terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

De tempos em tempos

De tempos em tempos você vem e me lê. Um pedacinho jogado ao vento, uma lasca da minha alma que deixei pelo caminho. 
De tempos em tempos eu vejo um cantinho da sua, quando você me deixa, ou quando está absorto demais para se esconder de mim. 
De tempos em tempos eu me pergunto o que você vê em mim. 
Em todo o tempo eu agradeço por sentir a sua alma tocar a minha, por poder olhar nesses olhos magnéticos, por encontrar quem eu tanto procurei.
Há tempos eu quero dizer. Mas o tempo certo não chega. E nem sei se ele existe.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Tempos de desassossego

Desassossego. Inquietação. Aquele incômodo quando você usa uma roupa que não serve mais. Como o passado.
O que era tão comum, tão familiar, tão querido, ainda o é, de certa forma. Como um álbum de fotografias antigas que se abre em dias de chuva.
Mas o passado é uma roupa que não me serve mais. Eu sou outra agora. Eu mudei e não me encaixo mais.
O carinho permanece. São muitas fotos nesse álbum. Mas a cumplicidade devo deixar para outros, para quem está comigo do outro lado.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Tempos de empatia

A sua dor também é minha. De alguma maneira, ela grita para mim, me chama. Ouço o desespero nos seus olhos. Sinto o vazio no seu toque.
Não sei o que fazer, o que dizer, para que você fique bem. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Tempos de tristeza

Às vezes o sorriso é falso. Uma tentativa de parecer melhor. Às vezes o sorriso é triste. Não chega até os olhos, e mal alcança os cantos dos lábios. 
São tempos de tristeza, de alma esgotada e exaurida. São tempos em que o silêncio me conforta. São tempos em que nem a lágrima escorre, porque chorar requer esforço. E não há energia nem para isso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Tempos de reflexão

Viver. Ou sobreviver. Numa casca automovida. Que passeia pelo tempo-espaço e mal sente a passagem do tempo.
Viver na casca como um autômato. Em linha fabril. Totalmente alienado do processo de criação. 
Sobreviver em coma intelectual. Apenas reagindo. Sem refletir. Apenas espelhando os outros ao redor.
Sobreviver das migalhas de atenção. Fartar-se de restos. Empaturrar-se de ninharia. E continuar de alma vazia.
Manter a boca cheia de palavras que nada significam. Somente ecoam e afugentam o silêncio. Pois é ele que carrega real importância. 
Continuar os ouvidos surdos para os sussurros. 
Caminhar como se houvesse direção, sendo que esta não existe.
Respirar fundo, como se o ar preenchesse. E não preenche.
Amar os teus olhos neste mundo de ruídos, acariciar a tua alma nesta terra de ilusões. Mas ineptos me sugam, me desorientam. E esqueço o que importa. Abstraio o lugar de onde vim. Esqueço do meu lar. Olvido as palavras roucas do meu espírito. 
Mil sois virão antes que eu possa te esquecer, homem dos meus sonhos. E ainda assim, sinto que a memória do seu sorriso faria cócegas em mim quando estivesse absorta em meus pensamentos. 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Tempos de nostalgia

É sentir falta de algo que nunca foi. Não na realidade. Era mais um ensaio. Uma grande vontade que foi posta na prática apenas na pele, e não no coração. 
Essa nostalgia que me acomete de tempos em tempos, sem muita explicação. Sobretudo agora, ela não tem muito porquê existir. 
É quando os dedos tremem só de pensar, e por isso penso em qualquer outra coisa para me distrair.
Se fosse mesmo real, a esta altura do campeonato, eu saberia.
Real é saber que o olhar que me cativa tem uma expressão só pra mim. Que é só a mim que ele toca, com uma suavidade que domina até minhas células. 
Isso é real. Não é ilusão. Não é se agarrar a uma tábua, no meio do oceano congelante, enquanto o navio afunda ao som de violinos melancólicos. 

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...