Ainda sou muitas. Ainda sinto desejos. Daquele tipo que não ouso nomear.
Sou dele. E sou minha. Uma parte é apenas minha, e não revelo a ninguém.
Sou uma curva dentro da outra, um Fibonacci infinito.
Às vezes também não me sei. Só me sinto. Um caleidoscópio de anseios, de desejos famintos. E olhos que me beijam assim, de longe.
Beijo os olhos, de soslaio, num rascunho de um caderno esquecido no fundo de um baú.
Beijo o pescoço mesmo sem poder, (quase) sem querer. Mas eu quis.
Num conto só meu, escrevo. Rabisco, pois o papel não me julga. Ele só me aceita.
Esboço sem recitar em voz alta. Tenho medo dos sussurros da madrugada.
A palavra dita não volta.
E a escrita? Volta?
Talvez nem tenha ido.
A palavra escrita sonha, enquanto não voa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário