O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro.
Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E se lembrasse, morreria. Por dentro. Morrer por dentro é menos morte?
Não pensava sobre isso. Engolir era mais fácil. O líquido descia quente goela abaixo. Ainda que estivesse gelado. Bebeu de uma vez.
Dormiu no balcão. Alguém o cutucou. Era o dono do bar, estava fechando. Mas ele não queria ir. Embora pra onde?
Pra casa. Não havia mais casa. Não sem ela.
A saidera, vociferou.
Você já tomou todas as saideras por hoje. É hora de sair.
Saiu. E entrou na rua deserta.
Entrou no deserto que era andar sem rumo. Sem chão. Flutuava pelo asfalto. Um cachorro caramelo o acompanhava.
Ele socou o ar. Caiu.
A cara arranhada. Fechou os olhos.
Ontem ela havia pedido que ele levasse pão quando voltasse. Ele respondeu somente: trago. Voltou com o pão. Ela não estava mais lá. Nem suas roupas. Saiu e foi buscar o trago em outro lugar.
Nunca mais levou pão. O caramelo apoiou a cabeça no corpo morno, caído no chão.