terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Frases de Dexter: momentos reflexivos

"There're only a few things you need once you decide to move on. What you'll require, where you'll land, find soothing clothing, the tools of your trade. And some token of your past, a reminder of who you really are. Everything else you just don't need."

"An idea transcended into life"

"So I'm neither man or beast. I'm something new entirely"

"Most actors toil in obscurity, never stepping into the spotlight. But if you hone your craft, work diligently, you might find yourself cast for the role of a lifetime"

"But if you play a role long enough, really commit, does it ever become real? Could I become real?"

"Sins of the father"

"All along I thought this was a game my alter ego and I were playing. But relationships change, evolve. And this one is getting deep."

"There are no secrets in life, just hidden truth, that lies beneath the surface"

"Trauma can distort the memory"

"I passed through the flames and rose from the ashes."

"Partners come to us in various ways, bound together for many different reasons. But for any partnership to work you must not only accept this person into your life, but accept her for who she is."

"Sometimes partners find us. And as much as we try to push them away, they work their way into our lives regardless, until we finally realize how much we need them."

"Don't be sorry your darkness is gone. I'll carry it for you. Always. I'll keep it with mine."

"They make it look so easy. Connecting with another human being. It's like no one told them it's the hardest thing in the world."

"You can't do one thing to make up for another. But we do that all the time."

"And I'm left not with what she took from me, but with what she brought. Eyes that saw me, finally, for who I really am. And the certainty that nothing, nothing, it's set in stone. Not even darkness."

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O bom guerreiro

O golpe final é um rito de passagem. E para um guerreiro merecedor, o golpe final deve ser dado com misericódia.
E para o guerreiro sem código, ou com o código de honra deturpado? O que faz um guerreiro honrado ao se deparar com um inimigo imoral? Deve ele baixar-se ao ponto do mau lutador? Ou deve erguer-se, como a águia, sobressair-se através da inteligência? A estratégia faz-se necessária.
O bom guerreiro deve, acima de tudo, lutar contra a injustiça. Ainda mais quando a injustiça foi realizada contra seu clã.
O bom guerreiro conhece o olhar do Adversário, porque eles se enfrentam há milhares de anos. O balanço de poder gera o equilíbrio de forças. Mas o Adversário é ardiloso, e coloca veneno na ponta de sua espada. O bom guerreiro pode perecer, contudo leva consigo seu Adversário, dando-lhe seu próprio veneno quando o Adversário se aproxima para vangloriar-se de sua pírrica vitória.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O enigma da bipolaridade

Querer x não querer: questão de 2009

Querern x dever: questão de 2010


O futuro é sempre uma incógnita. Como eu poderia saber tantos dos resultados que obtive? É a chamada sorte. Eu não a chamo de azar. Algumas situações findam abruptamente, quando o fim é chegado. Outras tantas retornam, assim como o karma, para a esfera de assuntos não resolvidos.
Anseio sim, mas o equilíbrio faz-se necessário. Seu olhar tem milhares de anos, e disto tenho certeza.
Assim seja.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Fim de um ciclo

Fim de ciclo, fim de fase. É o momento em que as decisões tomadas começam a se realizar, em que as dúvidas finais são colocadas na balança, e tudo pelo que se lutou é posto à prova.
Sei o que quero. Mas quanto eu desejo, a intensidade do querer versus os sacrifícios, eis a questão.


"All the world's a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances,
And one man in his time plays many parts"
Shakespeare

sábado, 30 de outubro de 2010

Persona: um denso projeto literário

Persona, em latim, significa a máscara utilizada pelos atores no teatro de tradição grega. Para cada personagem, utilizava-se uma máscara. Todo personagem do drama clássico representava um tipo, uma forma bem definida de comportamento.
Desde os doze anos de idade, me pergunto sobre as máscaras sociais. Sua origem, finalidade, seus pontos fracos. E o que nos faz tão indefesos a ponto de preferirmos usar uma máscara ao invés de enfrentar a forte luz da realidade. Não cheguei a nenhuma conclusão definitiva.
O que sei é que preciso das máscaras. Uma para cada momento específico, para cada pessoa. A máscara se baseia em mímica. Analisa-se alguém parecido (ou com máscara semelhante), copia-se o essencial, com algumas mudanças de estilo.
Contudo, entre os momentos de mudança de máscara, alguém pode avistar um relance do temido rosto. E então? Então transformo-me. Visto minha armadura guerreira: o cinismo, acompanhado de seu devido sorriso. E fujo, corro, até que possa recompor minhas lindas máscaras, meus troféus, e minha força.
Eventualmente é necessário corrigir algumas rachaduras, polir algumas arestas, aperfeiçoar a técnica de confecção das máscaras. Nada que a experiência e o intelecto não possam lidar sem muito esforço.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sobre as (des)humanidades

Passei os últimos anos tentando não ser humana. Tentando me colocar acima da torpeza. Obviamente o plano não deu certo. Encontrei as mesmas torpezas em mim. E as mesmas sutilezas que me fazem humana. 
Claro, eu nunca quis me apegar. Mas é difícil, muito difícil. 
E sei porque alguém sempre me atraiu, magneticamente. Somos feitos da mesma podre matéria. A matéria fundida e trabalhada, na caldeira da vida. O abandono, seguido ou abrupto, confeccionou nossa couraça. Couraça esta que nenhuma força é capaz de atravessar. Nenhuma força violenta. O afeto, o carinho, que escapam quando ninguém olha. O toque suave que seus lábios antecipam nos meus. É o que sempre desejei. É o que antecipo nos dias que se seguirão. Mais uma vez. 
É o único que me interessa, nesta cidade de vícios.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O carrasco

Como eu já disse antes: amar o algoz é o mais difícil. Amar a sensação de insegurança, indecisão, medo, dentro de si, é amar o algoz. E o que se faz, em grande parte das vezes? Exprime-se no outro o algoz que existe em si. O algoz, o carrasco, o outro, é o portador, então, do sofrimento. Porque é mais são, é mais fácil e cômodo odiar o carrasco do que odiar a si mesmo.
Não desejar, nunca, levar o sofrimento aos seres queridos não é garantia de sucesso. Não se pode agradar a todos o tempo todo, sobretudo com o perigo de perder-se no coletivo. E às vezes é necessário sacrificar algum ideal em busca de um objetivo maior. Diga-me, quando o sacrifício é relevante? É tudo o que preciso saber.

sábado, 16 de outubro de 2010

Um dia musical

Neste dia de sol (finalmente) em Ouro Preto, o que me movimenta é a música. A música embala meu ser neste momento brevemente verde, brevemente esperançoso. 
"It's evolution, baby!" = mudar é o tema. Renovar, ampliar, transformar.
E qual o melhor instrumento para se reconfigurar? O aprendizado, sempre. O amor livre é divino. O amor preso, obsessão.
E ser feliz é ser livre para escolher um novo passado, presente e futuro.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Felicidenia



Havia este homem. Sua vida era povoada de amigos, familiares, amantes. Ele era o último a se queixar de sua sorte.
E então ele a conheceu. Jovem mulher, sedutora, encantou seu mundo. Ele se apaixonou por ela. Passava o dia todo a seu lado, acariciando sua pele macia e viciante.
Ela desapareceu. Sem dar explicações. Recorreu a seus amigos. Eles não souberam dizer o paradeiro dela, pois não a conheciam. Não, replicava o homem, eu mesmo a apresentei a vocês, lembro-me muito bem. Não, definitivamente não a conhecemos, nunca a vimos.
Seu desespero era palpável. Procurou-a em todos os lugares que freqüentaram juntos e nada. Agarrou uma garrafa de vodka, em busca de alguma paz. Encontrou o sono pesado dos bêbados. E sonhou.
No sonho, ele a viu. Ela sorria com a pureza da inocência perdida. Ela trazia uma das mãos fechadas. Abriu as palmas do homem e colocou um conteúdo nelas. Uma pílula. Ele acordou.
Havia uma pequena caixa preta no móvel ao lado da cama. Dessas em que se colocam anéis. Ele abriu. Uma pílula e uma frase anotada: Siga-me.
O homem não hesitou. Seguiu a migalha.
Deixou sua casa. Foi para o trabalho.
Não havia ninguém lá.
Era dia útil.
Errou pelas ruas. Nenhuma face amiga ou inimiga. As ruas estavam desertas.  E nada de sua jovem.
Até que a viu através de um vidro. Ela acenou, mas não saiu da loja. Ele podia ouví-la. Onde estão todos meus amigos?, disse o homem. Eles não importam mais, agora que você tem a mim, querido. Ela gargalhou. Tome a outra pílula, meu amor, e estaremos para sempre juntos.
O homem teve medo. Seu amor tornava-se algo doentio. Sentia-se dividido entre escolher uma nova vida ao lado dela, ou retornar à anterior.
Foi neste momento que sentiu uma pontada no estômago. Devia ser sua gastrite nervosa. O ácido corroía-o por dentro. A dor era excruciante. Depois foi a vez da enxaqueca. Por fim, o vazio do desmaio.
Não soube quanto tempo se passou. Seus olhos se abriram no hospital. Algumas pessoas no quarto observavam-no, atentas.
O homem tentou levantar-se, mas foi impedido. Não entendia porque aqueles estranhos falavam consigo de uma maneira insistentemente íntima.
Alguém trajante de branco hospitalar se aproximou. Você não está em condições de sair do leito. Por quê? Você teve um surto, e foi trazido para cá. E por que não avisaram minha família? Querido, nós somos sua família. Eu não os conheço, nunca os vi em minha vida toda! Ele deve estar ainda sob efeito da medicação nova, é o tipo de efeito colateral que se tem.
Medicação nova, do que estão falando? Querido, vamos conversar sobre isso depois, agora você está muito estressado. Não, me digam agora!
O ar pareceu se encher de tensão. As mãos do homem formigaram. A sensação alcançou o corpo todo. Ele pediu um espelho. A contragosto, os desconhecidos o forneceram.
Ele viu a face refletida. A jovem mulher, encantadora. Um grito mudo ficou preso.
A medicação nova foi utilizada para tratar sua condição, querida. Minha condição? Sim, querida: Felicidenia. Felicidenia, o que é isto? É um tipo específico de esquizofrenia: cria a ilusão da felicidade no paciente. Ilusão... como assim?? Nada do que viveu foi realidade, querida. Nada? Nada. Resta-me então conceber a felicidade como apenas uma doença de meu cérebro.

sábado, 2 de outubro de 2010

Sobre o caminho

O caminho do meio tem suas dificuldades. Sua diretriz é o desapego às emoções pertubadoras, o cultivo da paciência, serenidade e altruísmo. Contudo, é complicado despir-se de todos os apegos emocionais e materiais desta existência. As emoções pertubadoras como o ciúme, raiva, ódio, desejo, são os inimigos da paz de espírito.
Vejo que o vórtice dessas emoções tenta, novamente, me atrair para seu interior. Esta vivência eu já tive, e agora eu a dispenso. Mas como é difícil dissipar todo a tensão que um certo campo magnético causa em mim...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

As respostas

Todas as respostas que eu poderia obter por enquanto, bem, consegui-as hoje. E o hoje é sempre um dia de respostas válidas. O que mais? A exceção sempre é válida, desde que represente um novo futuro, uma nova opção. Masssss! Existe sempre o "mas"!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Entre querer e dever

Ninguém disse que seria fácil. Acho que nunca é. Quando o que mais se deseja acontece de ser o pior pra si. Mas sem drama. Desta vez, sem drama. Não viverei novamente pela metade, de migalhas, de conjecturas. Se foi tudo um blefe, se de fato alguém não me odeia, pelo contrário, bem, que diga isto. E então, talvez, eu amanse.

sábado, 25 de setembro de 2010

Quanto mais eu corro, mais assombração aparece

Estamos todos sujeitos ao retorno do passado, de emoções mal resolvidas, de situações mal vividas. Quando dizer não à "volta dos que não foram"? Quando mente e corpo não estão de acordo, e a vontade é tão irresistível que é por isso mesmo que devemos resistir. Mas que é difícil, é. Obrigada, minha consciência externa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Entre uma susposta natureza e a paz de espírito

Futuro e passado existem apenas na mente. Ambos podem ser criados e recriados ao bel prazer do indivíduo. Tensa é a situação em que um passado e um futuro alternativos se chocam, se interconectam e se sobrepõem. Entre o tudo e o nada, passado e futuro, amar e odiar, minha vida sempre perpassou a dualidade. E agora, no presente, eu escolho o caminho do meio. A trindade está feita. Ela não é a negação dos extremos, mas sim o equilíbrio entre as faces da mesma moeda.
Por vinte e cinco anos acreditei que os extremos faziam parte de mim, e por isto eu os apreciava. Hoje esta fase termina. O caminho é pelo meio, pelo todo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma música relaxante

Não sei exatamente por quê, mas esta música permaneceu em mim todo o fim de semana.


Down em mim - Barão Vermelho

Down em mim
Cazuza

Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down

Outra vez vou te cantar, vou te gritar
Te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo
À versão nova de uma velha história
E quando o sol vier socar minha cara
Com certeza você já foi embora
Eu ando tão down
Eu ando tão down

Outra vez vou te esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer
Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Down... down

domingo, 22 de agosto de 2010

Cicatriz aniversariante

Todos temos que cicatrizes que carregamos. Algumas externas, outras internas. A importância delas, creio, é o efeito de lembrança. Elas fazem parte do processo de aprendizagem, que muitas vezes é doloroso.
Esta cicatriz que carrego em meu rosto hoje vejo como um aviso do meu corpo, um alerta do meu caminho: eu me tornava, então, alguém incompatível com meus valores.
Foram sete pontos. Este número estranho que me acompanha nesta jornada.
Um ano atrás, quando ganhei esta cicatriz, eu não tinha uma especifica idéia sobre o que ela simbolizava. Apenas sabia que algo estava errado. Hoje, refletindo sobre o caminho que toca meus pés, sobre a escolha de vida que fiz ao morar aqui, percebo o quanto é difícil viver e sobreviver aos intensos revezes da vida ouropretana. Mas, usando de uma frase clichê: "o que não me mata, me torna mais forte".
Meu coração endureceu muito, por fora, nestes últimos 25 anos. É como ele aprendeu a se defender. O desafio, agora, é reconquistar o elo perdido. Aquela inocência e esperança que sempre fizeram parte de mim. E que reconquisto um pouco a cada dia, não me colocando mais em situações que nada trazem de bom. Não fazendo coisas apenas por fazer. É importante que as pequenas (e grandes) decisões tenham significado. Para que viver não seja em vão.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O pior

O pior dos momentos, para mim, é estar acompanhada e ainda assim me sentir sozinha. Como se a humanidade fosse algo partilhado, e não algo vivido.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O espelho

Vi minha alma refletida noutrem. Meus defeitos mais saltitantes. E eu não gostei do que vi. A imagem é grotesca. Saber disso não alivia. Talvez até me sufoque. 
Contudo, é uma mudança. E mudar, meu caro blog narcisista, é o mais difícil. O hábito é o calcanhar de Aquiles da mutação. E como eu quero fugir dos meus hábitos, tão fortes em mim!
Caminhar pelo meio, sem estar presa às margens, como um rio que corre, flui naturalmente pelo caminho. Abandonar o "tudo ou nada". Estive no inferno e no paraíso, às vezes ao mesmo tempo, graças a esse comportamento. Ah, e por quanto tempo eu louvei os extremos! E os dramas! A vida como uma novela mexicana, com um final trágico, provavelmente com uma (ou mais) das personagens morta. Porque final bom de romance é aquele que termina em lágrimas, desespero e separação.
Espelho, espelho meu... não demore tanto para perceber o mesmo que eu!

domingo, 15 de agosto de 2010

Si vis pacem, para bellum

Aqui do alto de minha mediocridade, meu fabuloso trono que evita os contatos diretos com o que se usa chamar de humanidade, observo e julgo os comportamentos humanos. Acostumei-me a pensar em mim mesma como um ser à parte da humanidade, melhor que suas torpezas, apenas para encontrá-las dentro de mim.
E tudo isso porque eu sempre me encontrei longe de casa, longe dos meus semelhantes, tão raros por estes lados do universo. Não porque eu seja especial, ou diferente. Sou sozinha. Na falta daquilo que me faz sentir em casa, do olhar cálido de quem te conhece há séculos.
E então penso sobre tudo aquilo que já observei, julguei e condenei. Lembro-me dos círculos viciosos. Ah, os círculos viciosos que tanto apreciamos! Nós, humanos, e infelizmente eu me vejo nessa fatídica família, somos ratos de laboratório, levando sempre o mesmo choque, passando pela mesma situação sem nada aprender.
Se queres a paz, prepara-te para a guerra, amigo! A guerra contra o choque elétrico, contra o laboratório, contra a própria essência de experimentação laboratorial!
Mas não se pode apenas dizer ao rato: "O choque de hoje é o mesmo de ontem, de hoje e de amanhã." Ao rato humano não interessa a natureza do choque, sua essência ou origem. Ao rato humano importa a experiência do choque, o quanto ele se sentiu vivo durante aquele breve momento sôfrego. Ao rato humano importa criar ilusórias diferenças entre um choque e outro, entre as motivações de uma experiência e outra. Ao rato humano interessa partilhar curiosas histórias de choques, sem que a partilha demonstre suas semelhanças. Ao rato humano se valida o pensamento de que sua RATITUDE é melhor e mais certeira do que a de outros ratos.

Prazer, meu nome é rato. E eu sou um ser humano.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sexta-feira 13, eu moro no número 13

Superstições à parte, o texto de hoje nada tem a ver com o título. Ou talvez tenha.

Meus sonhos sempre atiçaram minha curiosidade. Mundos estranhos, vôo livre e poderes psíquicos. Cenas de sexo com inusitadas pessoas, e às vezes, com as óbvias.
O sonho de hoje, dia 13, foi uma busca. Eventualmente no sonho eu sabia que era um sonho, mas isso não mudou o tema: a procura, ansiosa, por alguém. No sonho era alguém específico, que não merece ter o nome aqui publicado.
É o meu anseio por encontrar alguém, como está escrito num certo objeto, "worthy one". Procuro. Mas e quando encontrá-lo, o que fazer?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Canção da Redenção: a sentença de Helel

Se redimir-me significa viver as vicissitudes humanas, que assim seja. Procuro a paz de espírito que nunca tive.
O que seria esta paz? Parar de buscar o indizível, o inexistente. Eu não sou anjo nem humano, e ao mesmo tempo carrego as duas essências em mim. Tenho tantos dons poderosos e nunca soube o que fazer com eles. Meus dons quase sempre serviram apenas aos meus caprichos, aos meus vícios. É por saber que sou mais do que meus dons, mais do que meus torpes erros ou tentativas de acerto, por querer continuar a existir e encontrar algo pelo qual eu queira viver, que eu aceito a decisão deste tribunal ao qual me submeti de livre e espontânea vontade. Renuncio à imortalidade, aos meus dons, às criaturas que criei, aos mundos que modelei, à minha herança por direito de meu pai Samael, à minha conquista da administração da Criação, à minha essência angélica. A partir deste momento sou humano.
Ao dizer esta palavra, humano, já sinto um coração palpitar dentro de mim. E já não os vejo mais, a nenhum anjo ou ser sobrenatural deste tribunal. Por favor, me tirem daqui, antes que esta dor de ser natural e de não pertencer a esta dimensão estraçalhe meu corpo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma nova página

Conheci o Paraíso e o Inferno. Percebi que o Limbo é um ótimo lugar para se pensar com calma. Mas não para se permanecer para sempre. Depois de me respingar na loucura, ah, eu conheci o que é a paz. Ela agora tem nome, rosto, voz e uma alma transparente.
A paz que me guia tem os olhos cor de tempestade, do azul escuro quase cinza que me cativa. A minha paz me faz querer ser melhor, ir além de minha arrogante mediocridade. Esta paz enche meu coração de esperança, mesmo eu sabendo que a esperança é vã. É a paz que me inspira, me dá uma razão para deixar meu velho ceticismo sádico de lado, e ver o mundo com outros olhos. É a paz que me soergue da baixeza de meus habituais torpes pensamentos, e me diz: "existem pessoas que valem a pena".
Eu não preciso de mais nada. Apenas de paz.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre o novo projeto: Redenção

A Redenção é desses objetivos curiosos que almas sofridas buscam afoitamente. Sofridas e arrependidas. Redimir-se (ou remir-se) é procurar a salvação, é sanar e curar a própria consciência, que foi ferida durante o caminho tortuoso seguido até então.
É uma jornada interior pelo estéril campo dos arrependimentos, é encontrar abismos profundos e não temer cair na tentativa de se construir uma ponte. E, na queda, é abandonar-se por completo ao vazio da alma, sentir que se deu o máximo de si, desapegar-se da conhecida dor e do companheiro desespero. E na escuridão do profundo abismo é reconhecer-se como ser de luz.

sábado, 3 de julho de 2010

Prévia: Redenção

O fardo de ser real, de ser carne, é curiosamente doce quando é escolhido, quando é temporário e não limitador. O fardo de ser comprimido a um corpo humano, mesmo sabendo que sua essência é tão maior do que qualquer ser vivo, ah, este sim é torturante!
A punição, provavelmente perfeita, para alguém como eu. Detesto que me conheçam tão bem assim. Contudo, sabendo que poderia me rebelar a esta decisão, de promover algo levemente semelhante a um golpe de Estado, e poderia abraçar a Criação que por direito conquistei, aceito minha sentença. O inferno existe na alma. É o sofrimento cíclico e vicioso, sem fim, de martírio por uma causa que nasceu perdida.
A causa é a minha redenção. O meu próprio perdão pelo que me tornei, o que fiz, e o que permiti que fizessem. Não existe salvação para minha alma. Mas não consigo abandonar a existência. Qualquer existência. Confesso: tenho medo do nada.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Manual do bom ilusionista [2]


  • Aparências: o bom ilusionista não se deixa levar por elas.
  • O bom ilusionista veste a máscara de acordo com o ambiente.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Manual do bom ilusionista

  • O bom ilusionista distrai sua platéia. Afinal, o show tem que continuar!
  • O bom ilusionista atrai o olhar, e trai a confiança. Não se preocupe, você perceberá que foi enganado apenas quando for tarde demais.
  • O bom ilusionista se fantasia de plumas e palavras. Ele sabe que cores e sons hipnotizam.
  • O bom ilusionista seduz. Sabe que a melhor sedução é aquela que a platéia se deixa levar, crente de que está consciente de tudo o que a rodeia.
  • O bom ilusionista está sempre atento aos detalhes que fogem dos olhares destreinados. A observação é crucial para criar a ilusão de uma realidade diferente.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

É tudo da lei

Quando o ódio é seu melhor amigo, você está vazio. E quando tudo o que lhe resta é o ódio alheio, você está sozinho. Mais do mesmo. Ser sozinho é a lei. Ser vazio é rotineiro. O que sobra é a ilusão da companhia, a ilusão do amor. O mito da paixão.
Nem tenho mais forças para odiar. Apenas para ser odiada. Isto não requer nenhum esforço.

terça-feira, 8 de junho de 2010

surrealismo é o suporte

Das conversas mais estranhas esta com certeza foi o suporte. Bla, o amor se encontra em cada esquina, e o proibido é mais gostoso. Isto tudo quer dizer que quando se quer, ninguém impede. Um beijo, o que é um beijo em face da perdição de suas convicções. Um beijo que nem foi tão grande coisa assim. Entre um beijo e minha vida, escolho a vida. A vida, escolha não tão óbvia. A vida, após o que vivi seis anos atrás é a mais cotidiana das atividades. A vida após do amor vivido não causa tão furor assim. Somente a obsessão temporária. Somente a idéia fixa, passada, substituída.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Nostalgia: texto antigo (nem eu ser datar)

Discurso de Eva

Venho a vós mulheres, herdeiras do meu legado. Senhoras da fertilidade e do saber intuitivo. A arte da feminilidade corre em nosso sangue. Ser mulher é ser fonte da criação da vida e do amor.

Quando a Serpente me entregou o fruto da árvore do conhecimento, era entender o significado maior da Criação que eu almejava. E compreendendo, não perdi o Paraíso, mas ganhei a Terra. Esta foi minha missão. Como primeira fêmea humana, aprender o que é ser mulher e sentir-se como tal. Aprender, sobretudo, o que é ser humana.

Árduo caminho este de nossa existência. Ter que conviver com o mito milenar da pureza da virgem e da maleficência da bruxa. Ora, todas carregamos em nosso íntimo, algumas suprimidas, a síntese da virgem-bruxa. O inocente ar sensual, a lascívia pueril. A santa pecadora e a prostituta beata.

Convido-vos a passear comigo pela noite estrelada, sob a lua cheia. Desejo compartilhar alguns pensamentos e emoções. Vamos, a noite é fresca. A brisa chega roçando em nossos cabelos, traz o som suave e divino da harpa.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ode aos tempos pós-modernos

Clube do Suicida Pós-moderno: Primeiro suicídio em tempo real!
Porque se matar é também uma forma de se expressar.

Feira dos motivos

Antes esta cidade era mágica. Era o lugar em que coisas inesperadas aconteciam, a todo momento. E agora, é a cidade vã que vicia. Pobre cidade, ela não tem culpa. São os homens que vivem nela que são vãos. E por mais vã que eu seja, não é o que quero pra mim. Meus tão altos ideais não encontram alicerces na realidade. E é por isto que sofro. Talvez o melhor conselho seja esperar o mínimo, sempre, de tudo e de todos.
Eu vim pelo motivo errado. Preciso ficar pelo motivo certo. A minha vaidade retardou esta confissão. E o que necessito é de um motivo. Apenas um.


"Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."
Sophia Andresen

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O personagem

Quando um personagem seu morre é triste. Cultiva-se aquele ser por tanto tempo. Gasta-se energia nas elocubrações mentais e nas letras impressas no papel.
O personagem agoniza e eu me perco em mim mesma. Deve ser por isso que a deprê tem me atacado nos últimos dias. Eu me perdi há três anos. Distrai-me na trama e no drama. Tento me agarrar às gotas de idéia fixa. O pânico me cerca quando o vejo. E agora sei porquê. Tenho medo de não ser. Como se minha existência estivesse atrelada à dele. Talvez, se ele não existir, eu também não exista. Acho que sou apenas um personagem para ele. Uma insandecida Ofélia que se afoga na própria loucura.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Redenção: Mea culpa

Amar o algoz é o mais difícil. A punição e o ato de amar se confundem. A dor se torna prazer. E a redenção é inatingível.
Redenção é meu único objetivo. Ah, mas é tão complicado desfazer-se de emoções cultivadas há tanto tempo! O rancor é uma roupa. Estar nu diante do mundo é o maior desafio. Estar nu, andar nu entre aqueles do meu mundo, isto sim é desapego. Mas sinto frio. Preciso dos meus ressentimentos para me manter aquecido.
A noite é longa. Os rancores esquentam meu corpo. Eu não quero confessar nada. Isto não é um confessionário nem uma sessão de terapia. E não me pergunte o que eu sinto! Tenho vontade de te esbofetear quando me pergunta isto. Porque eu não sei o que sinto, e tenho o direito de não sabê-lo.
Desculpa-me. Falar depois de tanto tempo em silêncio é desesperador. As palavras têm o sabor estrangeiro em minha boca. Tudo o que digo soa como um profundo suspiro.
Se eu me arrependo de algo? Sim. Às vezes seria melhor que nem tivesse nascido. O vazio é mais confortável que a ausência. Pois o vazio é o não-há, e a ausência, a falta de alguma coisa que já existiu.
Sei que pareço um velho desiludido. É exatamente o que sou. Tantos anos observando meus semelhantes levaram-me à vã ilusão de que seria diferente deles. No entanto, somos feitos da mesma podre matéria. Toda a torpeza do universo vejo refletida nas minhas ações e pensamentos. E por isto me penalizo. Por isto pego o chicote da solidão e golpeio meu corpo. Mea culpa. Sempre.
Pequei antes que o pecado fosse inventado. Eu sou o Pecado Original. E por minha culpa Eva foi expulsa. Eu sei, é um péssimo hábito meu colocar toda a culpa da humanidade em meus ombros. O fardo é pesado. O caminho é longo. Luto para não ser fraco e desistir. Já desisti tantas vezes antes. Escondi-me de tudo e de todos. Deixar a caverna fetal de minha atual existência é dos trabalhos mais hercúleos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Memento

Uma resposta.

Sinto-me cercada por sons mudos. "Sons mudos? Isto não existe!" diria qualquer transeunte. E eu digo que o som faz-se mudo quando não é emitido, quando é impronunciável. Quando o simples pensar torna-se tortura, o som se emudece.
E as lembranças transformam-se em pequenas gotas que caem dos olhos.
Não quero lembrar, então abstraio. Leio. Estudo. Bebo. Camofo. E me esqueço da angústia.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Curiosa Sorte

A Sorte (ou Fortuna) é dessas deusas com senso de comicidade muito curioso. O momento em que ela mais ri é quando choramos.

sábado, 10 de abril de 2010

Dicionarizando

Calúnia

Datação
sXIII cf. IVPM

Acepções
substantivo feminino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
1 afirmação falsa e desonrosa a respeito de alguém
1.1 Rubrica: termo jurídico.
falsa imputação a alguém de um ato juridicamente definido como crime, feita com má-fé; pode ser feita verbalmente, de forma escrita ou por representação gráfica
Obs.: cf. difamação, injúria
2 Derivação: por extensão de sentido.
mentira, lorota, invenção


Locuções
c. qualificada
Rubrica: termo jurídico.
a que é praticada contra o chefe do executivo nacional ou estrangeiro e funcionário público em razão de suas funções; pode ser na presença de várias pessoas ou por meio que facilite sua divulgação

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Poemas favoritos

Eloisa to Abelard

In these deep solitudes and awful cells,
Where heav'nly-pensive contemplation dwells,
And ever-musing melancholy reigns;
What means this tumult in a vestal's veins?
Why rove my thoughts beyond this last retreat?
Why feels my heart its long-forgotten heat?
Yet, yet I love!

Pope


Le Poison

Le vin sait revêtir le plus sordide bouge
D'un luxe miraculeux,
Et fait surgir plus d'un portique fabuleux
Dans l'or de sa vapeur rouge,
Comme un soleil couchant dans un ciel nébuleux.

L'opium agrandit ce qui n'a pas de bornes,
Allonge l'illimité,
Approfondit le temps, creuse la volupté,
Et de plaisirs noirs et mornes
Remplit l'âme au delà de sa capacité.

Tout cela ne vaut pas le poison qui découle
De tes yeux, de tes yeux verts,
Lacs où mon âme tremble et se voit à l'envers...
Mes songes viennent en foule
Pour se désaltérer à ces gouffres amers.

Tout cela ne vaut pas le terrible prodige
De ta salive qui mord,
Qui plonge dans l'oubli mon âme sans remords,
Et charriant le vertige,
La roule défaillante aux rives de la mort!

Baudelaire


Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Henley

Sobre a (não) fluidez do pensamento

O bom de beber é quando chega aquele momento efêmero em que se pode apenas admirar a beleza do não-pensamento. É como entrar em estado meditativo sem interrupções. Mas a seguir desse estado vem aquele em que qualquer sombra de idéia vira ação. E isso de fato NÃO é bom.
Hoje a tarde tive momentos meditativos. E eu o vi. A apatia, antes reinante, transformou-se em crise de riso. Afinal, o que isso significa??
Interrogações fazem parte do meu corpo.


"No terrível aperto da circunstância
Eu não recuei nem gritei
Sob coação do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas insubmissa"

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ode à Liberdade

A liberdade é dessas sensações estranhas. Ela acomete quando menos se espera. E tudo fica tão solto, tão fácil, tão natural, que a prisão parece a coisa mais anti-natural que existe.
Mais uma vez a liberdade vem a mim, num momento em que, tempos atrás, eu sentiria uma falta física de alguém, como se parte de mim tivesse sido arrancada. Como se não estivesse habituada a meu próprio corpo.
E agora, a liberdade chega para o desapego. Alguns dias atrás, sonhei que me livrava de tudo material, apenas mergulhando num abismo. Livre. E foi a melhor sensação que tive em muitos anos.
Seria uma profecia? Somente o tempo pode responder. O que sei é que a angústia não anda de mãos dadas com a liberdade.

"Agradeço por quaisquer deuses que existam
Por minha alma inconquistável"
William Ernest Henley

terça-feira, 6 de abril de 2010

Em busca da (in)sanidade perdida

"Tudo" ou "nada" dependem de quem fala.
Os extremos são curiosos, interessantes, instigantes. Mas o caminho do meio é mais são.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cansaço

É, me canso das minhas loucuras. Mas não as abandono. Sem elas, quem eu seria? Apenas mais um bufão colorido num mundo apático.
Talvez eu precise de um distanciamento. "Think outside the box", é uma boa frase.
Este círculo vicioso viciado, me sinto girando girando sem sair do lugar. E mergulhar apenas enche meus pulmões de água.

Esta obsessão ainda me mata.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Expectativas quanto ao espetáculo

Este receptáculo de corpo que aqui vomita suas meras confusões... espera curiosamente pela magia ouropretana. É hora de olhar para fora, de ex spectare. Estou cansada de olhar para dentro e ver sempre os mesmos dramas. Como diria uma grande amiga: "Se você tem um problema (e quer se ver livre dele), arrume um maior".
E o espetáculo é hoje. Hora: 22h.
Compareçam!

terça-feira, 16 de março de 2010

Insensibilidade

Ah, esta insensibilidade da chuva que nos priva do sol! Esta insensibilidade em mim, que o priva de atenção! Era isto que você queria? Atenção? Confetes são apenas para os V.I.P.s.
E se este é o destino de páthos, de passio, bom, que venham então os furacões. Estou aqui, com minha cara blasé de sempre, à espera.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Página

Como se vira uma página? Com muito esforço, o levantar do braço alcança o papel. A mão toca a superfície macia. Acaricia aquelas letras carregadas de drama. Elas são velhas conhecidas e por muito tempo companheiras. A mão hesita. Teme pela decisão ser abrupta, impulsiva, insolente demais.
Mas o livro deve continuar. A história não acaba neste capítulo. Ela é feita conforme os olhos procuram as palavras.




"Caminhante não existe caminho. O caminho se faz ao caminhar."

terça-feira, 9 de março de 2010

For the worthy one

Para o merecedor.
Para o valoroso.
Para aquele que não é pior nem melhor, mas equivalente.
Aquele a quem o mérito toca sua face.
E a virtude seu coração.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Aquela que pisa nas nuvens, para cair num abismo

Tem dias que pareço entender melhor o mal que me aflige. E em outros, tudo fica nublado. É por isso que no auge de minha egomania, tudo fica escuro.

"Não concordo comigo mas absolvo-me" Fernando Pessoa

domingo, 7 de março de 2010

Epifania

Se existe um momento epifânico, posso dizer que ele está presente. Ah, como é bom ter alguma certeza na vida além da morte e de impostos!
O que sei ninguém pode tirar de mim. Jamais. É por isso prezo tanto o conhecimento. E é através dele que tudo é realizado em minha vida. Então, que venham as epifanias!

"Não, eu não me engano! Li nos seus olhos negros um verdadeiro interesse por mim e pela minha sorte. Sim, eu sinto que meu coração pode crer que ela... Ousarei, poderei pronunciar estas palavras que resumem o paraíso? ... Eu sinto que ela me ama!
Ela me ama! E quanto eu me valorizo a meus próprios olhos, quanto... eu posso dizer isto a você, que saberá compreender-me... quanto eu me adoro a mim mesmo, depois que ela me ama!"
Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe

Para bom conhecedor, Werther se mata no fim.
Seria uma deixa?
"E o resto é silêncio."

sexta-feira, 5 de março de 2010

All in!

Quer saber? Ele já me acha louca, que diferença faz?
All in! Sem blefe.
PS: substâncias etílicas invadindo o sistema.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sim, eu sei

Eu sei, não assinei nada. Nem você. Quero um contrato assinado com sangue. Este sim é do meu tipo. Hold me, thrill me, kiss me, kill me.
Ah, quanta saudade do seu ódio! Ele me alimenta tanto quanto sua lascívia...
Porque é melhor sentir seu ódio, do que a indiferença. Mas, para minha sorte, este dia ainda não chegou.
Cansei. Não quero mais lutar. O melhor é mergulhar de uma vez. E se sobrarem pedaços para contar alguma história, eu vos informarei, meus leitores virtualmente imaginários.

quarta-feira, 3 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

O furacão

Não se dirá que o amor não é tentado. Afinal, quando o amor é amor, e não qualquer outra coisa?
Confuso. Com fuso. Giro ao redor de mim mesmo. Rodando e rodando, perdido na calmaria.
Aqui, no olho do furacão.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

E o pensamento...


Palavras que voam ao vento, onde está meu pensamento??
Ele está junto ao meu coração...
Blá, que papo mais meloso!
Meu pensamento é como uma criança hiperativa, que não se prende a nada. A não ser pelas idéias fixas. Ah, as idéias fixas são o meu calcanhar de Aquiles!
Eu sei o que quero. Isso não muda o fato de que faço pouco ou quase nada por isso.
A par disso, vou pensando e sonhando. E escrevendo. Quem sabe alguém ainda me encontra??
Escrever aqui é como lançar garrafas de mensagens ao mar.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Confusão: garanta agora a sua!

Estive pensando em algumas coisa que você me disse um tempo atrás. Tantas vezes o que digo, o que faço, o que penso e o que sinto diferem muito entre si. Isso quer dizer exatamente o quê? Sou uma confusão ambulante.
Ouvi desses seus lábios: "você é maluca". Nunca neguei. Imagino que seja algo muito curioso tentar me entender (eu e minhas viagens ególatras!). Isso tudo pra dizer, desabafar na verdade, o que se passa por baixo da minha máscara insensível. Não canso de frisar o insensível. Acho que nunca poderei esquecer aquelas palavras "ela é mesmo insensível, tem uma pedra de gelo no lugar do coração".
Continuando a parte do desabafo. Não sei se alguma vez você, o único que me importa na verdade, chegou a ler este simplório blog. Mas eu preciso colocar para fora, no mundo. Algo que sempre me foi tão difícil! Faz parte da minha auto-terapia. (Quantas digressões!). Ah, tanta enrolação para dizer o mais simples! Bem vindo à novela da minha vida!
Enquanto as letras se vão eu reuno coragem para dizer o necessário.
Então, aqui vão as respostas para suas perguntas não respondidas. Ou ao menos tentativas de respostas
"Por que você fica com todo mundo?"
Eu não fico com todo mundo. Mas dar esta impressão é algo valioso para quem quer demonstrar indiferença. Coisa que eu já pratiquei demais. E é meio viciante, diga-se de passagem. Além de indiferença, demonstra independência, poder sedutor, auto confiança. Qualidades que eu tenho um pouco menos do que demonstro.
"O que você quer de mim?"
Ah, esta é a mais torturante de responder! Como eu quero desviar desta! E eu quero tantas coisas! Meu segundo impulso (porque o primeiro é basicamente físico) é desvendar o mistério que é esta sua mente. Além da atração física descomunal (posso falar apenas da minha parte), o que se passa na sua cabeça me interessa tanto, que até me assusto! E junto a esses dois interesses, bem, calhou de vir o terceiro e mais irritante fator: o emocional. Você nem tem idéia do que eu faria para extirpar todos estes interesses de dentro de mim. Sobretudo o emocional. Você me incomoda, me irrita. Daquela maneira perigosa. Tenho medo de perder o pouco controle, e auto controle que me resta. Não consigo falar do emocional mais abertamente. É um processo lento. Bem, ao menos eu disse alguma coisa. Foi melhor do que o "nada" que respondi naquele dia. Você deveria aprender que não respondo bem a conflitos.
Agora, as desculpas:
Desculpe-me pelas palhaçadas. Elas foram freqüentes logo que nos conhecemos devido ao meu prazer sado-masoquista de causar ciúmes. As palhaçadas foram uma tentativa de estabelecer meu controle sobre você. E é claro, você não se submeteu. Eu não o respeitaria se tivesse se tornado submisso. E me atrevo a afirmar que naquele "quem manda aqui?" que eu ouvi, você não me respeitaria se eu dissesse "você". A não ser que viesse seguido de uma risada.
Sim, eu tenho uma grande boca, falo demais. Tenho me controlado, se você se deu ao trabalho de reparar. Porque de fato é incoveniente, quando se mora numa cidade pequena.
E, no fim das contas, que declaração maior você queria do que um "eu te odeio" no meio da noite?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ah, essa confusão que é o ser humano!



Como descrever a sensação que me toma quando estou com você? A mesma força que me atrai, me repele. E meu instinto grita: "Corra! O mais rápido que puder!". E ainda assim é tão irresistível poder tocá-lo. E o medo me invade quando posso de fato encostar em você. Tudo que posso definir com certeza - pois as sensações são tão confusas - é o medo dessa emoção forte que se apodera de mim. Tudo isto quando eu o vejo. E é por isso que mal consigo dirigir a palavra a você.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A verdade liberta?

Vim de longe com apenas um único propósito: ser feliz. Pois não poderia sê-lo enquanto permanecesse em São Paulo.
O negócio é que até agora estou esperando pela sensação esfuziante. Obtive apenas coloridos espasmos. Normalmente seguidos de intensas lágrimas. Sim, eu ainda choro. É, parece que não sou assim tão insensível. Existe um coração quente e pulsante por baixo da minha dita frieza.
Há algum tempo tive o que pareceu ser uma espécie de invenção da roda. Veio-me o entendimento de que eu não gosto realmente dele. Bem, vamos por em palavras mais drásticas: eu não o amo. Sim, eu sei o que eu disse antes. Conheço minha personalidade ululante. E a partir dela posso dizer: eu amo as sensações que ele provoca em mim. É excitante sentir-se viva. Mesmo que seja através do ódio lascivo. Ou amor raivoso, se preferir.
Eu me importo com ele. Eita, importo-me até com desconhecidas que levam socos na cara ao meu lado. É da minha natureza. Faz parte do meu talento para a empatia.
Ele sempre representou um desafio para meus tão auto-conceituados dons para entender a alma humana. E agora que aqui estou, posso dizer: ele é tão humano quanto qualquer outro. A leitura é difícil, mas não impossível. E quão desejoso se faz entrar na cabeça dessa criatura!
Eu achava que sabia. Mas não sei o que procuro. Vi minha alma refletida nos olhos de um amigo, tão querido e longe. Quando percebi que esse amigo procurava algo, incessantemente, embora não soubesse bem o quê. E agora eu sei. Vi meu reflexo naqueles olhos castanhos tão intensos. Mas este foi outro capítulo da minha história. Anterior a este que teima em não ser encerrado.
Ah, quantas vezes eu quis me afastar de você! Quantas vezes eu tentei não me importar! Inúmeras vezes coloquei a máscara da indiferença na sua frente. E me acusa de insensível. Não posso demonstrar sensações, sentimentos. Ao menos foi isso que sempre pensei, pois demonstrar emoção significaria parecer fraca. Ser fraca. E o mundo é um lugar cruel o bastante, aprendi isso, para a a fraqueza.
Se pareço inconstante é porque estou confusa. Enquanto meu coração aponta numa direção, meu cérebro indica outra. Tudo seria tão mais fácil se três anos atrás eu não o tivesse desejado. Foram tantas escolhas baseadas no mais insano dos desejos.
Por acaso você sabe o que é sentir-se completamente fora de si na presença de outra pessoa? Saber que essa pessoa causa isto, de forma fulminante? E não, não diminuiu com o tempo. A obsessão talvez apenas tenha piorado.
É, a verdade é esta: sou obsecada. E se isto me faz livre? Não. Imagino que me faça mais presa do que nunca.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...