sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O sabor do velho encantamento

Falo tanto do óbvio e do previsível, que à primeira vista eu poderia parecer uma grande especialista do que é a vida. Mas consigo me surpreender até mesmo pelas sensações que tenho. 
Estou num momento de recuperação, tomando de volta o que sempre foi meu: auto-estima, esperança e a capacidade de sonhar com um mundo que existe dentro de mim.
Expulso, aos poucos, um certo charlatanismo que conviveu em mim pelos últimos quatro anos. Ergo a cabeça, estudo, porque o caminho é longo, e este se faz apenas ao caminhar.
E neste momento de quietude, relativa paz e segurança, me vejo novamente chamada pelo sabor do velho encantamento. Isso me transporta a um período pré charlatanismo e obsessão. Período não menos cínico, mas muito mais inocente, digamos. Inocente por
voltar a acreditar que o amor existe. A vida era colorida, e não monocromática como hoje. Esperança sempre tive, e é difícil para uma otimista incurável não tê-la.

"That is my home of love; if I have ranged,
Like him that travels, I return again,
Just to the time, not with the time exchanged,
So that myself bring water for my stain." 
Shakespeare


sábado, 1 de janeiro de 2011

Muros

Cercada pelos muros de minha própria solidão, auto-imposta como se fosse uma penitência por ter sonhado em ser humana. Cercada espio a vida lá fora acontecendo. E percebo, mesmo que seja apenas minha face pública/simpática, algumas almas me querem bem, importam-se comigo. Por mais que eu me esconda em meus livros, minhas letras tão fantásticas, certas pessoas me colocam à par da humanidade que existe dentro de mim. Ainda que eu a renegue o tempo todo. Ainda que eu queira ser melhor do que a simples carne. Ainda que deseje ser somente um espírito avançado.
Ah, tolas ambições!
Saber do que pareceria óbvio me deixa feliz. 


Trago

O último trago, dizia para si mesmo há três doses. O último era sempre o próximo. E o outro. Se parasse, pensaria. Se pensasse, lembraria. E...