sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

F de falso

Orson Welles contando histórias de falsários. Sendo ele mesmo um falsário. E eu também.

O que é real? O que é invenção?
A imaginação é menos crível do que a gravidade?

Mentira.

Eu olho nos seus olhos e minto. Acredito piamente no que digo. Pensar no contrário traz sensações que não sei decifrar. 

Minto. Mas não amo menos. 
Apenas de uma maneira diferente.

Ainda me surpreendo com o amor alheio por mim. Tenho medo que descubram que não sou quem pensam. E quem sou?

Eu vim para um experimento. Não esperava criar afeição por ele.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mas a hora peca

Eu te contaria meus segredos mais escusos,
se a hora não pecasse.
Mas ela peca.
Eu te contaria meus devaneios mais obtusos,
Da urgência de ir além de mim mesma.
Mas a palavra trai.

Eu te contaria meus sonhos dantescos apenas pelo prazer de ver teus olhos arregalados.
Mas eu me calo.
Eu te contaria dos meus momentos mais negros e autodestrutivos.
Mas tua imagem de mim não seria mais a mesma.

E a hora não peca. A palavra não trai. Eu não me calo. Minha imagem não muda.
Eu só não amo tanto quanto deveria.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...