sábado, 14 de dezembro de 2019

Poemando: Walt Whitman

"TO YOU.

WHOEVER you are, I fear you are walking the walks of dreams,
I fear these supposed realities are to melt from under your feet
and hands,
Even now your features, joys, speech, house, trade, manners,
troubles, follies, costume, crimes, dissipate away from you,
Your true soul and body appear before me,
They stand forth out of affairs, out of commerce, shops, work,
farms, clothes, the house, buying, selling, eating, drinking,
suffering, dying.

Whoever you are, now I place my hand upon you, that you be my
poem,
I whisper with my lips close to your ear,
I have loved many women and men, but I love none better than
you.

O I have been dilatory and dumb,
I should have made my way straight to you long ago,
I should have blabb'd nothing but you, I should have chanted
nothing but you.

I will leave all and come and make the hymns of you,
None has understood you, but I understand you,
None has done justice to you, you have not done justice to your-
self,
None but has found you imperfect, I only find no imperfection in
you,
None but would subordinate you, I only am he who will never
consent to subordinate you,
I only am he who places over you no master, owner, better, God,
beyond what waits intrinsically in yourself."

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Para Amélie

Há tantos anos eu te conheço, Amélie. Nem me lembro mais quando foi a primeira vez em que te vi. Sei que foi amor à primeira vista. Um encantamento jovem, uma esperança refrescante, uma magia que só você sabe incorporar.
No decorrer destes anos, mesmo que eu não tenha mais te visto, eu te ouvi. Meu coração toca as tuas teclas, suavemente, de tempos em tempos. 
E depois de tantas mudanças, tantas idas e vindas, te ouvir ainda tem o mesmo sabor, a mesma magia do começo. 
Por muitos e muitos dias eu quis ser como você, Amélie. Ver coisas fantásticas nos fatos mais simples. Ter um destino fabuloso. E encontrar o amor no desenrolar da história.
Eu não sei se tenho um destino fabuloso. Às vezes imagino coisas estranhas, e acredito que os sonhos têm alguma obscura relação com a realidade. E eu encontrei o amor na hora certa.
Eu queria ter encontrado antes. Mas eu não estava pronta. Talvez ele também não estivesse.
Não sei se acredito em destino, Amélie. Mas sinto que a história que se desenvolve é fabulosa.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Vitrine

Vejo corpos expostos. Carnes penduradas na vitrine do açougue. Quem dá mais? Querem as carnes mais frescas, mais novas, com uma certa medida de gordura e de músculos. 
Vejo corpos quase desnudos. Fotografados. E cada fotografia rouba um pedaço de suas almas. Como mito indígena.
Vejo corações vazios. Olhos que não sorriem de verdade. 
Corpos mais desejados do que o meu. Sorrisos mais brancos e retos do que o meu. Rostos mais belos do que o meu.
Eu também estou na vitrine. Exposta, mas nem tanto. Não muito fresca. Não muito nova. Com muita gordura, nem tantos músculos. 
Às vezes eu me entristeço. Por pensar que tantas são mais bonitas do que eu. Mais jovens do que eu. Mais magras, de músculos mais definidos. Às vezes eu me entristeço. Por pensar nos corações vazios que se deixam levar pela vitrine do açougue. No meu e nos delas. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Para Helel, a Estrela da manhã

Há tempos não penso em você, querido Helel. E mesmo assim, você continua a fazer parte de mim. 
Você estava lá, comigo, como observador, quando cruzei por águas sombrias. Quando eu não me amava o suficiente, e tentava destruir meu coração a todo custo para que não pudesse amar. Para que fosse forte. Como se o vazio fosse sinônimo de fortaleza.
E foi você quem me contou que a redenção se daria através do amor. Redemption song. 
Mas eu não continuei a sua história. Por medo. Eu tive medo de que ela se tornasse real. E eu me tornasse fraca. Aberta para alguém, para o mundo, para o amor.
Eu não continuei sua história, mas ela tinha um quê profético. Isso eu sempre soube. É realmente o amor que nos redime. E deixar de escrever não impediu o amor de vir na minha vida, derrubar meus muros, de me deixar vulnerável, e, ainda assim, forte. 
Você era, e talvez ainda seja, a estrela em mim, que brilha mais forte do que as outras à noite, e que dá boas vindas ao sol de manhã. 
Você iluminou um pouco a noite sinistra. Mostrou-me a direção e me deu esperanças quando não havia nenhuma. 
Você me contou que depois de mil vidas em uma, depois de tanta sombra, haveria um momento em que eu encontraria a minha Angélica, com apenas um olhar. 
E que tudo então teria valido a pena. 
E vale.
Obrigada, Helel, por fazer parte de mim. Por me deixar contar um pouco da sua história pelas minhas mãos. Mesmo que ninguém nunca a leia. Sabemos que não é isso que nos importa. 

domingo, 6 de outubro de 2019

Perto dos meus olhos

Na minha adolescência eu gostava muito de Legião Urbana. E uma das músicas, não me lembro qual, dizia assim "já me acostumei com a sua voz, quando estou contigo estou em paz...".
Você me dá uma paz, meu sol, que eu nunca tive sozinha. 
E só de imaginar que em breve não te verei mais todos os dias, meu coração aperta. Mas eu sei que é o teu caminho. E que a distância fortalece as relações que devem durar, e esmorece as que eram frágeis e não pareciam.
Mesmo longe dos meus olhos, você continuará perto do meu coração, assim coladinho, grudentinho. 
Pensar em você me transmite paz, me dá um calor gostoso no peito, um sorriso bobo na face. 
Voa, meu sol, voa e volta pra mim.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

É junho

Foi em junho que eu soube que estava namorando, de fato, sem que você pronunciasse uma palavra a respeito. 
Você me levou pra sair no dia dos namorados, trocamos presentes e me disse "vou te levar para conhecer a minha mãe". 
Foi uma explosão de sentimentos, e a única coisa que eu soube fazer foi sorrir, sorrir demais.
É junho de novo. Um dos meses mais bonitos do ano. O mês em que eu não tive mais as inseguranças de antes. O mês em que eu soube, sem sombras de dúvidas, que você é meu sol, e eu sou a rebimboca da sua parafuseta. 
É junho, e eu só consigo sorrir ao seu lado.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Era novembro

Era novembro quando te conheci. Assim, meio quieto, meio curioso, um sábio ressabiado de se abrir demais.
Era novembro quando comecei a te querer. Para mim era gritante a luz da sua alma, e eu não entendia como as outras pessoas não ficavam cegas ao te ver passar.
Era novembro quando não dormia direito, pensando se um dia ficaríamos juntos, porque eu não sabia que teu coração já olhava para o meu com ternura.
Era dezembro quando percebi que talvez, quem sabe, um dia, o dia chegaria. 
Era janeiro e o dia chegou. A tua boca colou na minha, e eu nunca mais, desde então, me desgrudei de você. Chicletinho.
Eram e são todos os dias do ano que eu te quero, que eu te gosto, que eu te admiro, e que você me ilumina. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Golem - I

O Demiurgo estava só. No início, a solidão não o incomodava. Era um alento estar só após o turbilhão da Criação. Mas, eventualmente, o eco de sua voz passou a perturbá-lo. E ele se viu imensamente só, cercado do infinito Universo.
Foi então que ele pegou o barro em suas divinas mãos, moldou-o, e escreveu em sua cabeça a palavra "Verdade", para que seu ser apenas dissesse a verdade para ele e sua existência fosse real.
Ao terminar a escrita, o novo ser piscou seus olhos lamacentos e admirou seu redor.
"Sou seu amo e mestre, Golem, e você deverá sempre me dizer a verdade", disse o Demiurgo.
Estupefato, o Golem apenas balançou a cabeça. Tentou abrir a boca, mexer a língua, mas não conseguiu. Ele tinha palavras dentro de si, todavia elas eram mudas, afogadas na argila.
E ele não mentiu ao seu Criador naquele dia.

terça-feira, 2 de abril de 2019

O olhar do fundo do abismo

Às vezes ele aparece, às vezes some. O olhar do fundo do abismo, que traz um desespero sufocante.
Ele é sorrateiro. Preenche os cantos ociosos da mente com uma tristeza sem fim.
Eu encaro o olhar e vejo refletido em suas densas pupilas a minha alma gritando sem som, presa num quadro esquecido nalguma parede de um museu que ninguém visita.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Seu olhar é um poema

Seu olhar é um poema épico, que me conta histórias mais antigas do que o mundo. 
Seu olhar é um poema elegíaco de Ovídio, que me ensina a te amar a cada dia.
Seu olhar é um soneto, às vezes um pouco triste, às vezes desanimado, às vezes doce como jaboticaba.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

De tempos em tempos

De tempos em tempos você vem e me lê. Um pedacinho jogado ao vento, uma lasca da minha alma que deixei pelo caminho. 
De tempos em tempos eu vejo um cantinho da sua, quando você me deixa, ou quando está absorto demais para se esconder de mim. 
De tempos em tempos eu me pergunto o que você vê em mim. 
Em todo o tempo eu agradeço por sentir a sua alma tocar a minha, por poder olhar nesses olhos magnéticos, por encontrar quem eu tanto procurei.
Há tempos eu quero dizer. Mas o tempo certo não chega. E nem sei se ele existe.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Tempos de desassossego

Desassossego. Inquietação. Aquele incômodo quando você usa uma roupa que não serve mais. Como o passado.
O que era tão comum, tão familiar, tão querido, ainda o é, de certa forma. Como um álbum de fotografias antigas que se abre em dias de chuva.
Mas o passado é uma roupa que não me serve mais. Eu sou outra agora. Eu mudei e não me encaixo mais.
O carinho permanece. São muitas fotos nesse álbum. Mas a cumplicidade devo deixar para outros, para quem está comigo do outro lado.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Tempos de empatia

A sua dor também é minha. De alguma maneira, ela grita para mim, me chama. Ouço o desespero nos seus olhos. Sinto o vazio no seu toque.
Não sei o que fazer, o que dizer, para que você fique bem. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Tempos de tristeza

Às vezes o sorriso é falso. Uma tentativa de parecer melhor. Às vezes o sorriso é triste. Não chega até os olhos, e mal alcança os cantos dos lábios. 
São tempos de tristeza, de alma esgotada e exaurida. São tempos em que o silêncio me conforta. São tempos em que nem a lágrima escorre, porque chorar requer esforço. E não há energia nem para isso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Tempos de reflexão

Viver. Ou sobreviver. Numa casca automovida. Que passeia pelo tempo-espaço e mal sente a passagem do tempo.
Viver na casca como um autômato. Em linha fabril. Totalmente alienado do processo de criação. 
Sobreviver em coma intelectual. Apenas reagindo. Sem refletir. Apenas espelhando os outros ao redor.
Sobreviver das migalhas de atenção. Fartar-se de restos. Empaturrar-se de ninharia. E continuar de alma vazia.
Manter a boca cheia de palavras que nada significam. Somente ecoam e afugentam o silêncio. Pois é ele que carrega real importância. 
Continuar os ouvidos surdos para os sussurros. 
Caminhar como se houvesse direção, sendo que esta não existe.
Respirar fundo, como se o ar preenchesse. E não preenche.
Amar os teus olhos neste mundo de ruídos, acariciar a tua alma nesta terra de ilusões. Mas ineptos me sugam, me desorientam. E esqueço o que importa. Abstraio o lugar de onde vim. Esqueço do meu lar. Olvido as palavras roucas do meu espírito. 
Mil sois virão antes que eu possa te esquecer, homem dos meus sonhos. E ainda assim, sinto que a memória do seu sorriso faria cócegas em mim quando estivesse absorta em meus pensamentos. 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Tempos de nostalgia

É sentir falta de algo que nunca foi. Não na realidade. Era mais um ensaio. Uma grande vontade que foi posta na prática apenas na pele, e não no coração. 
Essa nostalgia que me acomete de tempos em tempos, sem muita explicação. Sobretudo agora, ela não tem muito porquê existir. 
É quando os dedos tremem só de pensar, e por isso penso em qualquer outra coisa para me distrair.
Se fosse mesmo real, a esta altura do campeonato, eu saberia.
Real é saber que o olhar que me cativa tem uma expressão só pra mim. Que é só a mim que ele toca, com uma suavidade que domina até minhas células. 
Isso é real. Não é ilusão. Não é se agarrar a uma tábua, no meio do oceano congelante, enquanto o navio afunda ao som de violinos melancólicos. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Tempos de inveja

Hoje pensei "em voz alta" sobre o assunto pela primeira vez. Com sinceridade.
Descobri o que me incomodava tanto na situação de uma amiga. E então me deparei com a minha inveja. O problema era/sou eu. Uma parte de mim quer o que ela terá. Uma parte de mim quer uma Tuchi segurando meus dedos com sua pequenina mão, alguém que olha com amor incondicional pelo simples fato de você existir.
Mas outra parte, realista, pensa nas dificuldades. Na minha caminhada que sempre me pareceu tão mais lenta do que de outras pessoas. Essa parte argumenta que ainda é cedo (ou tarde demais). Que outros planos têm preferência em sua realização. 
E me lembro da ternura daquela mãozinha confiante que pegou na minha, e aceitou que eu a conduzisse por alguns passos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Uma só batida

Se Deus inventou uma forma de estar mais apaixonada, ele escondeu de mim e do restante da humanidade. 
Uma só batida. É quando nossos corações batem juntos, em sintonia. Um dueto harmônico em que as vozes se mesclam perfeitamente. 
E o seu olhar cor de jaboticaba penetra em mim carregado de poesia. A sua pele cola na minha como super bonder. Não me solte, pois posso cair. 
Seu abraço é o meu lar, e nele quero estar para sempre.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Para Neruda

Para você, Neruda, se ninguém mais me ouvir. O seu poema da Dança eu guardei. Para o certo. Para o merecedor. Mas é cedo e tarde demais. 
O objetivo é um só, mas ele não entendeu. Ele não entendeu que o caminho até ele foi deveras longo, deveras esburacado. E que qualquer percalço pretérito apenas realça o valor que eu dou. Mas ele não entendeu, Neruda. Ele não entendeu que a alma sedenta de luz, sedenta do seu amor reage assim, deveras exagerada. Deveras apaixonada. 
Eu sei, Neruda. Nunca recitei seu poema para ele. Espero que o compasso esteja de acordo, com os nossos corações afinados. Para que ele possa ouvir dos meus lábios. 

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...