quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Um monstro, controlado, porém monstro

Cada um com seus nove círculos particulares, nove andares de tortura programada. Uma descida em direção ao caos da criação, em que todas as possibilidades estão abertas. E não existe nem bem nem mal. Só o papel em branco.


Na descida é onde o monstro habita. Se eu nunca tivesse caído, jamais poderia reconhecer o monstro pelo rosto, pela voz, pelo olhar sedutor de quem incita os desejos que não devem ser nominados. Ainda que sem nome, eles sussurram em meus ouvidos cobiças saborosas.


Coloque uma coleira no monstro, com seu nome gravado em letras douradas. Leve-o para passear, mas sempre seguramente preso. Dê nome a ele, e você terá (algum) poder sobre ele. Pois o nome é, sabem os antigos, extremamente poderoso.

Monstro que habita a sombra, e clama por sair à luz, mesmo que isso fira seus vermelhos olhos. Como uma pintura chiaroscuro, a sombra é o que causa profundidade e emoção à cena.




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