quinta-feira, 29 de abril de 2010

Memento

Uma resposta.

Sinto-me cercada por sons mudos. "Sons mudos? Isto não existe!" diria qualquer transeunte. E eu digo que o som faz-se mudo quando não é emitido, quando é impronunciável. Quando o simples pensar torna-se tortura, o som se emudece.
E as lembranças transformam-se em pequenas gotas que caem dos olhos.
Não quero lembrar, então abstraio. Leio. Estudo. Bebo. Camofo. E me esqueço da angústia.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Curiosa Sorte

A Sorte (ou Fortuna) é dessas deusas com senso de comicidade muito curioso. O momento em que ela mais ri é quando choramos.

sábado, 10 de abril de 2010

Dicionarizando

Calúnia

Datação
sXIII cf. IVPM

Acepções
substantivo feminino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 afirmação falsa e desonrosa a respeito de alguém
1.1 Rubrica: termo jurídico.
falsa imputação a alguém de um ato juridicamente definido como crime, feita com má-fé; pode ser feita verbalmente, de forma escrita ou por representação gráfica
Obs.: cf. difamação, injúria
2 Derivação: por extensão de sentido.
mentira, lorota, invenção


Locuções
c. qualificada
Rubrica: termo jurídico.
a que é praticada contra o chefe do executivo nacional ou estrangeiro e funcionário público em razão de suas funções; pode ser na presença de várias pessoas ou por meio que facilite sua divulgação

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Poemas favoritos

Eloisa to Abelard

In these deep solitudes and awful cells,
Where heav'nly-pensive contemplation dwells,
And ever-musing melancholy reigns;
What means this tumult in a vestal's veins?
Why rove my thoughts beyond this last retreat?
Why feels my heart its long-forgotten heat?
Yet, yet I love!

Pope


Le Poison

Le vin sait revêtir le plus sordide bouge
D'un luxe miraculeux,
Et fait surgir plus d'un portique fabuleux
Dans l'or de sa vapeur rouge,
Comme un soleil couchant dans un ciel nébuleux.

L'opium agrandit ce qui n'a pas de bornes,
Allonge l'illimité,
Approfondit le temps, creuse la volupté,
Et de plaisirs noirs et mornes
Remplit l'âme au delà de sa capacité.

Tout cela ne vaut pas le poison qui découle
De tes yeux, de tes yeux verts,
Lacs où mon âme tremble et se voit à l'envers...
Mes songes viennent en foule
Pour se désaltérer à ces gouffres amers.

Tout cela ne vaut pas le terrible prodige
De ta salive qui mord,
Qui plonge dans l'oubli mon âme sans remords,
Et charriant le vertige,
La roule défaillante aux rives de la mort!

Baudelaire


Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Henley

Sobre a (não) fluidez do pensamento

O bom de beber é quando chega aquele momento efêmero em que se pode apenas admirar a beleza do não-pensamento. É como entrar em estado meditativo sem interrupções. Mas a seguir desse estado vem aquele em que qualquer sombra de idéia vira ação. E isso de fato NÃO é bom.
Hoje a tarde tive momentos meditativos. E eu o vi. A apatia, antes reinante, transformou-se em crise de riso. Afinal, o que isso significa??
Interrogações fazem parte do meu corpo.


"No terrível aperto da circunstância
Eu não recuei nem gritei
Sob coação do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas insubmissa"

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ode à Liberdade

A liberdade é dessas sensações estranhas. Ela acomete quando menos se espera. E tudo fica tão solto, tão fácil, tão natural, que a prisão parece a coisa mais anti-natural que existe.
Mais uma vez a liberdade vem a mim, num momento em que, tempos atrás, eu sentiria uma falta física de alguém, como se parte de mim tivesse sido arrancada. Como se não estivesse habituada a meu próprio corpo.
E agora, a liberdade chega para o desapego. Alguns dias atrás, sonhei que me livrava de tudo material, apenas mergulhando num abismo. Livre. E foi a melhor sensação que tive em muitos anos.
Seria uma profecia? Somente o tempo pode responder. O que sei é que a angústia não anda de mãos dadas com a liberdade.

"Agradeço por quaisquer deuses que existam
Por minha alma inconquistável"
William Ernest Henley

terça-feira, 6 de abril de 2010

Em busca da (in)sanidade perdida

"Tudo" ou "nada" dependem de quem fala.
Os extremos são curiosos, interessantes, instigantes. Mas o caminho do meio é mais são.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...