Numa realidade paralela ando de bicicleta, com o frio cortante em minha pele. Nessa realidade, queimo ao vento. Feliz, triste, ansiosa, apaixonada e louca, tudo ao mesmo tempo.
E nela, os anos em que passei os dias repetitivos, as camas quentes e a alma gelada, e até minha tentativa de sair dessa realidade, apesar disso tudo, valeu a pena, não só porque eu o (re)encontrei, não só porque eu o amo, não só porque nenhum será você, mas sim porque o universo o trouxe para mim e você me ama.
Nós somos irmãos. Viemos do mesmo lugar. E nos encontramos cedo na vida. Fugi, e muitos anos depois nos reencontramos.
Eu tenho medo de você, do que você causa em mim.
Sem você, tudo me é indiferente.
Eu quero machucá-lo como você faz comigo.
Mas eu não consigo.
Vivo em outra realidade.
Aqui os dias são repetitivos. Não leio ou escrevo tanto quanto minha persona paralela.
Não consigo sair desta realidade. É real? O sonho é real?
Passo o dia a me perguntar tantas coisas.
Como você, persona. O vento soprando as folhas me interessa mais do que as leis.
Camas geladas, porque eu nunca estou realmente (real?) nelas. Alma quente, porque trago um mundo efervescente dentro de mim.
Valeu a pena sonhar nesta esquina do universo?