Não sei exatamente por quê, mas esta música permaneceu em mim todo o fim de semana.
Down em mim - Barão Vermelho
Down em mim
Cazuza
Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Outra vez vou te cantar, vou te gritar
Te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo
À versão nova de uma velha história
E quando o sol vier socar minha cara
Com certeza você já foi embora
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Outra vez vou te esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer
Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Down... down
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
Cicatriz aniversariante
Todos temos que cicatrizes que carregamos. Algumas externas, outras internas. A importância delas, creio, é o efeito de lembrança. Elas fazem parte do processo de aprendizagem, que muitas vezes é doloroso.
Esta cicatriz que carrego em meu rosto hoje vejo como um aviso do meu corpo, um alerta do meu caminho: eu me tornava, então, alguém incompatível com meus valores.
Foram sete pontos. Este número estranho que me acompanha nesta jornada.
Um ano atrás, quando ganhei esta cicatriz, eu não tinha uma especifica idéia sobre o que ela simbolizava. Apenas sabia que algo estava errado. Hoje, refletindo sobre o caminho que toca meus pés, sobre a escolha de vida que fiz ao morar aqui, percebo o quanto é difícil viver e sobreviver aos intensos revezes da vida ouropretana. Mas, usando de uma frase clichê: "o que não me mata, me torna mais forte".
Meu coração endureceu muito, por fora, nestes últimos 25 anos. É como ele aprendeu a se defender. O desafio, agora, é reconquistar o elo perdido. Aquela inocência e esperança que sempre fizeram parte de mim. E que reconquisto um pouco a cada dia, não me colocando mais em situações que nada trazem de bom. Não fazendo coisas apenas por fazer. É importante que as pequenas (e grandes) decisões tenham significado. Para que viver não seja em vão.
Esta cicatriz que carrego em meu rosto hoje vejo como um aviso do meu corpo, um alerta do meu caminho: eu me tornava, então, alguém incompatível com meus valores.
Foram sete pontos. Este número estranho que me acompanha nesta jornada.
Um ano atrás, quando ganhei esta cicatriz, eu não tinha uma especifica idéia sobre o que ela simbolizava. Apenas sabia que algo estava errado. Hoje, refletindo sobre o caminho que toca meus pés, sobre a escolha de vida que fiz ao morar aqui, percebo o quanto é difícil viver e sobreviver aos intensos revezes da vida ouropretana. Mas, usando de uma frase clichê: "o que não me mata, me torna mais forte".
Meu coração endureceu muito, por fora, nestes últimos 25 anos. É como ele aprendeu a se defender. O desafio, agora, é reconquistar o elo perdido. Aquela inocência e esperança que sempre fizeram parte de mim. E que reconquisto um pouco a cada dia, não me colocando mais em situações que nada trazem de bom. Não fazendo coisas apenas por fazer. É importante que as pequenas (e grandes) decisões tenham significado. Para que viver não seja em vão.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O pior
O pior dos momentos, para mim, é estar acompanhada e ainda assim me sentir sozinha. Como se a humanidade fosse algo partilhado, e não algo vivido.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O espelho
Vi minha alma refletida noutrem. Meus defeitos mais saltitantes. E eu não gostei do que vi. A imagem é grotesca. Saber disso não alivia. Talvez até me sufoque.
Contudo, é uma mudança. E mudar, meu caro blog narcisista, é o mais difícil. O hábito é o calcanhar de Aquiles da mutação. E como eu quero fugir dos meus hábitos, tão fortes em mim!
Caminhar pelo meio, sem estar presa às margens, como um rio que corre, flui naturalmente pelo caminho. Abandonar o "tudo ou nada". Estive no inferno e no paraíso, às vezes ao mesmo tempo, graças a esse comportamento. Ah, e por quanto tempo eu louvei os extremos! E os dramas! A vida como uma novela mexicana, com um final trágico, provavelmente com uma (ou mais) das personagens morta. Porque final bom de romance é aquele que termina em lágrimas, desespero e separação.
Espelho, espelho meu... não demore tanto para perceber o mesmo que eu!
domingo, 15 de agosto de 2010
Si vis pacem, para bellum
Aqui do alto de minha mediocridade, meu fabuloso trono que evita os contatos diretos com o que se usa chamar de humanidade, observo e julgo os comportamentos humanos. Acostumei-me a pensar em mim mesma como um ser à parte da humanidade, melhor que suas torpezas, apenas para encontrá-las dentro de mim.
E tudo isso porque eu sempre me encontrei longe de casa, longe dos meus semelhantes, tão raros por estes lados do universo. Não porque eu seja especial, ou diferente. Sou sozinha. Na falta daquilo que me faz sentir em casa, do olhar cálido de quem te conhece há séculos.
E então penso sobre tudo aquilo que já observei, julguei e condenei. Lembro-me dos círculos viciosos. Ah, os círculos viciosos que tanto apreciamos! Nós, humanos, e infelizmente eu me vejo nessa fatídica família, somos ratos de laboratório, levando sempre o mesmo choque, passando pela mesma situação sem nada aprender.
Se queres a paz, prepara-te para a guerra, amigo! A guerra contra o choque elétrico, contra o laboratório, contra a própria essência de experimentação laboratorial!
Mas não se pode apenas dizer ao rato: "O choque de hoje é o mesmo de ontem, de hoje e de amanhã." Ao rato humano não interessa a natureza do choque, sua essência ou origem. Ao rato humano importa a experiência do choque, o quanto ele se sentiu vivo durante aquele breve momento sôfrego. Ao rato humano importa criar ilusórias diferenças entre um choque e outro, entre as motivações de uma experiência e outra. Ao rato humano interessa partilhar curiosas histórias de choques, sem que a partilha demonstre suas semelhanças. Ao rato humano se valida o pensamento de que sua RATITUDE é melhor e mais certeira do que a de outros ratos.
Prazer, meu nome é rato. E eu sou um ser humano.
E tudo isso porque eu sempre me encontrei longe de casa, longe dos meus semelhantes, tão raros por estes lados do universo. Não porque eu seja especial, ou diferente. Sou sozinha. Na falta daquilo que me faz sentir em casa, do olhar cálido de quem te conhece há séculos.
E então penso sobre tudo aquilo que já observei, julguei e condenei. Lembro-me dos círculos viciosos. Ah, os círculos viciosos que tanto apreciamos! Nós, humanos, e infelizmente eu me vejo nessa fatídica família, somos ratos de laboratório, levando sempre o mesmo choque, passando pela mesma situação sem nada aprender.
Se queres a paz, prepara-te para a guerra, amigo! A guerra contra o choque elétrico, contra o laboratório, contra a própria essência de experimentação laboratorial!
Mas não se pode apenas dizer ao rato: "O choque de hoje é o mesmo de ontem, de hoje e de amanhã." Ao rato humano não interessa a natureza do choque, sua essência ou origem. Ao rato humano importa a experiência do choque, o quanto ele se sentiu vivo durante aquele breve momento sôfrego. Ao rato humano importa criar ilusórias diferenças entre um choque e outro, entre as motivações de uma experiência e outra. Ao rato humano interessa partilhar curiosas histórias de choques, sem que a partilha demonstre suas semelhanças. Ao rato humano se valida o pensamento de que sua RATITUDE é melhor e mais certeira do que a de outros ratos.
Prazer, meu nome é rato. E eu sou um ser humano.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sexta-feira 13, eu moro no número 13
Superstições à parte, o texto de hoje nada tem a ver com o título. Ou talvez tenha.
Meus sonhos sempre atiçaram minha curiosidade. Mundos estranhos, vôo livre e poderes psíquicos. Cenas de sexo com inusitadas pessoas, e às vezes, com as óbvias.
O sonho de hoje, dia 13, foi uma busca. Eventualmente no sonho eu sabia que era um sonho, mas isso não mudou o tema: a procura, ansiosa, por alguém. No sonho era alguém específico, que não merece ter o nome aqui publicado.
É o meu anseio por encontrar alguém, como está escrito num certo objeto, "worthy one". Procuro. Mas e quando encontrá-lo, o que fazer?
Meus sonhos sempre atiçaram minha curiosidade. Mundos estranhos, vôo livre e poderes psíquicos. Cenas de sexo com inusitadas pessoas, e às vezes, com as óbvias.
O sonho de hoje, dia 13, foi uma busca. Eventualmente no sonho eu sabia que era um sonho, mas isso não mudou o tema: a procura, ansiosa, por alguém. No sonho era alguém específico, que não merece ter o nome aqui publicado.
É o meu anseio por encontrar alguém, como está escrito num certo objeto, "worthy one". Procuro. Mas e quando encontrá-lo, o que fazer?
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Canção da Redenção: a sentença de Helel
Se redimir-me significa viver as vicissitudes humanas, que assim seja. Procuro a paz de espírito que nunca tive.
O que seria esta paz? Parar de buscar o indizível, o inexistente. Eu não sou anjo nem humano, e ao mesmo tempo carrego as duas essências em mim. Tenho tantos dons poderosos e nunca soube o que fazer com eles. Meus dons quase sempre serviram apenas aos meus caprichos, aos meus vícios. É por saber que sou mais do que meus dons, mais do que meus torpes erros ou tentativas de acerto, por querer continuar a existir e encontrar algo pelo qual eu queira viver, que eu aceito a decisão deste tribunal ao qual me submeti de livre e espontânea vontade. Renuncio à imortalidade, aos meus dons, às criaturas que criei, aos mundos que modelei, à minha herança por direito de meu pai Samael, à minha conquista da administração da Criação, à minha essência angélica. A partir deste momento sou humano.
Ao dizer esta palavra, humano, já sinto um coração palpitar dentro de mim. E já não os vejo mais, a nenhum anjo ou ser sobrenatural deste tribunal. Por favor, me tirem daqui, antes que esta dor de ser natural e de não pertencer a esta dimensão estraçalhe meu corpo.
O que seria esta paz? Parar de buscar o indizível, o inexistente. Eu não sou anjo nem humano, e ao mesmo tempo carrego as duas essências em mim. Tenho tantos dons poderosos e nunca soube o que fazer com eles. Meus dons quase sempre serviram apenas aos meus caprichos, aos meus vícios. É por saber que sou mais do que meus dons, mais do que meus torpes erros ou tentativas de acerto, por querer continuar a existir e encontrar algo pelo qual eu queira viver, que eu aceito a decisão deste tribunal ao qual me submeti de livre e espontânea vontade. Renuncio à imortalidade, aos meus dons, às criaturas que criei, aos mundos que modelei, à minha herança por direito de meu pai Samael, à minha conquista da administração da Criação, à minha essência angélica. A partir deste momento sou humano.
Ao dizer esta palavra, humano, já sinto um coração palpitar dentro de mim. E já não os vejo mais, a nenhum anjo ou ser sobrenatural deste tribunal. Por favor, me tirem daqui, antes que esta dor de ser natural e de não pertencer a esta dimensão estraçalhe meu corpo.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Uma nova página
Conheci o Paraíso e o Inferno. Percebi que o Limbo é um ótimo lugar para se pensar com calma. Mas não para se permanecer para sempre. Depois de me respingar na loucura, ah, eu conheci o que é a paz. Ela agora tem nome, rosto, voz e uma alma transparente.
A paz que me guia tem os olhos cor de tempestade, do azul escuro quase cinza que me cativa. A minha paz me faz querer ser melhor, ir além de minha arrogante mediocridade. Esta paz enche meu coração de esperança, mesmo eu sabendo que a esperança é vã. É a paz que me inspira, me dá uma razão para deixar meu velho ceticismo sádico de lado, e ver o mundo com outros olhos. É a paz que me soergue da baixeza de meus habituais torpes pensamentos, e me diz: "existem pessoas que valem a pena".
Eu não preciso de mais nada. Apenas de paz.
A paz que me guia tem os olhos cor de tempestade, do azul escuro quase cinza que me cativa. A minha paz me faz querer ser melhor, ir além de minha arrogante mediocridade. Esta paz enche meu coração de esperança, mesmo eu sabendo que a esperança é vã. É a paz que me inspira, me dá uma razão para deixar meu velho ceticismo sádico de lado, e ver o mundo com outros olhos. É a paz que me soergue da baixeza de meus habituais torpes pensamentos, e me diz: "existem pessoas que valem a pena".
Eu não preciso de mais nada. Apenas de paz.
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