar? O que vai fazer se ela largar de você? O que acontece depois que se aposentar? Você me ama? Eu me amo?

Amor, não chegue na hora marcada. Chegue, ou não chegue. Não me avise. E não me faça esperar.
Seja um rompante, um vulcão adormecido há milhões de anos. Seja inesperado. Louco. Desmedido.
Amor, viaje comigo. Neste pedaço de planeta que circunda essa estrela. Amor, esteja comigo quando eu me for. Amor, esteja comigo quando eu me encontrar. Amor, esteja nas minhas frases, no meu respirar, na batida do meu coração.

Amor, o próprio, não me abandone nunca. Prometo que escrevo poemas no ar para você todos os dias.

Amor, pelos outros, venha, se for merecido. Se for real. E não suaves admirações, encantamentos mercenários.

Amor, você é sempre bem-vindo. Só não me avise que você está chegando. Não lido bem com atrasos!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Tempo

"A dream is all I got now 
Its tired and running thin 
I've long past the point of no return 
Not so sure if I belong here am I even in the game 
I'm on the other side where the truth don't lie 
where the time is now and it wont come again" 
The White Buffalo

Tempo para semear. Tempo para colher.
Use sua mente. Abra-se.

Eu te vi em minha mente. Antes mesmo de você chegar.
E quando você chegou, inocente, perdido, eu te reconheci na multidão de cabeças raspadas.
Não pude ficar longe de você. Não quis ficar longe de você.
E estar assim me machucava.

O tempo melhorou o vazio da sua ausência. Ensinou-me a colocar um pouquinho da dor, sempre, em uma caixinha e enterrá-la nos cantos da minha alma.

O tempo e o espaço me deram a distância que eu precisei.
Você não preenche mais meus dias.
A ausência está ali. É só olhar bem de perto. E minha recém ganhada sinceridade se tornou ácida. Sádica.

Outros corpos vieram.
Outras promessas. Velhas, novas.
Até mesmo uma mórbida atração voltou, forte, destruindo tudo ao redor.
Mas a ausência continuou por ali. Espiando-me em meus momentos de fraqueza.

É tempo de abrir esta caixinha de Pandora. Desenterrar a dor da rejeição. Lidar com ela. 
Para que a ferida cicatrize, finalmente.
E para que a ausência se torne, enfim, presença. 
Presença que me completa.

"And I'll hold you in my arms
And keep you by my side"
Depeche Mode


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Costume

Eu já me acostumei com o silêncio da sua ausência.
Eu já me acostumei a vê-lo da distância das minhas memórias.

É um sonho. Eu pedi para você vir. Não pedi para você ficar.
Não é meu direito pedir isto.

Agora me acostumo com o outro lado.
O lado de pedir a alguém que fique, que seja.

Que seja. Nem puro nem torpe. Nem bom nem mau.
Que não seja cinza. Cinza não posso suportar de novo.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sol de cada dia

Relaxe. Entregue-se. Perca o controle.
Olhe para o céu. Agradeça ao sol de cada dia.

Um terremoto foi necessário para colocar tudo de volta em seu devido lugar.
Tantas certezas foram postas ao chão. 
Então a velha política dá espaço à nova.

Do caos nasce uma nova estrela.
Pega essa energia estancada, revolta, inerte, raivosa. 
E transforma num lindo raio de sol. Quente, intenso, dourado.

Certezas se tornam dúvidas. E não há nada de errado nisso.
Caminhos antes cruzados tomam rumos diversos. E não há nada de errado nisso.

Uma viagem se inicia antes de por os pés na estrada.
É uma viagem para dentro de si mesmo.
Mas para chegar até lá é preciso se desapegar de tudo o que sempre viveu.
É preciso se abrir ao novo, à sorte, às chances que o universo dá.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Inexpectativas não matam

Ex spectare: olhar para fora.

Olhar para fora, para procurar algo que se acredita que não existe dentro de si,
Olhar para fora, pois não se acredita o bastante.
Olhar para fora, com medo de ver o que há dentro.

Inexpectativas não matam o encantamento com os outros. Nem a admiração.
Prego a inexpectativa daqui em diante.

Estou cansada demais pra me decepcionar novamente.
Cansada dessa vida loka ouropretana.


"It is very often nothing but our own vanity that deceives us. Women fancy admiration means more than it does"
Jane Austen, Pride and Prejudice

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dança dos véus

"Cada um descobre o seu anjo 
tendo um caso com o demônio." 
Mia Couto

Mais um véu levantado nesta dança de infinitos. Coloridos, esfuziantes, os véus seduzem. A carne exposta. A dançarina sorri sutilmente, com um dos cantos da boca para cima, um ar de sarcasmo e surpresa em seu rosto. Ela continua a dançar, sensualmente, apelando para todos os seus sentidos. A plateia toda segura a respiração. Se o espaço pegasse fogo, nenhuma alma notaria, tão entretidas na dança da carne.
O banquete dos sentidos está servido. Aproveitam as almas, distraidamente. Os sabores se misturam, complementam-se, e incrementam a dança erótica da dançarina.
Alguém se levanta na plateia. Algo está errado. A Alma tenta se lembrar. Um compromisso? Havia coisas a serem feitas, combinadas antes de entrar no show da carne. Tenta se livrar da multidão ao seu redor, não consegue. A alma é pega novamente observando a dançarina. Carne.
Outra alma aparece ao seu lado. Esta tem algo diferente. Parece ter um sol pulsando dentro de si, e uma força gravitacional semelhante à da dançarina. Alma se aproxima. Alma se distancia.
Uma dança começa ali.
Atração. Repulsão.
Carne.
Quem é você? Por que exerce este poder sobre mim? Por que sinto que quero tanto você, e ao mesmo tempo desejo que desapareça?
A outra não sabe explicar. Talvez sinta as mesmas coisas. Talvez não. As palavras nunca foram seu forte. A dança continua. De longe. De perto.
Carne.
De longe, Alma olha para si mesma. De perto, repara na Outra. Elas são semelhantes. Elas vieram do mesmo lugar. Elas são irmãs. 
Carne.
Carne.
A dançarina continua mostrando suas curvas no palco.
Alma agora se preocupa não mais com a dança. Tenta se lembrar quem era antes de entrar no show.

"Preciso ser um outro 
para ser eu mesmo "
Mia Couto

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Psicopompo

Um guia espiritual. Como o coelho de Alice.

Um amigo. Um irmão. Um guia espiritual.

De longe ele veio. Qual era a chance de nos encontrarmos, nessa multidão de almas e rostos disformes?

Levante o véu, foi a mensagem de um sonho. Ah, se aquela moça soubesse o quanto este véu é pesado! Então eu descubro. O véu é levantado alguns milímetros.

O ser magnético-enigmático é um psicopompo. Afinal, ele me trouxe até aqui. E este aqui é um lugar grande demais, cheio de energia e lembranças de um mundo acordado.

E para onde ele vai me levar?


domingo, 20 de julho de 2014

O que é real?

Um emaranhado de fios. Tudo se liga, de maneira tão sutil, que passa despercebido.
Você se coloca neste mundo, neste palco de ilusões, primeiramente porque você quer. A escolha é sua de permanecer ou não neste espaço-tempo. E aqui esquecemos quem somos lá do lado de fora, acordados.
Num sonho lúcido, você tem a liberdade de fazer o que quiser. Nele você tem a liberdade de avisar seus companheiros que isto tudo é um sonho. Ainda que ninguém ouça. Ainda que você passe como um louco abobado.
Tente, num sonho lúcido, se lembrar de quem você é fora dele. É uma tarefa realmente hercúlea.
Então eu me atenho aos detalhes (dizem que o diabo mora neles). Se eu bem me conheço, dentro e fora do sonho, eu me deixaria pistas.
O que é importante? O que você não conseguiria deixar de fazer nem se sua vida dependesse disso? O que você faz com paixão, muitas vezes sem nem perceber que está fazendo?
Assim as respostas começam a se sobressair. Elas sempre estiveram aqui. Eu só nunca perguntei antes.

E o que isto tudo tem a ver com crenças fundamentalistas, me vejo perguntando. Você acreditará no que quiser. E está tudo bem. Como você joga não me importa. Você está se divertindo? Está aprendendo?
E o sangue? É real? Parece real. Pessoas morrem. 

Pessoas acordam da ilusão deste espaço-tempo.

Parece comodismo. É comodismo?

É comodismo se você acreditar que é. 

Envolta em sensações, elas violentam meus sentidos e ofuscam meu raciocínio. Envolta em meu próprio drama, eu lacrimejo, porque imagino que eu tenha me traído.
E então, enquanto ouço discursos obstranhos (obscuros + estranhos), eu me deparo com o sonho lúcido. Nada do que o esquisito orador diz importa. Nada do que eu tenha feito importa. Nem a pseudo sensação de auto-traição.
Não sou aquele "eu" resgatado, remendado. 
Nem sou humana. Apenas estou humana. 
Sou uma cientista e uma demiurga. E tantas outras coisas que ainda não relembrei.
Memento.

Silêncio da sua ausência

Eis você, com essa sua presença quase constante.
Eis você, com seus avisos onipresentes que prefiro não escutar.
Eis você, com sua presença somente em minha mente, me lembrando dos perigos da vida.
Avisos que prefiro não escutar. Porque sentir o silêncio da sua ausência é mais do que posso suportar.
Então eu me anulo. Como antes.
Tudo mudou e nada mudou.
Você se foi, com um pedaço de mim, e às vezes parece que é pra sempre.
Você se foi, sem saber quem é (sem julgamentos), e parece que é pra sempre.
Fui apenas uma página de um livro há muito esquecido.
Se acho sábio dizer isso tudo?
Não.
Mas sonhar não é sábio.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Até uva passa

Impressionante como sons, cheiros, imagens podem nos levar, num túnel do tempo, diretamente ao passado.

Ouvindo o rock (quase punk, quase pesado) de um hino adolescêntico de paixão, ou o rock (industrial, pesaroso, dos anos 80) de um hino psicopático/amoroso, sinto-me transportar para tantos meses atrás.

O sabor do revisitado. O sabor do maracujá (passion fruit), doce e ácido ao mesmo tempo. Não deixo de sorrir. Aquele foi o início do fim para uma velha e habitual persona

Quebrou tudo ao redor antes de ir. Se eu mesma não destruí o que putrefava, o trabalho coube a outrem.
Então que venha o caos da revolução! Que venha o caos dos novos/velhos valores. Que venha a coragem para ser, acordada neste ambiente tão obscuro quanto educativo que é a vida universitária ouropretana.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Livros na estante

Vejo-me em uma biblioteca.
Este é o paraíso para mim.
Paredes repletas de livros.
Toda a produção de conhecimento humano até então.

Vejo-me em uma biblioteca.
Passo a mão nas bordas dos livros conhecidos.
Livros que trouxeram tanta emoção a este longo dia.
Livros que trarei para sempre em mim, juntando-se ao eco desta sonata.

Vejo-me em um biblioteca.
Um piano de cauda negro ao centro.
Uma música que cresce e se estende pelo dia.
Este misto de alegria, tristeza, saudade, paixão, loucura e obsessão faz de minha melodia única.

Vejo-me em uma biblioteca.
Mas a cena ao meu redor desaparece pouco a pouco.
O ar fica pesado, meus pulmões doem.
É chegado o momento de voltar ao sonho.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Onde quer que estes pés humanos me levem

Depois de tanto atormentar o universo, em busca de respostas, elas chegaram.
Rinocerontando tudo ao redor.
Vinte anos se passaram, e a questão é colocada novamente.
Então percebo que "não existe outro dia". Estou presa no mesmo dia.

De um jeito diferente (e parecido) ao dos homossexuais, sinto-me no armário. Vivendo uma vida que não é minha. Um sonho que não é meu. Tentando agradar outrem.

Ex pectare. Significa olhar para fora. Esperar algo que vem de fora.
Sendo que eu sempre soube, todas as respostas estão dentro.

Então tomo decisões. Com o gosto amargo de uma panaceia há muito atrasada.

Eu (me) vou. Pro lugar onde possa fazer o que mais amo neste sonho.




segunda-feira, 30 de junho de 2014

Perto demais

Uma corrente invisível. 
Nada que eu faça modifica isto.
Uma corrente que prende. E liga. 

Penso.
Está ao meu alcance.
Quase posso tocá-lo.
Mas ele se afugenta, como um animal selvagem com medo do predador.
Papéis invertidos?

Tão perto. Tão longe.
Nossos olhos se tocam. Nossos olhos se entendem de uma forma que nunca conseguimos.

sábado, 28 de junho de 2014

Girando, girando

Girando no eixo.

Sem eixo, sem direção.

Eu diria tanto e tão pouco se eu te visse agora. Diria "gosto de você". "Pena que não vale a pena".

sexta-feira, 27 de junho de 2014

E o carcereiro sou eu

Não posso reclamar. Estou aqui porque quero, pois só aqui posso realizar meus planos.
Que planos? Não sei ao certo. Ainda não me lembro bem. 
O que eu sempre soube voltou à tona, como os cadáveres sempre retornam à praia. 
Não vim para esta dimensão a fim de viver numa caixa de concreto, para respirar salário, boletos, Faustão, mensalidades, fofocas.
"O conhecimento é a mudança". E o reconhecimento?
Posso sonhar apenas para mim, enquanto fujo da prisão que construí, rica e confortavelmente, para meu espírito.



sábado, 21 de junho de 2014

Outro dia

"Não existe outro dia. Entre nós nunca existiu".

Aprendi que o outro dia é o amanhã de oportunidades. Aprendi que oportunidade a gente cria.

Aprendi que a gente muda. D'água para o vinho.

Aprendi a surfar em Tsunamis de emoções e manter a calma.

Aprendi que o amor pode ser brando e sereno.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"Amanhã é hoje né"

O sonho lembra uma situação ideal. Carinho e intimidade sem medidas.

Eu te vejo e tudo é como antes.
Vamos resolver nossas pendências? Para o bem e para o mal.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Os rastros ficaram pra mim

Alguém vira e me diz "Você estava com ele, ne"
Minha vida corre sem você. "De um jeito desigual". Seus passos não quiseram se juntar aos meus. O que posso fazer?
Vou vivendo e vou levando.
Dizer saudades não mede nada.
Quando medir, não mais serei.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cinco sementes vermelhas

Sonhei com cinco sementes vermelhas.
Cada uma representava uma pessoa diferente.

Cinco sementes. Todas foram plantadas.

Cinco sementes. Nem todas nasceram. 

Cinco sementes e apenas vejo uma sobreviver.

Hoje eu tive outro sonho. Uma resposta.
Para a semente sobrevivente poder florescer, é preciso arar o solo. Retirar as ervas daninhas do passado.
Colocar adubo de qualidade. 

No sonho era simples. Natural. Como sempre deveria ter sido.
Gostaria de conhecê-lo agora. A pessoa que sou neste exato momento. A pessoa que você é.
Quero jogar fora toda sujeira do passado. 

Quero apenas a verdade.



You've got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land

We all do what we can
So we can do just one more thing
We won't have a thing
So we've got nothing to lose
We can all be freeMaybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind

sexta-feira, 30 de maio de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Nada como um dia após o outro

Lembrar de você não é mais uma tarefa cotidiana. 
Lembrar é um exercício espontâneo de saber quem me tornei, e porquê.
Contudo, alguém me lembrar de você me causa dor. Tudo volta de uma vez. Todas as emoções sufocadas na garganta provocando náuseas.
Vivo, então, um dia após o outro.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ela, ou da capacidade de evoluir: Teatro de Ilusões

Ele está na cobertura de sua torre de marfim. Cercado de vidro. Aquário.
Ele é o peixe preso que observa o mundo girar ao seu redor.
Está preso à dor. À rejeição. À separação. Acorrentado à solidão.

Então Ela surge. Com a vivacidade de quem experimenta o mundo pela primeira vez.
Ela traz a luz em sua voz. O carinho em palavras que só Ela sabe dizer.
Ela é sublimamente apaixonante. Ela é tudo o que ele mais deseja, em doces acordes de piano.

Eles se apaixonam. Com aquele ardor esquizofrênico/paranoico dos amantes.

Ela evolui.

Ela quer mais.

Ele não é mais o bastante. Ela o ama. Mas ele não é mais o suficiente para Ela, que está em constante evolução.

Ela diz Adeus.

Eles se despedem. Entre lágrimas.
Ele amou. Virtualmente? Talvez. Mas o que Ele sentiu foi real. Real.
Real neste Teatro de Ilusões.
Real neste Jogo de Luz e Sombras.
Sombras que se projetam no fundo da Caverna.

O corpo não limita. Não define. Apenas aparenta.
E Eles vão se encontrar. Nesse lugar do não-há que todos habitamos.
Estamos apenas dormindo. Porque dormindo nos sentimos livres.

"The past is just a story we tell ourselves"
Samantha - Ela

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Uma gota de água de cada vez, enche um lago se você não contá-las

Contava as lágrimas como um mendigo alcoólatra conta moedas.
Contava os dias de distância como um náufrago conta seus dias longe da terra.
Contava sua história como os discípulos cristãos fizeram.
Contava a ida de seus dias felizes como os beduínos contam as gotas de chuva no Saara.

Até que se cansou de somar a tristeza.

Olhou para trás. Viu que ele não sentia saudades suas.

Sua saudade também se foi.

O que restou?

Não foi o vazio.

Não foi o não-amor.

Restou um espaço para infinitas possibilidades.
Nesta ou em outras dimensões.

Uma gota de água de cada vez, enche um lago se você não contá-las.
O lago se encheu. Sem que percebesse.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tempos pós-modernos de paixonites fast food

Pós-moderno

Falta-me muito chão (e pouca pretensão) para definir o tempo em que vivemos.
Nas minhas loucas leituras, pós-modernismo é um tema constante.

O que posso afirmar é a volatilidade destes tempos. "Tudo que é sólido desmancha no ar", Marx, em seu modernismo. Tempo volúvel, volátil, voluptuoso. Tempo (e templo) da adoração do ego inflado. Do individualismo exacerbado.

Templo de corpos que se vão e vêm. Templo do prazer sem consequências.

Tempo de paixonites fast food. Do estômago cheio de alimentos supérfluos e não nutritivos. Do coração vazio, com excesso de paixonites.

O que permanece?


Sincericídio: um esporte radical

Às vezes o que se quer não tem nome nem forma. É uma sombra de um desejo.
Esta sombra é dúvida. É um desejo que não é inteiro. E aprendi há algum tempo que ser pela metade não vale a pena.
Então me sincericido. Digo a verdade conveniente. Digo a verdade pela metade. 
Certas lições carecem de reforço.
Viver no second life exige empenho.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Janela para o inferno

O mundo gira. As pessoas amadurecem (ou não). E o carma continua.
Aquela antiga força gravitacional, que nunca se extinguiu de verdade.
O olhar que traz o inferno de volta. E a pior parte nem é o inferno em si, mas sim ansiar por vivê-lo novamente.

No entanto, através deste adversário, eu cresci. Mudei. Aprendi a me controlar. E a sublimar meus sentimentos. Aprendi que esta vida/sonho, seja lá o que for, não é definida. Não é um carma que ditará meus passos. Não é uma atração quase irresistível pela autodestruição, auto anulação, submissão, que criará meu caminho. 

Sou mais forte do que o inferno dos seus olhos. Vivi tempo demais neles. E consegui sair.

Clean
The cleanest I've been
An end to the tears
And the in-between years
And the troubles I've seen

Now that I'm clean
You know what I mean
I've broken my fall
Put an end to it all
I've changed my routine
Now I'm clean

I don't understand
What destiny's planned
I'm starting to grasp
What is in my own hands
I don't claim to know
Where my holiness goes
I just know that I like
What is starting to show





quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Garotos como eu sempre tão espertos perto de uma mulher são só garotos"

Tudo idealizado parece ter um sabor diferente. A conversa marcante com gosto de fel. O olhar penetrante que te leva ao paraíso. A pele que acalma o mais nervoso de seus demônios.
E então toma-se um passo difícil. Pesado. Duro. E necessário. A conversa vira mais do mesmo. Nada além de um "como você está?". Eu tenho passado bem. Bem mal. Bem apegada. Mal partida.
O que parecia magia se desfaz no ar. Era exatamente o que precisava.

E agora, José?

"Nasci pelado. O que vier é lucro"

Levo comigo muito aprendizado. 
Eu mudei tanto, e não posso deixar esta mudança de lado.
Levo comigo todo o amor do Universo.
Dentro de mim, num cantinho escondido dos olhares curiosos.
Levo comigo a esperança.
Tão verde, ela é minha companheira desta extensa jornada.
Levo comigo as palavras.
A vocação que nunca me abandona.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Amores

Amores não correspondidos. Quem nunca teve? Penso que a pior parte é ter paciência para esperar. Dar tempo ao tempo, que ele tudo cura. Mas como se mede esse tempo?

É o tempo para ser inteiro novamente. De não precisar vigiar os próprios pensamentos. De não necessitar mais fugir, como o diabo da cruz, da sombra da pessoa amada. Porque se sabe que se não fugir, irá ao encontro dela mais uma vez. E novamente a novela se estenderia. 

Ele ainda existe dentro de mim. Por eu ter me aberto tanto, e tão rápido, parte dele vive aqui, com meus outros personagens. 

Amores domados. Amores contidos. Amores, que de tão selvagens, invadiram todas as minhas células, e sequestraram meu raciocínio. E que agora devem ser aprisionados. Quantificados. Pesados e medidos. E extirpados. Se não, como viver com amores loucos e não correspondidos?

Amores cinza. Que de verde nada tinham. Eram mesmo cinza. Da cor da tempestade que me transborda. Então me torno águas turbulentas e profundas. Afogada em meu próprio oceano de desejos reprimidos.

Amores jovens. Amores juvenis. Trazem a energia da inocência, da pureza, que se pensou perdida. E agora reencontrada. 

Amores gravitacionais. Quando meu mundo gira ao seu redor. E nada mais existe fora desse sistema planetário. 

Amores viciados. E que de tanto não ser mais, trazem abstinência. As doses custam caro demais para serem adquiridas: uma dose equivale a todo o amor próprio duramente conquistado.

Amores de um presente que não é, de um futuro que nunca foi, de um passado que poderia ter sido tanto. 

Amores saudosos. Saudade da calma que aquela pele traz. Saudade daquele olhar cinza que me desnuda. Saudade da felicidade plena.

Amores que findaram. Aparentemente de um lado só.

Amores jogados fora.

Amores despedidos.

Então somente Amor. 

Sozinho.

A sós.

Só.

.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Luto

Luto dentro de mim. Todos os dias. Agora sei que o melhor é aceitar. Como no luto.
Você se foi. E mesmo que voltasse, eu já estaria partida.
Pode até ser uma bênção disfarçada.
Um sinal de que meu tempo aqui não é este.
E de que este não é o meu lugar.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Por uma vida menos ordinária

Ordinário refere-se à ordem. Que ordem? Esta eu não sei. Sei que minha ordem é a desordem. O caos.
Um espírito caótico, que segue seus impulsos e intuições.
Mas a vida em sociedade pede regras. Ordem. Restrições. Leis. Minha existência neste plano pede um tempo que não seja vão. Pede um tempo que não seja inútil.

domingo, 27 de abril de 2014

"E o passado é uma roupa que não nos serve mais"

Olhares tão velhos quanto o mundo. Olhares que contam histórias. Olhares que nos arrastam para uma dimensão da qual se deve fugir. Olhares que nos prometem o céu e o inferno, prazer e dor em uma só embalagem.
Esta é uma roupa que não me serve mais.

Segui para outros olhares cinza. Tanto ardeu e queimou. E eu não me apaguei. Eu me apeguei. Eu me apaixonei. Tão perdidamente. E me perdi. Eu o perdi.

Então parto. Vou-me, pela metade.
Uma parte se foi com ele. Ele partiu e me partiu.
Saudades da minha parte perdida.

Outros olhares. De novo. Olhos que me atraem. Meus olhos me traem. Sinto-me orbitar ao seu redor. Minhas órbitas fixas nas suas.
Eu não quero te assustar. Não sei o que fazer. Algo em você me tira do meu eixo. Meu centro gravitacional se transferiu para seus olhos. E nem sei ainda a cor exata deles. Você me perguntou o que me atraiu em você. Esta é minha história. E minha resposta.

domingo, 20 de abril de 2014

Tapa na cara de insensatez

Um tapa na cara: "pare de tentar fazer tudo do seu jeito".
Um oráculo tentando me salvar da minha síndrome de "meu sonho", e não sonho coletivo.

sábado, 19 de abril de 2014

Coração assombrado

"Ah, mas você deve gostar de alguém né!"
"Não, matei todos. Não eram dignos de mim"

Mentiras assim contadas com a facilidade que os anos trazem.
A verdade é que os esqueletos de sentimentos ainda rondam. Ainda assombram.

Cada dia é um novo exorcismo. Porque o anterior parece não ter funcionado.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Anos 80: uma visita sempre revigorante

Ah, esses anos 80! Não qual é o elemento que me atrai tanto para certas músicas, certas bandas dessa década!
Depeche Mode sempre o ar que eu respiro. O fator de sanidade que preenche os dias de crise.

Hoje é dia de: "By my side", INXS


Fala de uma ausência constante. Que se sente principalmente na calada da noite. De estar sozinho no meio da multidão de almas sem rosto. E nenhuma delas é quem se procura.


"In the dark of night
Those faces they haunt me
But I wish you were
So close to me"

domingo, 13 de abril de 2014

Fantasma

A imagem me segue. Atormenta-me. Tento. E ele está sempre lá.
O que fazer? Será que vale a pena? Uma afagada no ego não vale.
Se aprendi algo com tanto sofrimento é não ser mais tão vã.

Tão longe. Tão perto. Provavelmente ele desconhece isso tudo. Desconhece a dimensão que aquele dia de outubro me custa até hoje.

Alguma alma esclarecida pode me dizer quando isso vai passar? Eu tento. Mas nada.

Tento tanto e ele não vai embora.
Sim, eu menti. Uma única vez. Não havia mais ninguém.

sábado, 12 de abril de 2014

Fidelidade a quem? No regrets!

Fidelidade a quem? Fidelidade a quê?
Fé em quem se foi? Fides em que abandonou o barco?
Fidelidade a quem realmente importa: ode ao pós-modernismo! Eu mesma.
Se outro par de olhos parece interessar, diga-me: por que não? Acima de tudo, por que sim?
Saber entender que passou. Eu ainda estou viva. Apesar de tudo. E ele se foi.

Eu também devo ir para este famoso utópico lugar chamado futuro.

"I loved the way we used to laugh
I loved the way we used to smile
Often I sit down and think of you
For a while
Then it passes by me and I think of
Someone else instead
I guess the love we once had is
Officially dead"

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Crash into my arms, ou da carta que nunca será lida

           Escrevo uma carta que nunca será lida. O vento será meu carteiro, e levará sua mensagem até você.
           Seu olhar foi o que primeiro me cativou. Sua inocência e sua disposição em ver a pureza em minha alma torpe me arrebataram. Eu bem sei que quem nunca cai, quando o faz, o tombo é mais dolorido.
          Você me transformou. Completamente. Foi o catalisador de minha metamorfose. Não posso olhar para a vida da mesma maneira. Você descongelou meu coração, aqueceu-o de tal modo que até hoje ele ferve. Sinto-me viva. Fora de minha apatia e da pseudo-felicidade morna que eu tanto apreciava. E por tudo isso eu sou extremamente grata a você.
          Sinto falta de estar com você. Contudo, hoje entendo que foi exatamente o que era para ter sido. Nada mais, nada menos. E quando tudo já tinha sido, você se foi. Da mesma maneira como apareceu: de repente.
          Você foi o anjo que alcançou meus braços e me tirou do inferno. O anjo que acalmou e silenciou meus demônios. O anjo que me tirou do pesadelo da autodepreciação e me fez ver tanta coisa bela dentro de mim mesma.
             Partilhei tanto de mim. Dei a você a minha verdade, o meu sono, e a minha paixão. É mais do que qualquer um que tenha andado sobre esta Terra já teve. Eu não sou mais metade. Sou inteira. E o que amo, eu amo por completo. Obrigada.
               Vai em paz, lindo anjo.



"Crash into my arms
I want you
You don't agree
But you don't refuse
I know you
And no one knows a thing about my life
I can come and go as I please
And if I want to, I can stay
Oh, or if I want to, I can leave
Nobody knows me, Nobody knows me, Nobody knows me Oh, oh.."






quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Palavras

No início era o Verbo.

As palavras são sua armas, seu escudo, sua armadura. As palavras atacam, defendem, protegem.
As palavras serão sempre para quem conseguir ouvi-las. Cuidado. Seu sussurro é de uma delicadeza e sutileza. Não desaprenda de ouvi-las.

As palavras são sua vocação, sua alma, seu coração.
E é por isso que seu coração nunca quebrará de verdade. Palavras são eternas. Você pode rasgar ou até queimar o papel. Mas a essência ali continuará.

As palavras não podem ser desditas. Nunca se esqueça disso.

As palavras são verdadeiras. Elas não mentem. Quem mente é a boca e o ouvido.

As palavras são ações do espírito. Não as subestime.

E não se preocupe. Você saberá quando ouvir as palavras-chave.

domingo, 19 de janeiro de 2014

A caminho da liberdade

              A liberdade é dessas coisas difíceis de descrever. Ela é mais uma sensação. Um estado de espírito. Do que uma definição dicionarizada. E quem melhor para falar dela do que alguém que não a possui?
                Escravo escrevo. Escrevo escravo. Escravo dos meus sentidos. Escravo do meu gênero. Escravo dessa paixão que teima em não deixar meu peito. Escravo das lembranças que atormentam minha (não) paz de espírito à noite.
                Meu mundo, antes tão cheio de cores e sabores. Hoje é monocromático e insosso. Apenas consigo ver uma cor. Cinza. Um estado pós chama, pós incêndio que levou o restante de minha racionalidade. Cinza. Do fim certo para um dia cinza. A cor que chove. A cor que alagou tanto e não mais. O meu canto elegíaco para o cinza. Meu rito fúnebre para aquilo que queimou tão depressa, e logo se tornou cinza.
                Os olhos dela são cinza. Num primeiro momento achei que fossem verdes. Mas numa análise mais detalhada notei sua peculiaridade cinza. São da cor de tempestade. Cor de tormenta que passou pela minha pacata vida.
                    E ela sai da minha vida assim como entrou. Tão de repente que parece não ter existido, e que é apenas um sonho estranho com ares de realidade.
             Ela disse: estamos indo rápido demais. Tudo muito intenso. Não consigo me achar nesse amontoado de sensações novas e loucas. Eu fui insensível, talvez. Eu respondi: não. Oito ou oitenta. Não posso viver pela metade. Não posso ser pela metade. Não posso sentir pela metade. Não posso apenas te emprestar meu coração nas horas vagas, e levá-lo de volta comigo para casa.
              Confesso que fraquejei. Uma semana depois a procurei novamente. Meu sangue fervia de saudade. Eu precisava daquela paz que estar com ela me proporcionava. Pela primeira vez, na altura dos meus trinta anos, eu havia encontrado alguém que silenciava meus demônios. Já habitei por tanto tempo os porões do inferno, com minha horda de demônios como companhia, que estar com ela era o bálsamo dos bálsamos.
                Senti-me como um viciado em drogas na pura abstinência. Seu toque me queimava a pele. E eu que me tornava cinza. Seus beijos não mataram a minha fome dela. Apenas aumentaram mais ainda a minha dor. Entrei novamente na espiral de emoções descontroladas.
                Deixei-a naquela manhã. Com um sabor amargo nos lábios. Sabor de despedida.
        Não nos vimos mais como amantes que fomos. Tornamo-nos conhecidos. Desses que se cumprimentam na rua com um aceno de cabeça. Vê-la rodeando outros homens me deixou algemado. Procurei por distração nas mulheres que sempre passaram por minha vida. Mas meus olhos continuaram procurando pelo cinza.
                Decidi me afastar por completo. Tal dependência não era vida. Deixei de frequentar o ambiente em comum que partilhávamos. Evitava falar sobre ela com amigos em comum. E então soube que ela vai embora.
                Não sei como deveria me sentir. Se este alívio de poder respirar aliado à dor de saber que talvez nunca mais a veja é normal.
                Eu, que sempre fui um garanhão, o grande conquistador de mulheres, pulando sempre de galho em galho, sem compromisso, fui arrebatado por uma jovem inexperiente e quase virgem. Eu, que sempre me gabei de minha insensibilidade. Eu, que nunca consegui fechar os olhos ao lado de alguém com quem fiz sexo. E sonhava ao dormir do lado dela. Eu, que demorei tanto para encontrar alguém que considerasse merecedora do meu afeto. Eu a perdi. Talvez nunca tenha sido minha.
                Orgulho. Escravo de meu orgulho. Recuso-me a rastejar a seus pés. Pedir que volte para mim. Reconsidere. Não vá embora. Eu não posso trocar um mestre por outro.
                Escravo de meu amor próprio, tão duramente conquistado.
                Escravo de meu livre arbítrio. Por mais estranho que seja dizê-lo.
                Escravo das minhas lembranças de você, querida tempestade tropical. Tão calma por fora. Tão borbulhante por dentro.
                Ainda escravo, almejo minha alforria. Liberdade, eu te conquistarei.

Plano 1:
                Afogar-me em álcool. Obviamente não funcionou. Sem mais comentários.

Plano 2:
                Jogar-me na libertinagem. Tão ruim ou pior do que o Plano 1. Todas são outras. Muito pouco perto da lembrança dela.

Plano 3:
                Viver. Esperar.
Disse-me um dia um velho sábio: “se você contar cada gota que cai no lago, nunca o verá se encher”. Tento não contar os dias. Nem as mulheres ocasionais que aparecem e somem nas horas vagas. Penso que um dia será como uma velha memória, cheia de pó, guardada nos recônditos de minha mente.
Recordo o que um “oráculo” me disse certa vez: “você conhece sua alma gêmea por completo”. E é apenas por isso que sei que não é ela.
Ela conseguiu um feito inédito. Sem nem ter tal intenção. Fez com que eu me abrisse por completo para outro ser humano. Fez com que eu fosse sincero todo o tempo. Eu, que me gabava de minhas habilidades em mentir e enganar.
Hoje penso que talvez ela fosse apenas o arauto de novos tempos. De uma Nova Era para mim. Ser mais humano.
Talvez ela tenha sido somente a mensagem “seu amor está chegando, e você precisa aprender a se abrir”. E se assim for, não haverá mais mágoa. Nem rancor. Nem sabor amargo nos lábios. Haverá gratidão.

Assim, eu caminho rumo à liberdade. Não sei como se chega. Mas sei que estarei lá quando menos imaginar.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...