segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ode aos tempos pós-modernos

Clube do Suicida Pós-moderno: Primeiro suicídio em tempo real!
Porque se matar é também uma forma de se expressar.

Feira dos motivos

Antes esta cidade era mágica. Era o lugar em que coisas inesperadas aconteciam, a todo momento. E agora, é a cidade vã que vicia. Pobre cidade, ela não tem culpa. São os homens que vivem nela que são vãos. E por mais vã que eu seja, não é o que quero pra mim. Meus tão altos ideais não encontram alicerces na realidade. E é por isto que sofro. Talvez o melhor conselho seja esperar o mínimo, sempre, de tudo e de todos.
Eu vim pelo motivo errado. Preciso ficar pelo motivo certo. A minha vaidade retardou esta confissão. E o que necessito é de um motivo. Apenas um.


"Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."
Sophia Andresen

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O personagem

Quando um personagem seu morre é triste. Cultiva-se aquele ser por tanto tempo. Gasta-se energia nas elocubrações mentais e nas letras impressas no papel.
O personagem agoniza e eu me perco em mim mesma. Deve ser por isso que a deprê tem me atacado nos últimos dias. Eu me perdi há três anos. Distrai-me na trama e no drama. Tento me agarrar às gotas de idéia fixa. O pânico me cerca quando o vejo. E agora sei porquê. Tenho medo de não ser. Como se minha existência estivesse atrelada à dele. Talvez, se ele não existir, eu também não exista. Acho que sou apenas um personagem para ele. Uma insandecida Ofélia que se afoga na própria loucura.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Redenção: Mea culpa

Amar o algoz é o mais difícil. A punição e o ato de amar se confundem. A dor se torna prazer. E a redenção é inatingível.
Redenção é meu único objetivo. Ah, mas é tão complicado desfazer-se de emoções cultivadas há tanto tempo! O rancor é uma roupa. Estar nu diante do mundo é o maior desafio. Estar nu, andar nu entre aqueles do meu mundo, isto sim é desapego. Mas sinto frio. Preciso dos meus ressentimentos para me manter aquecido.
A noite é longa. Os rancores esquentam meu corpo. Eu não quero confessar nada. Isto não é um confessionário nem uma sessão de terapia. E não me pergunte o que eu sinto! Tenho vontade de te esbofetear quando me pergunta isto. Porque eu não sei o que sinto, e tenho o direito de não sabê-lo.
Desculpa-me. Falar depois de tanto tempo em silêncio é desesperador. As palavras têm o sabor estrangeiro em minha boca. Tudo o que digo soa como um profundo suspiro.
Se eu me arrependo de algo? Sim. Às vezes seria melhor que nem tivesse nascido. O vazio é mais confortável que a ausência. Pois o vazio é o não-há, e a ausência, a falta de alguma coisa que já existiu.
Sei que pareço um velho desiludido. É exatamente o que sou. Tantos anos observando meus semelhantes levaram-me à vã ilusão de que seria diferente deles. No entanto, somos feitos da mesma podre matéria. Toda a torpeza do universo vejo refletida nas minhas ações e pensamentos. E por isto me penalizo. Por isto pego o chicote da solidão e golpeio meu corpo. Mea culpa. Sempre.
Pequei antes que o pecado fosse inventado. Eu sou o Pecado Original. E por minha culpa Eva foi expulsa. Eu sei, é um péssimo hábito meu colocar toda a culpa da humanidade em meus ombros. O fardo é pesado. O caminho é longo. Luto para não ser fraco e desistir. Já desisti tantas vezes antes. Escondi-me de tudo e de todos. Deixar a caverna fetal de minha atual existência é dos trabalhos mais hercúleos.

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...