sábado, 29 de novembro de 2014

O "sim" é sereno

Recebi uma carta esta semana. Ela veio em forma de um sonho. A carta falava de amor e ensinamentos.
O amor transforma. Faz-nos querer ser melhor do que somos. Ele redime. O amor é a canção da redenção.
E não há luta.
O "sim" é sincero. Ele é completo. O "sim" não tem ressalvas.

Você quer estar aqui?
Você quer ir embora?
Tudo o que você precisa é responder sim ou não.

E em alguns momentos, ao dizer "eu não quero estar aqui, quero ir embora", o sonho me agarra pelos cabelos. Com uma força que ignorava que possuísse. O sonho me força a vivê-lo. Olha profundamente nos meus olhos. O sonho me quer presa nesta dimensão à qual não pertenço, refém.

Ah, mas não deixa de ser MEU sonho. Eu o engano e escapo por entre seus dedos. 

O que mais desejo é voltar para casa, para junto dos meus. Eu não sou humana. Venho de um lugar distante no tempo e no espaço. E é este lugar que visito nos sonhos dentro do sonho. 

MEMENTO

sábado, 22 de novembro de 2014

Um dia de cada vez

Um dia desses eu conversava com uma amiga. Ela me contava das novidades da vida dela: o estudo, o trabalho, o pretendente a namorado.
Confesso que, enquanto ela falava, um pensamento não me deixava em paz: é só isso??? Então eu viajo milhões e milhões de anos-luz, submeto-me à este espaço-tempo, a esta dimensão lenta e atrasada para isto??? Não digo que os pequenos dramas da vida dela não sejam importantes para o sentido de vida que ela crê existir (ou parece crer).
Digo no mesmo sentido da pergunta que me assombrou 18 anos atrás, aos meus doze anos, eu me perguntei se a vida humana era apenas nascer, crescer, multiplicar-se e morrer.
O sentido da minha própria existência eu não posso estabelecer assim, de antemão, antes dos acontecimentos do passado, presente e futuro. 
Imagino que este sentido foi, é e será fluido conforme os acontecimentos.

E então me aconteceu um filme deveras poético: Interestelar.
O amor pode transcender a morte? Você deixa de amar quem já morreu?? 
Não.
Logo, ele  pode transcender o espaço, o tempo, e todas as certezas de que jamais encontrará este ser novamente.
Você deixa de amar alguém que já se foi?
Não.
Você deixa de amar porque seu ego ficou ferido, rejeitado?
Tenho pouco tempo aqui restante. Preciso dizer que não.
Você ama. E com tanta intensidade, que o espaço-tempo é dobrado bem aí, dentro de suas memórias.

"Nós amamos quando toda a esperança é perdida" Jane Austen



Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...