quarta-feira, 12 de maio de 2010

O personagem

Quando um personagem seu morre é triste. Cultiva-se aquele ser por tanto tempo. Gasta-se energia nas elocubrações mentais e nas letras impressas no papel.
O personagem agoniza e eu me perco em mim mesma. Deve ser por isso que a deprê tem me atacado nos últimos dias. Eu me perdi há três anos. Distrai-me na trama e no drama. Tento me agarrar às gotas de idéia fixa. O pânico me cerca quando o vejo. E agora sei porquê. Tenho medo de não ser. Como se minha existência estivesse atrelada à dele. Talvez, se ele não existir, eu também não exista. Acho que sou apenas um personagem para ele. Uma insandecida Ofélia que se afoga na própria loucura.

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