quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Costume

Eu já me acostumei com o silêncio da sua ausência.
Eu já me acostumei a vê-lo da distância das minhas memórias.

É um sonho. Eu pedi para você vir. Não pedi para você ficar.
Não é meu direito pedir isto.

Agora me acostumo com o outro lado.
O lado de pedir a alguém que fique, que seja.

Que seja. Nem puro nem torpe. Nem bom nem mau.
Que não seja cinza. Cinza não posso suportar de novo.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sol de cada dia

Relaxe. Entregue-se. Perca o controle.
Olhe para o céu. Agradeça ao sol de cada dia.

Um terremoto foi necessário para colocar tudo de volta em seu devido lugar.
Tantas certezas foram postas ao chão. 
Então a velha política dá espaço à nova.

Do caos nasce uma nova estrela.
Pega essa energia estancada, revolta, inerte, raivosa. 
E transforma num lindo raio de sol. Quente, intenso, dourado.

Certezas se tornam dúvidas. E não há nada de errado nisso.
Caminhos antes cruzados tomam rumos diversos. E não há nada de errado nisso.

Uma viagem se inicia antes de por os pés na estrada.
É uma viagem para dentro de si mesmo.
Mas para chegar até lá é preciso se desapegar de tudo o que sempre viveu.
É preciso se abrir ao novo, à sorte, às chances que o universo dá.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Inexpectativas não matam

Ex spectare: olhar para fora.

Olhar para fora, para procurar algo que se acredita que não existe dentro de si,
Olhar para fora, pois não se acredita o bastante.
Olhar para fora, com medo de ver o que há dentro.

Inexpectativas não matam o encantamento com os outros. Nem a admiração.
Prego a inexpectativa daqui em diante.

Estou cansada demais pra me decepcionar novamente.
Cansada dessa vida loka ouropretana.


"It is very often nothing but our own vanity that deceives us. Women fancy admiration means more than it does"
Jane Austen, Pride and Prejudice

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...