terça-feira, 5 de abril de 2011

Confissões de um Nephilim

Por muitos anos ansiei por companhia. A solidão é desgastante. Assim como a paranóia e a desconfiança. Eu nunca pude me entregar completamente a nenhuma criatura. E quando o tentei ao revelar minha verdadeira natureza a Katrina, tudo o que fiz foi afastá-la de mim. Escondo-me na noite de minha alma. Crio obsessões temporárias que me ajudam a sufocar as recorrentes lembranças dos momentos ao lado de Katrina. Mesmo agora, tantos séculos após nossa separação, eu não consigo derramar uma lágrima. Elas foram secadas pelas areias de Jerusalém há dois mil anos.
Gostaria de me apaixonar novamente. No entanto, meu coração se endureceu de tal maneira que eu não sei se seria capaz de amar mais uma vez. E ainda que eu amasse, existe grande probabilidade de que eu fugiria do amor como de uma doença contagiosa.
É prático ser sozinho. Não ter de se importar com algo ou alguém. Virar as costas para a humanidade bestializada. Refugiar-se num paraíso recôndito, recriado à imagem e semelhança do Éden de Emanuel.
Todas essas falácias podem ruir com um simples olhar de alguém na multidão amórfica. Um olhar que pode nos arrastar para dentro de um outro universo. Falo de uma experiência mística. Não o misticismo humano. Mas o misticismo dos imortais, daquilo que nem nós podemos explicar.

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