Todos temos que cicatrizes que carregamos. Algumas externas, outras internas. A importância delas, creio, é o efeito de lembrança. Elas fazem parte do processo de aprendizagem, que muitas vezes é doloroso.
Esta cicatriz que carrego em meu rosto hoje vejo como um aviso do meu corpo, um alerta do meu caminho: eu me tornava, então, alguém incompatível com meus valores.
Foram sete pontos. Este número estranho que me acompanha nesta jornada.
Um ano atrás, quando ganhei esta cicatriz, eu não tinha uma especifica idéia sobre o que ela simbolizava. Apenas sabia que algo estava errado. Hoje, refletindo sobre o caminho que toca meus pés, sobre a escolha de vida que fiz ao morar aqui, percebo o quanto é difícil viver e sobreviver aos intensos revezes da vida ouropretana. Mas, usando de uma frase clichê: "o que não me mata, me torna mais forte".
Meu coração endureceu muito, por fora, nestes últimos 25 anos. É como ele aprendeu a se defender. O desafio, agora, é reconquistar o elo perdido. Aquela inocência e esperança que sempre fizeram parte de mim. E que reconquisto um pouco a cada dia, não me colocando mais em situações que nada trazem de bom. Não fazendo coisas apenas por fazer. É importante que as pequenas (e grandes) decisões tenham significado. Para que viver não seja em vão.
domingo, 22 de agosto de 2010
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