Vim de longe com ape
nas um único propósito: ser feliz. Pois não poderia sê-lo enquanto permanecesse em São Paulo.
nas um único propósito: ser feliz. Pois não poderia sê-lo enquanto permanecesse em São Paulo. Há algum tempo tive o que pareceu ser uma espécie de invenção da roda. Veio-me o entendimento de que eu não gosto realmente dele. Bem, vamos por em palavras mais drásticas: eu não o amo. Sim, eu sei o que eu disse antes. Conheço minha personalidade ululante. E a partir dela posso dizer: eu amo as sensações que ele provoca em mim. É excitante sentir-se viva. Mesmo que seja através do ódio lascivo. Ou amor raivoso, se preferir.
Eu me importo com ele. Eita, importo-me até com desconhecidas que levam socos na cara ao meu lado. É da minha natureza. Faz parte do meu talento para a empatia.
Ele sempre representou um desafio para meus tão auto-conceituados dons para entender a alma humana. E agora que aqui estou, posso dizer: ele é tão humano quanto qualquer outro. A leitura é difícil, mas não impossível. E quão desejoso se faz entrar na cabeça dessa criatura!
Eu achava que sabia. Mas não sei o que procuro. Vi minha alma refletida nos olhos de um amigo, tão querido e longe. Quando percebi que esse amigo procurava algo, incessantemente, embora não soubesse bem o quê. E agora eu sei. Vi meu reflexo naqueles olhos castanhos tão intensos. Mas este foi outro capítulo da minha história. Anterior a este que teima em não ser encerrado.
Ah, quantas vezes eu quis me afastar de você! Quantas vezes eu tentei não me importar! Inúmeras vezes coloquei a máscara da indiferença na sua frente. E me acusa de insensível. Não posso demonstrar sensações, sentimentos. Ao menos foi isso que sempre pensei, pois demonstrar emoção significaria parecer fraca. Ser fraca. E o mundo é um lugar cruel o bastante, aprendi isso, para a a fraqueza.
Se pareço inconstante é porque estou confusa. Enquanto meu coração aponta numa direção, meu cérebro indica outra. Tudo seria tão mais fácil se três anos atrás eu não o tivesse desejado. Foram tantas escolhas baseadas no mais insano dos desejos.
Por acaso você sabe o que é sentir-se completamente fora de si na presença de outra pessoa? Saber que essa pessoa causa isto, de forma fulminante? E não, não diminuiu com o tempo. A obsessão talvez apenas tenha piorado.
É, a verdade é esta: sou obsecada. E se isto me faz livre? Não. Imagino que me faça mais presa do que nunca.