Helel me disse alguns anos atrás que a redenção estaria no amor. Foi assim que ele, e eu, saímos das trevas. Aos poucos, um dia de cada vez, reconectando com quem fôramos, com as esperanças perdidas e reencontradas.
Helel não pode me contar o final de sua história, pois a interrompi. Tive medo.
Ele não me contou que amar é encontrar, é se encontrar e se perder (novamente). Não me contou que essa perdição no outro é fusão de amor, desejo, ciúme, raiva, carinho, preocupação e medo. Medo de perder o outro e um pedaço de si junto.
Helel, meu amigo, você não me falou do quanto chorou ao se apaixonar por Angélica, e vê-la passar na sua frente sem poder dizer nada. Você, que naquele momento já trazia um coração antigo e calejado no peito. E ainda assim, você a amou. E não poderia ser diferente. Você a amou como eu amo. Intensamente. Fervorosamente. Não sabemos amar pela metade, percebo agora. Não sabemos traçar um limite e dizer: daqui para frente não. É nosso defeito.