domingo, 30 de outubro de 2011

Sobre um vício

Houve um tempo em que o pensamento não era impuro. Não possuía a malícia de uma relação maculada por mal-entendidos.
Houve um tempo em que eu apenas desejava a magia que parecia emanar de fortuitos encontros.
E então, houve um tempo em que precisei preencher um vazio. Transformei a aparente magia em loucura. Remendei a loucura em obsessão.
Depois, houve um tempo em que tudo isso não fazia mais sentido. Chegou, finalmente, o tempo do esquecimento. Por mais que as vivas memórias se esforcem para não ser apagadas. Não existe dor que não seja delével.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Exercício do semestre: inspire, expire. Ou o Odisseu viajante.

Aprecio muito o exercício de, ocasionalmente, reler o que escrevi no passado. De relembrar o que senti tempos atrás.
Desde a fundação de Insensatez, eu oscilei muito. Ainda assim, percebo um fio condutor. Uma tomada de consciência (bem lenta, diga-se de passagem), uma luta contra a obsessão, mesmo que muitas vezes seja uma luta contra a maré. Contra alguns instintos primitivos e algo poderosos.
Quando comecei a realmente me desapegar (lembro-me um pouco daquela noite ébria), pouco mais de um ano atrás, isso inaugurou um novo momento. Mesmo louca, mesmo obcecada, me mantive em pé (mesmo que quase caindo). Algumas vezes incentivei, este meu ego umbilical, outras fui pega de surpresa, quando abordada por alguém. E continuei, tremendo, mas continuei firme (igual prego na gelatina) em minha convicção.
Sinto dizer que não sou imune. Gostaria de ser. Gostaria que isso acabasse.
A paz do começo do semestre parece evaporar. Mas são apenas impressões. A mente que projetou esta paz, bem, ela é mais poderosa do que muitos imaginariam. E ela domina a matéria como uma criança manipula argila.
Meu ego sado-masô tenta me levar para caminhos perigosos, devo confessar. Mas existem outras vozes, e ainda que o canto da sereia soe doce e libidinoso, amarro-me ao mastro do navio. Sou Odisseu, e preciso voltar para casa, para junto dos meus. Para junto de meu amor, que me espera pacientemente.
E então é isto. Um desafio. Agora percebo. Um desafio colocado em meu caminho, para que eu me fortaleça e siga pelo roteiro que estabeleci.
Sim, posso lidar com isto. Sou Odisseu, e meu navio segue para Ítaca. Alguns de meus companheiros morreram na viagem. Honrarei, então, suas memórias, quando voltar para casa. Compatriotas farão canções sobre minha jornada. E eu poderei descansar ao lado de meu amor, que me aguarda na Ilha.
Esta Odisseia é temporária. Ela é necessária para que se aprendam algumas coisas no caminho.
E as sereias são odiosos monstros, presos a suas condições. Enquanto Odisseu é mestre dos mares. Navega, com dificuldades impostas por deuses e pela Sorte, para chegar, finalmente, a seu destino tão esperado.
Inspiro-me então em Odisseu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Drogas serão sempre drogas

Um leão em pele de cordeiro. Uma droga em forma de um remédio, que nem ao menos é placebo. O pior é eleger uma droga como panaceia, uma cura para todos os males.
Uma droga é sempre uma droga. Uma pessoa que só faz surgir o pior, por melhor que pareça durante meros segundos.
Não é fácil manejar um vício. Não é fácil controlar o que foi uma obsessão. Mas é fácil saber o que faz mal.
Segue um tema pertinente:

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...