terça-feira, 28 de agosto de 2018

Já não sei

Eu já não sei pensar num futuro sem você. Não a sério. E se penso, me dói o peito como num enfarto fulminante. Meu coração não suporta um mundo sem você. 
Me sinto um ser híbrido. Uma ponte entre o que fui e o que serei. Já não sei mais ser sozinha, gauche na vida. Encontrei meu anjo. E ainda que torta, espero que me aceite assim, barroca, exagerada, descomedida e muito, muito apaixonada.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Minha e sua

Como ser minha e não me afogar no seu intenso mar de silêncios? Um forte ímã que me atrai, e me faz querer estar colada à sua pele. Mas quero ser minha. E sua. Não me perder no seu toque. Não esquecer quem eu sou, seja lá o que for.
Quero poder contar as histórias, até as mais escusas. Para que saiba da minha caminhada em direção à redenção.
Quero conhecer seus segredos, estes que suas pestanas apenas fazem alusão. Quero penetrar na sua mente, como você faz comigo mesmo em meus sonhos.
Quero compartilhar as inseguranças, sentir o abraço mais forte que já experimentei.
Quero ser o seu lar.
Quero ler um poema, o poema da Dança, dizer que o espero há muito tempo. E que uma parte sua habita em mim, entre a sombra e a alma.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Calada da noite

Na calada senti meu coração na boca. Queria sair, gritar para o mundo. Precisei de toda a força para contê-lo. Mas na calada da noite, de felicidade, eu chorei. 
Ele estava ali, nos meus braços. Aquela pele que faz parte da minha, colada em mim. E nunca fui tão feliz calada assim.
As palavras, minhas amigas, às vezes me dão medo. Não por elas em si, mas pelas reações que podem desencadear.
Então por não saber como dizer, eu me calo, com lágrimas felizes rolando em meu rosto.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Existem outros dias

O tempo estava parado na terra do nunca. E é por isso que não havia um outro dia. Era o sádico reprise do mesmo dia, que parecia piorar a cada retorno. 
E após uma temporada no limbo, que hoje vejo como de fato necessária, a cortina se abre e posso ver a plateia, o cenário, o diretor.
Existem outros dias. Aqui, onde o tempo segue seu curso. Aqui, onde encontrei meu lar, do outro lado da montanha. 

A primeira vez

Foi num sonho a primeira vez em que te vi. A primeira que me lembro. E ao te ver, transbordou em mim tanto amor que senti um sol dentro do meu peito. 
E desde então eu te procuro fora do sonho, às vezes com lágrimas antes de dormir. 
Acho que te encontrei. Finalmente. 
Mas como ter certeza? 

domingo, 13 de maio de 2018

À sua mercê

Nunca me senti tão vulnerável, a ponto de um sorriso ou uma palavra me levar ao ápice da felicidade ou da tristeza. 
A paixão é quase um país estrangeiro para mim, de costumes estranhos e, ao mesmo tempo, interessantes.
Como me entregar e continuar sendo eu mesma? Como não pensar nele o dia todo? E como abrir meu coração, se eu nem sei se ele sente o mesmo?
Eu o esperei por tanto tempo, e não sei lidar com essa explosão de sentimento dentro de mim. Já não tenho controle nem sobre meus pés, que o procuram a todo momento. Meus olhos têm vontade própria e se deliciam com seus sorrisos. Tudo que minhas mãos anseiam é tocar naquela pele que me completa. E a minha boca ferve quando encosta na dele. 
Ele domina meus pensamentos, coração, sonhos e corpo. Vulnerável, mas ele me protege com seu abraço.
E estou absolutamente e deliciosamente à sua mercê. 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Existe amor em SP, ou qualquer lugar por perto

Só posso me lembrar do sonho. Aquele sonho, que parece tão longe e tão perto do coração. Aquele sonho, em que não vi seus olhos, mas senti sua presença. Uma luz calma, de um amor tão profundo, denso e verdadeiro, que mesmo a lembrança me traz lágrimas aos olhos.

É o amor que vive em mim, entre a sombra e a alma. O amor que vive no escuro, escondido, mas que respira o mesmo ar que respiro. À espera.

À espera, como quem aguarda a chegada de um trem, com destino ao seu lar. 


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O toque será fatal

O toque será fatal quando te transferir para outra dimensão. 
O toque será letal quando teu corpo encontrar num outro uma extensão de si mesmo. 
O toque será mortal quando aqueles olhos te contarem histórias mais antigas do que o tempo. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Quando até os demônios se calam

Quando a tua pele encontra a minha, ouço o silêncio. Não há pensamentos. E sinto uma paz meditativa.
Quando vejo um pedacinho do paraíso dentro dos teus olhos, entendo porque até os demônios se calam. Estão tão estarrecidos quanto eu. 
Existem ainda algumas batidas neste esburacado coração. E elas são mais aceleradas quando te vêem passar. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Eu te deixarei as palavras

Apesar da nuvem que circunda minha mente, posso garantir que eu te deixarei as palavras, todas as que senti e nunca pronunciei.
Apesar da olhadela num presente/futuro alternativo, deixarei as palavras deitadas no teu ouvido, para que carregues parte de mim para onde for.
Apesar de hábitos antigos de uma vida que já não é, deixarei as palavras te contarem que meu coração anda cheio de ti, leve e transparente como bolha de sabão.

Eu te deixarei as palavras, porque minha boca já não é mais minha para pronunciá-las. 

Ela é tua.



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

(re) Construção

Uma lembrança, mesmo que ruim, pode ser tudo o que resta de certo, de seguro no mar de emoções revoltas. Mas quem fala com a minha boca é o medo, esse que fica sussurrando inseguranças no meu ouvido. 
Não posso ser um Brilho eterno, Abelardo e Heloisa, de uma mente sem lembranças. Elas têm o seu papel, de criar uma história que um dia talvez seja contada.
O que posso fazer é deixá-las paradas, sem vida, sem imaginação do que poderia ter sido, de uma vida que não foi. 
Seguir, como faço, apesar do medo de me afogar de novo. E se você for junto, então posso respirar pelos seus pulmões, pela sua boca, ver pelos seus olhos escuros a sombra que o habita e que lhe dá profundidade.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Magnéticas orbes

Orbes que me arrastam, me sugam, me atraem como imãs, e sinto entrarem nos cantos mais escusos, perscrutando a natureza da matéria que me compõe. 
Uma força nua que me chama, um rato seguindo um encantador flautista. E, incrivelmente, não sinto medo de seguir as notas melódicas. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Desconstruindo o algoz

Como se desconstroi parte de si? Como se descontroi alguém que parece fazer parte do seu DNA? Ou de um karma acumulado de sonhos passados?
Não sei se é possível. Apenas sei que é possível viver e deixar viver. Continuar, pondo a mão sobre os olhos, como se nunca houvesse existido. 
E começar de novo. Assumir um outro eu, que já morava em algum lugar recôndito da alma. Deixar aquele outro navegando, perdido, sem bússola, pois eu a tomei. Há perguntas que são melhores não serem respondidas.

Mas onde fica a ausência do algoz? Em algum lugar a não presença permanece, e muitas noites é apenas a sua ausência que se faz presente.

São ecos de uma vida passada. Assim espero.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Um monstro, controlado, porém monstro

Cada um com seus nove círculos particulares, nove andares de tortura programada. Uma descida em direção ao caos da criação, em que todas as possibilidades estão abertas. E não existe nem bem nem mal. Só o papel em branco.


Na descida é onde o monstro habita. Se eu nunca tivesse caído, jamais poderia reconhecer o monstro pelo rosto, pela voz, pelo olhar sedutor de quem incita os desejos que não devem ser nominados. Ainda que sem nome, eles sussurram em meus ouvidos cobiças saborosas.


Coloque uma coleira no monstro, com seu nome gravado em letras douradas. Leve-o para passear, mas sempre seguramente preso. Dê nome a ele, e você terá (algum) poder sobre ele. Pois o nome é, sabem os antigos, extremamente poderoso.

Monstro que habita a sombra, e clama por sair à luz, mesmo que isso fira seus vermelhos olhos. Como uma pintura chiaroscuro, a sombra é o que causa profundidade e emoção à cena.




sábado, 6 de janeiro de 2018

Há sempre um outro jogo

Essa corrente equatoriana que me faz girar girar sem sair do lugar.
Mas o tempo mudou.
Seria realmente o mesmo lugar?
Era um jogo, tive adversários. 
No entanto, aqueles tantos anos, como no sonho, muito mais anos ainda vividos fora deste espaço-tempo, presa dentro de mim e ao mesmo tempo viajando pelos confins do universo, me transformaram. Não poderia viver como antes. Não há mais espaço para aquela persona.
Há sempre um outro jogo à espera. É bom saber disso. O que importa, diz o mestre, é o jogar, não necessariamente ganhar. O jogo justo é o que nos leva a ser convidados novamente, e sempre mais uma vez.
E o que é justo nesse caso?

Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...