sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Qual é o preço da mudança?

Expectativas são sempre difíceis, porque raramente elas são preenchidas de acordo. Mas me pergunto se é errado esperar o mínimo: respeito.
Se não podemos confiar nem mesmo em quem se gosta, em quem se estima, pra que existe a palavra confiança então?
O triste é que algumas mudanças (não sei se necessárias) chegam, alheias à nossa vontade. 
O que se faz? Qual é o preço da mudança? E quem paga por ela?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Bem-vindos à Zumbilândia!

A cabeça parece se mexer sozinha. Procurando, sempre procurando. E quando encontra, um gelo percorre a espinha. Uma vontade de correr mais rápido do que o vento. Um desejo contrário também se manifesta. Ir ao encontro. Entre sentimentos tão opostos, impera a estática. Permanecer parada. Como se apenas assim o T-Rex não me visse.
Transformo-me, então, em um zumbi. Arrastando sua carcaça por aí. Em busca de algo que ainda é inominável, que sempre foi inefável. Em busca de algo que julgo que todo o esforço mental não é suficiente, pois não é assim que as coisas são.
Sonho em voltar à calmaria. Rodando, rodando, na calmaria do oceano equatorial. Rodando, sem brisa, sem vento pra me levar a lugar algum. Rodando, apenas presa em minha habitual loucura. 
Sonho. Porque sonhar ainda me permito.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Just let it go"

Apenas desapegue-se, é a mensagem. Mas às vezes é difícil. 
Segundo os budistas, o apego gera sofrimento. E o desapego é um caminho para a iluminação. Penso que eu não teria como concordar mais neste momento.
Existe um vórtex que tenta me sugar, atrair. Resistir é como estar na beirada do abismo, com um pé no chão e outro no ar. É tudo tênue, tão tênue. A medida entre a provocação e a tentação basicamente não existe.
E aos trancos e barrancos eu sobrevivo. Não mais, porém. Eu renuncio ao vínculo. Eu corto a ligação. Eu extinguo o elo. Se tiver que ser, não será pelas minhas mãos, pelos meus pensamentos, ou sentimentos. Será porque ainda faz parte de meu caminho, de meu aprendizado.
E que assim seja.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Diferentes futuros, diferentes passados

"Você está sempre livre para mudar de idéia e escolher um futuro, ou um passado diferente." Richard Bach

Perspectiva é essencial. Think outside the box, já diz o ditado. E ao se distanciar, a perspectiva aparece sozinha, sem nem mesmo estímulo.
Algum tempo atrás eu imaginava como seria juntar no mesmo espaço-tempo diferentes possibilidades de futuros, diferentes possibilidades de passados. E agora, com o distanciamento necessário, tenho a resposta, que, cegamente, sempre esteve ao meu alcance.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um novo começo, uma nova continuação

"There's no more need to pretend
Cause now I can begin again"
S.P.

Começar é difícil, às vezes, quando se perdeu a prática. Mais importante, porém, é continuar. É percorrer o caminho que se escolheu. Diferentes opções podem se mostrar à nossa frente. Mas é preciso diferenciar o duradouro do temporário. Saber que uma promessa temporária, que aparentemente sanaria alguns problemas, não necessariamente é a melhor.
Confiar no instinto quando este diz "não é por aí a trilha a seguir".
É ótimo quando antigos planos começam a dar certo, e algum "encaixe" se faz preciso. Acima de tudo, é preciso ter foco. Abstrair as distrações. Para poder começar, novamente, em um lugar novo, a continuação de um caminho tão querido.

domingo, 30 de outubro de 2011

Sobre um vício

Houve um tempo em que o pensamento não era impuro. Não possuía a malícia de uma relação maculada por mal-entendidos.
Houve um tempo em que eu apenas desejava a magia que parecia emanar de fortuitos encontros.
E então, houve um tempo em que precisei preencher um vazio. Transformei a aparente magia em loucura. Remendei a loucura em obsessão.
Depois, houve um tempo em que tudo isso não fazia mais sentido. Chegou, finalmente, o tempo do esquecimento. Por mais que as vivas memórias se esforcem para não ser apagadas. Não existe dor que não seja delével.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Exercício do semestre: inspire, expire. Ou o Odisseu viajante.

Aprecio muito o exercício de, ocasionalmente, reler o que escrevi no passado. De relembrar o que senti tempos atrás.
Desde a fundação de Insensatez, eu oscilei muito. Ainda assim, percebo um fio condutor. Uma tomada de consciência (bem lenta, diga-se de passagem), uma luta contra a obsessão, mesmo que muitas vezes seja uma luta contra a maré. Contra alguns instintos primitivos e algo poderosos.
Quando comecei a realmente me desapegar (lembro-me um pouco daquela noite ébria), pouco mais de um ano atrás, isso inaugurou um novo momento. Mesmo louca, mesmo obcecada, me mantive em pé (mesmo que quase caindo). Algumas vezes incentivei, este meu ego umbilical, outras fui pega de surpresa, quando abordada por alguém. E continuei, tremendo, mas continuei firme (igual prego na gelatina) em minha convicção.
Sinto dizer que não sou imune. Gostaria de ser. Gostaria que isso acabasse.
A paz do começo do semestre parece evaporar. Mas são apenas impressões. A mente que projetou esta paz, bem, ela é mais poderosa do que muitos imaginariam. E ela domina a matéria como uma criança manipula argila.
Meu ego sado-masô tenta me levar para caminhos perigosos, devo confessar. Mas existem outras vozes, e ainda que o canto da sereia soe doce e libidinoso, amarro-me ao mastro do navio. Sou Odisseu, e preciso voltar para casa, para junto dos meus. Para junto de meu amor, que me espera pacientemente.
E então é isto. Um desafio. Agora percebo. Um desafio colocado em meu caminho, para que eu me fortaleça e siga pelo roteiro que estabeleci.
Sim, posso lidar com isto. Sou Odisseu, e meu navio segue para Ítaca. Alguns de meus companheiros morreram na viagem. Honrarei, então, suas memórias, quando voltar para casa. Compatriotas farão canções sobre minha jornada. E eu poderei descansar ao lado de meu amor, que me aguarda na Ilha.
Esta Odisseia é temporária. Ela é necessária para que se aprendam algumas coisas no caminho.
E as sereias são odiosos monstros, presos a suas condições. Enquanto Odisseu é mestre dos mares. Navega, com dificuldades impostas por deuses e pela Sorte, para chegar, finalmente, a seu destino tão esperado.
Inspiro-me então em Odisseu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Drogas serão sempre drogas

Um leão em pele de cordeiro. Uma droga em forma de um remédio, que nem ao menos é placebo. O pior é eleger uma droga como panaceia, uma cura para todos os males.
Uma droga é sempre uma droga. Uma pessoa que só faz surgir o pior, por melhor que pareça durante meros segundos.
Não é fácil manejar um vício. Não é fácil controlar o que foi uma obsessão. Mas é fácil saber o que faz mal.
Segue um tema pertinente:

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Novos tempos, novas perspectivas

Hoje um grande amigo me deu um conselho. Sem pedido. Sem desconfiança. Um conselho que nasceu de um posicionamento em comum.

Ele disse: Dá tempo ao tempo. Tudo o que é forçado é artificial, é temporário. Tudo o que nasce do tempo, de uma semente, de uma frase bem-intencionada, frutifica. Isto me lembrou meu antigo vício, minhas antigas tentativas. E além deles, meu real motivo. De tudo o que sempre fugi.

Sete anos atrás eu soube. E espero saber também agora. Isto não é pra mim.
Vital é saber o que não é. Para então, com muito esforço, saber o que é.

Se sinto falta dele? É claro, a única alma interessante que já encontrei por estes trópicos. A única acertadamente interessante. Mas não era o tempo nem o lugar.

Depois: era tempo, mas não o lugar. Um era a sucessão de outro. E o que preciso é de um recomeço. Sem laços.

Talvez um novo lugar. Novo ambiente. Novas perspectivas. Afinal, não é segredo nenhum, todos meus esforços acadêmicos/intelectuais encontram-se em apenas um lugar. E agora alguém. O gavião auspicioso me promete alguém. Fecho os olhos. Ebriamente otimista.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Música para o dia pacato



"Maybe I need you
Here in this hotel room
Thinking about angels
Thinking about what they do
Maybe they’ll fly
Bring you right here to me
Cover them miles
Heaven knows what I need
Baby I need you

Maybe I need you
Here in this town so sweet
Everything quiet
Everyone gone to sleep
Thinking about Elvis
How he made mama cry
Elvis find Jesus
Making her feel alright
Baby I need you.

Maybe I need you
Here in this world on fire
Everything moving
Everyone always tired
Thinking of futures
Everything falls away
Everything changes
Nothing has changed today"

Para quem, como eu, espera sempre a vida que vem de fora. É como uma religião proibida, silenciosa. Ele existe. E eu vou encontrá-lo. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Martir x Algoz

 


Quem é o algoz, além de nós mesmos? O algoz não está no outro, apenas na ilusão do outro. O algoz é a autopunição, o obscuro masoquismo que seres humanos apreciam. O outro é apenas a via, o corpo que assume esse alter ego sado-masô.
O algoz é somente aquilo que nos permitimos sofrer. Um sofrimento desnecessário (ou não).
Enquanto a luz não chega, somos sempre mártires do amor, obcecados por uma sensação, qualquer sensação, que nos tire do tédio, da inércia, do estado vegetativo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

There and back again!

Tribalistas, antes e de novo.
Aguardada é a sensação do novo, do inédito. De uma vida diferente do vício. Diferente das sombras torpes do passado e do nunca-futuro.
Quero, com o coração limpo. Sem malícia, sem maldade. Sem outras intenções que não a minha expressa. Quero, com a alma e o corpo. Quero o tempo que nunca foi perdido, apenas pausado. Estou feliz com os passos desta jornada.

"Mundo mundo vasto mundo,
Mais vasto é meu coração"
CDA

D

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Palavras minhas na boca de outrem!

Citarei a verdade onde a encontrar!


"Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro."
Caio Fernando Abreu

sábado, 11 de junho de 2011

Será que alguma vez...?

Será que alguma vez você teve a chance aos seus pés, gritante, e nada fez sobre isso? Nada fez porque simplesmente parecia desnecessário, adiável? Nada fez porque não era o momento, ou porque não parecia certo?
Eu pressenti, senti e, finalmente, vi. O que isto quer dizer? Apenas o óbvio?
Sei que todas as chances de me distrair com outras pessoas são meramente acaso. 
Eu mastigo. Sei que quem come de tudo está sempre mastigando. E não sente o gosto de nada. Ao menos uma noite sem mastigar. Uma noite apenas para apreciar a ressaca vindoura.

sábado, 28 de maio de 2011

O lago poluído de Narciso

Narciso está sentado à beira de um lago. Vê sua imagem refletida nas águas. E o que vê o terroriza. Sua própria imagem, maculada pela sujeira do lago.
Ele é um monstro. Um corcunda de alguma Notre Dame. Algum fantasma preso a uma ópera. Uma fera, dividido entre sua própria monstruosidade e o amor a uma linda donzela.
O amor de monstro é tragicamente belo. Inspira pena, algum tipo de comoção. Mas ninguém está disposto a amar um ser distorcido.
Inicialmente, como vemos em todas as histórias, o monstro deseja apenas ser deixado em paz, só. Por algum motivo, acaba por reconhecer a beleza em alguém. Uma bela alma, recoberta por uma imagem igualmente atraente.
A tormenta começa no espírito turbulento do monstro: amar nunca havia sido uma possibilidade real. E amar alguém tão fora do alcance, tão distante do mundo sofrível e monstruoso que existe em sua mente... parece simplesmente irreal.
O monstro hesita. Há duas opções: deixar-se levar pelo sentimento, declarar-se, lutar, conquistar a amada. Ou negá-lo, fugir como se o amor fosse uma doença contagiosa e terminal.
Nas comoventes histórias de filmes, livros infantis, o amor vence e torna o monstro um ser belo.
Em minha história, o montro continua acorrentado a seus próprios medos, lendo sempre o mesmo livro, chamado "eu avisei".
Boa noite, meu nome é Narciso.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que era, o que é, o que será

"O que será que será?"
A vida toma rumos jamais imaginados, jamais concebidos como possíveis. O jeito é lidar com a nova situação. Talvez mal, com velhos hábitos. Talvez bem, com novas posturas. O certo é que não posso excluir o poder que descobri ter o pensamento nesta nova fase da minha vida. O pensamento como algo sólido, preso à realidade. Ah, ele opera o que poderia parecer difícil. Mas é difícil apenas para os mortais.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Comentários sonoros

Se alguém sabe como o romano se sentiu...


Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei d'aonde vem o tiro (2x)
Por que caminhos você vai e volta?
Aonde você nunca vai?
Em que esquinas você nunca pára?
A que horas você nunca sai?
Há quanto tempo você sente medo?
Quantos amigos você já perdeu?
Entrincheirado, vivendo em segredo
E ainda diz que não é problema seu
E a vida já não é mais vida
No caos ninguém é cidadão
As promessas foram esquecidas
Não há estado, não há mais nação
Perdido em números de guerra
Rezando por dias de paz
Não vê que a sua vida aqui se encerra
Com uma nota curta nos jornais
Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei d'aonde vem o tiro (2x)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um discurso metalingüístico, talvez metafísico, talvez metamorfo

O propósito de Insensatez é o exercício da escrita, além do fator terapêutico de "dizer" as loucuras em "voz alta". Mesmo que ninguém leia, ou pouquíssimos leiam, a intenção nunca foi essa. É meu espaço nesse mundo de espaços virtuais, de vida cibernética. 
Neste mundo de World.Wide.Web, sou nem mesmo um ponto considerável da rede. O anonimato pode ser reconfortante.
Passar pela vida em silêncio. Este sim seria um objetivo interessante. Sem bagunça desnecessária. Sem fama, sem internações em clínicas de Rehab. Já possuo barulhos suficientes em minha mente. Preciso de caos, mas de um caos ordenado, em que possa me entender. Sem enterrar os fantasmas, sem amaldiçoar os demônios que se escondem nas sombras.
Os demônios são muitos. E sou apenas uma. Contudo, o poder que eles têm é somente aquele que eu os deixo ter. Enquanto isso, uma obsessão morre. Morre porque seu tempo chegou. Morre porque correr em círculos, em direção a um objetivo que nunca me foi exatamente claro, é um extremo desperdício de energia. Nunca soube o que queria dele. Além da presença libidinosa. Eu sempre soube o que ele queria. E nitidamente o que ele NÃO queria. A rejeição e o mau-caratismo terminam por me libertar. Finalmente.
O que me aguarda agora? (Além de anos de estudo rumo a Bora-Bora?) - Ué, rimou!
Quero abrir as feridas. Retirar os vermes que ali se alimentam. Dolorosamente sanar o que resta. Colocar fogo nos vermes ainda vivos. Olhar para dentro e me sentir pura. Inteira novamente. Ninguém, nunca, me tirou nada. Apenas escondi, do mundo e de mim, a dor.


Trilha sonora do texto:

terça-feira, 5 de abril de 2011

Confissões de um Nephilim

Por muitos anos ansiei por companhia. A solidão é desgastante. Assim como a paranóia e a desconfiança. Eu nunca pude me entregar completamente a nenhuma criatura. E quando o tentei ao revelar minha verdadeira natureza a Katrina, tudo o que fiz foi afastá-la de mim. Escondo-me na noite de minha alma. Crio obsessões temporárias que me ajudam a sufocar as recorrentes lembranças dos momentos ao lado de Katrina. Mesmo agora, tantos séculos após nossa separação, eu não consigo derramar uma lágrima. Elas foram secadas pelas areias de Jerusalém há dois mil anos.
Gostaria de me apaixonar novamente. No entanto, meu coração se endureceu de tal maneira que eu não sei se seria capaz de amar mais uma vez. E ainda que eu amasse, existe grande probabilidade de que eu fugiria do amor como de uma doença contagiosa.
É prático ser sozinho. Não ter de se importar com algo ou alguém. Virar as costas para a humanidade bestializada. Refugiar-se num paraíso recôndito, recriado à imagem e semelhança do Éden de Emanuel.
Todas essas falácias podem ruir com um simples olhar de alguém na multidão amórfica. Um olhar que pode nos arrastar para dentro de um outro universo. Falo de uma experiência mística. Não o misticismo humano. Mas o misticismo dos imortais, daquilo que nem nós podemos explicar.

sábado, 2 de abril de 2011

+1 -1 = 0

Eu os consumo. Como uma dose, que deveria ser única. Tudo ao mesmo tempo agora.
E a próxima vez? A segunda vez? Na maior parte, um pânico me possui, todos meus movimentos são no sentido de me afastar o mais rápido possível. Quase um sistema imunológico emocional que tenta combater uma (possível) pseudo-ameaça.
Que diferença eles fazem? Geralmente nenhuma. É mesmo como uma dose de pinga, que se vira sem nem se sentir o gosto. Quem come de tudo está sempre mastigando, mas nunca sente o gosto de nada. 
A sensação do embebedamento é ótima. O corpo mole, relaxado. Divertido. A ressaca que ela causa depois, bem, apenas uma banheira de coca-cola e gelo resolveria.
Eu deveria parar de consumí-los. É comer sem ter fome, apenas a vontade de fazer algo, ou porque a comida está disponível. Isso é gula.
E a rejeição? Quando o objeto/pessoa não quer ser consumido? Ou talvez demore mais do que eu gastaria de tempo? É um arranhado no meu ego. Este ou aquele, tanto faz. Este é o problema: pode ser, tanto faz.
Tempo e energia desperdiçados. E eu não tenho tempo, porque não sei quanto ainda me resta.
A diferença tenho de fazer. E não algum mágico, um ilusionista que me tirasse do tédio.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um objeto de metal reflexivo

Cada um tem aquilo que pede. O que mais anseia. E os medos são isso. Ansiedades. Quase-desejos que se tornam reais. 
Na minha loucura de relações basicamente mentais, de uma solidão voluntária, concebi um personagem viciante. Apaixonante. Simplesmente cativante. E me apaixonei por ele.
Meu primeiro "eu te amo" foi dito a alguém que não existe. Nunca existiu. Pura insanidade fantasiosa de alguém que não aceita a realidade. Rasmalhov foi um grande escapismo traumatizante. Foi com Rasmalhov que tive um relance de minha própria loucura. Rasmalhov foi minha fusão da realidade com ficção.
Tenho medo de mim, e por isso me tranco a sete chaves. Medo de um novo personagem. Ainda que eu tenha vindo pra cá pensando também em outro esboço de personagem. O grande pesadelo/sonho de uma escritora (amadora): viver no mundo que idealiza, sonha, escreve sobre.
Fecho-me e espero por alguém que possa resolver o enigma. Mas está errado. Está tudo errado. Presa no casulo não posso voar, me desenvolver. Preciso resolver meu próprio enigma. E perdi a chave. Talvez a tenha engolido, já não me lembro. A dor era tanta, e só podia enterrá-la, escondê-la de mim no mais recôndito cofre.
Como num antigo projeto literário, necessito ser uma arqueóloga de minhas lembranças. Descobrir o que está escrito por baixo desse palimpsesto que é minha mente.
Em minha Bíblia está uma ótima frase para esta confissão:
"A sua única obrigação em qualquer vida é ser sincero consigo mesmo. Ser sincero com outra pessoa ou outra coisa não só eh impossivel como ainda é a marca de um falso 'messias". 
Richard Bach

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um remédio

Existe o princípio da reciprocidade. Na física, nas relações internacionais, e na energia "nova era" que nos circunda (pra quem acredita, é claro). Então, eu desejo a paz para mim e para outros. E se a ferida que ainda cicatriza quiser se abrir, uso um medicamento doce e ilusório: lembro-me de um mundo ideal que criei, em que passo boa parte de meu tempo.




"Time can but make it easier to be wise
Though now it seems impossible, and so
All that you need is patience."

Yeats

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Change of heart, change of mind

Uns tantos anos atrás li um livro muito interessante chamado "A luneta mágica". Foi logo no início de minha adolescência, animada por "Moreninha" e "O moço loiro", segui no terceiro livro de Joaquim Manuel de Macedo. 
O personagem principal, um homem (já não me lembro o nome) de dinheiro, alguma inocência e muita miopia acaba por encontrar, por meios obscuros, uma espécie de xamã (ou qualquer outro nome que se queira para um mago). Este mago lhe fornece três lunetas mágicas, uma de cada vez (os pormenores não me lembro). A primeira era responsável por uma visão hard core, punk, metal, lado negro da força a quem quer que a usasse, mostrando apenas a maldade das pessoas. A segunda fornecia a quem a usasse uma versão la vie en rose da vida, digamos, o lado rosa-choc da força. Todas as características boas das pessoas eram ressaltadas e os defeitos desapareciam. E finalmente, a terceira luneta corrigia a visão para a realidade. Nem bom, nem mal, apenas real.
E no fim, o sujeito decide continuar a ser míope, sem uso de luneta alguma (Posso estar enganada, talvez seja assim que eu terminaria a história).
O livro já antecede a escola literária realista em muitos de seus termos e observações maliciosas da sociedade. O que creio que ele alerta, no entanto, é quanto aos extremismos. O míope precisou passar por três instrumentos com suas diferentes características para poder chegar à conclusão de que ele é capaz de pensar por si mesmo, de saber que algumas desconfianças serão sempre isso, desconfianças imbuídas de dúvidas, e que um coração nunca é totalmente bom ou mal.
Há uma semana tive minha vista corrigida. Literalmente, do relativo astigmatismo e de uma breve pincelada de miopia. E quanto a minha mente, ao meu coração, seriam também corrigidos assim, através de um instrumento externo a mim? Antes o distante era para mim paisagens borradas, de cores impressionistas que se misturavam. Agora vejo as linhas que contornam tudo ao meu redor. É chegado o tempo de usar a terceira luneta. Até que eu possa ver sozinha. Para que eu possa mudar com meus pensamentos, meus hábitos, meus atos, meus sentimentos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O sabor do velho encantamento

Falo tanto do óbvio e do previsível, que à primeira vista eu poderia parecer uma grande especialista do que é a vida. Mas consigo me surpreender até mesmo pelas sensações que tenho. 
Estou num momento de recuperação, tomando de volta o que sempre foi meu: auto-estima, esperança e a capacidade de sonhar com um mundo que existe dentro de mim.
Expulso, aos poucos, um certo charlatanismo que conviveu em mim pelos últimos quatro anos. Ergo a cabeça, estudo, porque o caminho é longo, e este se faz apenas ao caminhar.
E neste momento de quietude, relativa paz e segurança, me vejo novamente chamada pelo sabor do velho encantamento. Isso me transporta a um período pré charlatanismo e obsessão. Período não menos cínico, mas muito mais inocente, digamos. Inocente por
voltar a acreditar que o amor existe. A vida era colorida, e não monocromática como hoje. Esperança sempre tive, e é difícil para uma otimista incurável não tê-la.

"That is my home of love; if I have ranged,
Like him that travels, I return again,
Just to the time, not with the time exchanged,
So that myself bring water for my stain." 
Shakespeare


sábado, 1 de janeiro de 2011

Muros

Cercada pelos muros de minha própria solidão, auto-imposta como se fosse uma penitência por ter sonhado em ser humana. Cercada espio a vida lá fora acontecendo. E percebo, mesmo que seja apenas minha face pública/simpática, algumas almas me querem bem, importam-se comigo. Por mais que eu me esconda em meus livros, minhas letras tão fantásticas, certas pessoas me colocam à par da humanidade que existe dentro de mim. Ainda que eu a renegue o tempo todo. Ainda que eu queira ser melhor do que a simples carne. Ainda que deseje ser somente um espírito avançado.
Ah, tolas ambições!
Saber do que pareceria óbvio me deixa feliz. 


Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...