Passei os últimos anos tentando não ser humana. Tentando me colocar acima da torpeza. Obviamente o plano não deu certo. Encontrei as mesmas torpezas em mim. E as mesmas sutilezas que me fazem humana.
Claro, eu nunca quis me apegar. Mas é difícil, muito difícil.
E sei porque alguém sempre me atraiu, magneticamente. Somos feitos da mesma podre matéria. A matéria fundida e trabalhada, na caldeira da vida. O abandono, seguido ou abrupto, confeccionou nossa couraça. Couraça esta que nenhuma força é capaz de atravessar. Nenhuma força violenta. O afeto, o carinho, que escapam quando ninguém olha. O toque suave que seus lábios antecipam nos meus. É o que sempre desejei. É o que antecipo nos dias que se seguirão. Mais uma vez.
É o único que me interessa, nesta cidade de vícios.
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