segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Magnéticas orbes

Orbes que me arrastam, me sugam, me atraem como imãs, e sinto entrarem nos cantos mais escusos, perscrutando a natureza da matéria que me compõe. 
Uma força nua que me chama, um rato seguindo um encantador flautista. E, incrivelmente, não sinto medo de seguir as notas melódicas. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Desconstruindo o algoz

Como se desconstroi parte de si? Como se descontroi alguém que parece fazer parte do seu DNA? Ou de um karma acumulado de sonhos passados?
Não sei se é possível. Apenas sei que é possível viver e deixar viver. Continuar, pondo a mão sobre os olhos, como se nunca houvesse existido. 
E começar de novo. Assumir um outro eu, que já morava em algum lugar recôndito da alma. Deixar aquele outro navegando, perdido, sem bússola, pois eu a tomei. Há perguntas que são melhores não serem respondidas.

Mas onde fica a ausência do algoz? Em algum lugar a não presença permanece, e muitas noites é apenas a sua ausência que se faz presente.

São ecos de uma vida passada. Assim espero.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Um monstro, controlado, porém monstro

Cada um com seus nove círculos particulares, nove andares de tortura programada. Uma descida em direção ao caos da criação, em que todas as possibilidades estão abertas. E não existe nem bem nem mal. Só o papel em branco.


Na descida é onde o monstro habita. Se eu nunca tivesse caído, jamais poderia reconhecer o monstro pelo rosto, pela voz, pelo olhar sedutor de quem incita os desejos que não devem ser nominados. Ainda que sem nome, eles sussurram em meus ouvidos cobiças saborosas.


Coloque uma coleira no monstro, com seu nome gravado em letras douradas. Leve-o para passear, mas sempre seguramente preso. Dê nome a ele, e você terá (algum) poder sobre ele. Pois o nome é, sabem os antigos, extremamente poderoso.

Monstro que habita a sombra, e clama por sair à luz, mesmo que isso fira seus vermelhos olhos. Como uma pintura chiaroscuro, a sombra é o que causa profundidade e emoção à cena.




sábado, 6 de janeiro de 2018

Há sempre um outro jogo

Essa corrente equatoriana que me faz girar girar sem sair do lugar.
Mas o tempo mudou.
Seria realmente o mesmo lugar?
Era um jogo, tive adversários. 
No entanto, aqueles tantos anos, como no sonho, muito mais anos ainda vividos fora deste espaço-tempo, presa dentro de mim e ao mesmo tempo viajando pelos confins do universo, me transformaram. Não poderia viver como antes. Não há mais espaço para aquela persona.
Há sempre um outro jogo à espera. É bom saber disso. O que importa, diz o mestre, é o jogar, não necessariamente ganhar. O jogo justo é o que nos leva a ser convidados novamente, e sempre mais uma vez.
E o que é justo nesse caso?

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...