quinta-feira, 26 de julho de 2018

Calada da noite

Na calada senti meu coração na boca. Queria sair, gritar para o mundo. Precisei de toda a força para contê-lo. Mas na calada da noite, de felicidade, eu chorei. 
Ele estava ali, nos meus braços. Aquela pele que faz parte da minha, colada em mim. E nunca fui tão feliz calada assim.
As palavras, minhas amigas, às vezes me dão medo. Não por elas em si, mas pelas reações que podem desencadear.
Então por não saber como dizer, eu me calo, com lágrimas felizes rolando em meu rosto.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Existem outros dias

O tempo estava parado na terra do nunca. E é por isso que não havia um outro dia. Era o sádico reprise do mesmo dia, que parecia piorar a cada retorno. 
E após uma temporada no limbo, que hoje vejo como de fato necessária, a cortina se abre e posso ver a plateia, o cenário, o diretor.
Existem outros dias. Aqui, onde o tempo segue seu curso. Aqui, onde encontrei meu lar, do outro lado da montanha. 

A primeira vez

Foi num sonho a primeira vez em que te vi. A primeira que me lembro. E ao te ver, transbordou em mim tanto amor que senti um sol dentro do meu peito. 
E desde então eu te procuro fora do sonho, às vezes com lágrimas antes de dormir. 
Acho que te encontrei. Finalmente. 
Mas como ter certeza? 

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...