sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Um sorriso amarelo para a desgraça alheia

Vendetta, este sentimento que aquece o sangue e esfria a alma. A vingança é um prato que se come frio, e sem sabor. Ela nem precisa ser orquestrada, às vezes é só esperar pelo óbvio resultado de quem colhe o que planta.
Então você se imagina regozijando ao saber da derrota de alguém que lhe fez mal. Um sabor ácido na boca.
Tempos depois, a desgraça alheia chega aos seus ouvidos. Mas ela não causa prazer como você imaginava. Um riso frouxo, um "eu avisei", e só.
Eu não vim a passeio, e sinto cada vez mais uma necessidade tremenda de refletir. Chego à conclusão de que eu não posso lutar as batalhas alheias. Cada um tem sua história, e eu não sou ninguém para julgar, e nem para lutar por outrem.
Cada um colhe o que planta. Será?
Plantei ódio, colhi ódio. E ensinamentos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

No que me tornei

As feridas fecham. Isto é certo. Algumas tomam mais tempo, e só. Mas enfiar o dedo na recente cicatriz, para tentar sentir algo, ah, isto é de um masoquismo tremendo.
Mas não é mais o sentir. É só a sombra do sentir, um eco que retorna após longa jornada, já sem força, sem vigor, sem o som original.
Eles agora são ficção. Uma história contada por outro alguém, e parece que eu apenas imaginei as cenas. E suas vidas continuam, eles existem, assim como eu sempre imaginei que os personagens continuam suas vidas após o final do livro. Assim como sempre acreditei que os personagens também existem, em algum lugar das tantas realidades.
E aquela não era eu. Era o projeto do que me tornei. Ela era tola. Eu ainda o sou. Ela era incuravelmente romântica. Continuo em estado crônico. Ela morria de medo. Eu ainda morro. Morro todos os dias, aos poucos, e renasço alguém que tornar-me-ei.
Alguém que não terá tanto medo, e tomará uns goles a mais de coragem todos os dias.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...