terça-feira, 8 de setembro de 2009

O Segredo




Há certas coisas que são inclassificáveis. Palavras parecem nao ser o bastante. Ou talvez sejam além do suficiente.
O que sei é que existe um olhar que rasga a carne como bisturi. Olhar que me despe do orgulho, da auto-estima e de qualquer virtude que ainda me resta.
O segredo é a palavra entupida. É o silêncio sufocante.
Querido e agressivo amante, ignorar-te é ter consciência de todos os segundos em que esteve ao alcance de meus covardes dedos. O meu silêncio é o beijo que afaga a tua nuca. Meu não-olhar te segue por todos os cantos.
Não sei se amo, odeio ou desprezo. Não, não desprezo. Não posso ser indiferente ao calor que tua presença provoca em mim. Ainda assim, tanta raiva. Desejo matar-te de mil maneiras, todas repletas de tortura e crueldade.
Contudo, todo o teu sangue não pagaria nem mesmo a última ferida, o derradeiro momento a sós. A máscara, tão bela, pude ver através dela. És apenas instinto e lascívia. E eu, razão e sensibilidade. Mais imperfeitos um para o outro não há.
O estúpido segredo, este não revelo. Muito menos a ti. Nem sob torturantes carícias.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...