domingo, 27 de abril de 2014

"E o passado é uma roupa que não nos serve mais"

Olhares tão velhos quanto o mundo. Olhares que contam histórias. Olhares que nos arrastam para uma dimensão da qual se deve fugir. Olhares que nos prometem o céu e o inferno, prazer e dor em uma só embalagem.
Esta é uma roupa que não me serve mais.

Segui para outros olhares cinza. Tanto ardeu e queimou. E eu não me apaguei. Eu me apeguei. Eu me apaixonei. Tão perdidamente. E me perdi. Eu o perdi.

Então parto. Vou-me, pela metade.
Uma parte se foi com ele. Ele partiu e me partiu.
Saudades da minha parte perdida.

Outros olhares. De novo. Olhos que me atraem. Meus olhos me traem. Sinto-me orbitar ao seu redor. Minhas órbitas fixas nas suas.
Eu não quero te assustar. Não sei o que fazer. Algo em você me tira do meu eixo. Meu centro gravitacional se transferiu para seus olhos. E nem sei ainda a cor exata deles. Você me perguntou o que me atraiu em você. Esta é minha história. E minha resposta.

domingo, 20 de abril de 2014

Tapa na cara de insensatez

Um tapa na cara: "pare de tentar fazer tudo do seu jeito".
Um oráculo tentando me salvar da minha síndrome de "meu sonho", e não sonho coletivo.

sábado, 19 de abril de 2014

Coração assombrado

"Ah, mas você deve gostar de alguém né!"
"Não, matei todos. Não eram dignos de mim"

Mentiras assim contadas com a facilidade que os anos trazem.
A verdade é que os esqueletos de sentimentos ainda rondam. Ainda assombram.

Cada dia é um novo exorcismo. Porque o anterior parece não ter funcionado.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Anos 80: uma visita sempre revigorante

Ah, esses anos 80! Não qual é o elemento que me atrai tanto para certas músicas, certas bandas dessa década!
Depeche Mode sempre o ar que eu respiro. O fator de sanidade que preenche os dias de crise.

Hoje é dia de: "By my side", INXS


Fala de uma ausência constante. Que se sente principalmente na calada da noite. De estar sozinho no meio da multidão de almas sem rosto. E nenhuma delas é quem se procura.


"In the dark of night
Those faces they haunt me
But I wish you were
So close to me"

domingo, 13 de abril de 2014

Fantasma

A imagem me segue. Atormenta-me. Tento. E ele está sempre lá.
O que fazer? Será que vale a pena? Uma afagada no ego não vale.
Se aprendi algo com tanto sofrimento é não ser mais tão vã.

Tão longe. Tão perto. Provavelmente ele desconhece isso tudo. Desconhece a dimensão que aquele dia de outubro me custa até hoje.

Alguma alma esclarecida pode me dizer quando isso vai passar? Eu tento. Mas nada.

Tento tanto e ele não vai embora.
Sim, eu menti. Uma única vez. Não havia mais ninguém.

sábado, 12 de abril de 2014

Fidelidade a quem? No regrets!

Fidelidade a quem? Fidelidade a quê?
Fé em quem se foi? Fides em que abandonou o barco?
Fidelidade a quem realmente importa: ode ao pós-modernismo! Eu mesma.
Se outro par de olhos parece interessar, diga-me: por que não? Acima de tudo, por que sim?
Saber entender que passou. Eu ainda estou viva. Apesar de tudo. E ele se foi.

Eu também devo ir para este famoso utópico lugar chamado futuro.

"I loved the way we used to laugh
I loved the way we used to smile
Often I sit down and think of you
For a while
Then it passes by me and I think of
Someone else instead
I guess the love we once had is
Officially dead"

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Crash into my arms, ou da carta que nunca será lida

           Escrevo uma carta que nunca será lida. O vento será meu carteiro, e levará sua mensagem até você.
           Seu olhar foi o que primeiro me cativou. Sua inocência e sua disposição em ver a pureza em minha alma torpe me arrebataram. Eu bem sei que quem nunca cai, quando o faz, o tombo é mais dolorido.
          Você me transformou. Completamente. Foi o catalisador de minha metamorfose. Não posso olhar para a vida da mesma maneira. Você descongelou meu coração, aqueceu-o de tal modo que até hoje ele ferve. Sinto-me viva. Fora de minha apatia e da pseudo-felicidade morna que eu tanto apreciava. E por tudo isso eu sou extremamente grata a você.
          Sinto falta de estar com você. Contudo, hoje entendo que foi exatamente o que era para ter sido. Nada mais, nada menos. E quando tudo já tinha sido, você se foi. Da mesma maneira como apareceu: de repente.
          Você foi o anjo que alcançou meus braços e me tirou do inferno. O anjo que acalmou e silenciou meus demônios. O anjo que me tirou do pesadelo da autodepreciação e me fez ver tanta coisa bela dentro de mim mesma.
             Partilhei tanto de mim. Dei a você a minha verdade, o meu sono, e a minha paixão. É mais do que qualquer um que tenha andado sobre esta Terra já teve. Eu não sou mais metade. Sou inteira. E o que amo, eu amo por completo. Obrigada.
               Vai em paz, lindo anjo.



"Crash into my arms
I want you
You don't agree
But you don't refuse
I know you
And no one knows a thing about my life
I can come and go as I please
And if I want to, I can stay
Oh, or if I want to, I can leave
Nobody knows me, Nobody knows me, Nobody knows me Oh, oh.."






Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...