Dentro, o pequeno objeto repousava. Acomodado, no escuro. Aguardava o derradeiro momento, a grande abertura. Há anos circulava no mesmo bolso do mesmo casaco. Sem nunca ver a luz. Sem ser tocado.
Seu portador, às vezes, apalpava o tecido e ali sentia a saliência cúbica. Dizia, para si mesmo ou para seu segredo, um dia.
O pequeno objeto tinha uma missão. Um propósito. E enquanto seu fim não chegasse, permanecia inacabado.
O portador atravessou a rua. Não chegou ao outro lado. Alguém o acudiu.
Deitado, imóvel, um relevo no casaco chamou a atenção. No bolso, uma caixa, pequena.
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