sábado, 30 de outubro de 2010

Persona: um denso projeto literário

Persona, em latim, significa a máscara utilizada pelos atores no teatro de tradição grega. Para cada personagem, utilizava-se uma máscara. Todo personagem do drama clássico representava um tipo, uma forma bem definida de comportamento.
Desde os doze anos de idade, me pergunto sobre as máscaras sociais. Sua origem, finalidade, seus pontos fracos. E o que nos faz tão indefesos a ponto de preferirmos usar uma máscara ao invés de enfrentar a forte luz da realidade. Não cheguei a nenhuma conclusão definitiva.
O que sei é que preciso das máscaras. Uma para cada momento específico, para cada pessoa. A máscara se baseia em mímica. Analisa-se alguém parecido (ou com máscara semelhante), copia-se o essencial, com algumas mudanças de estilo.
Contudo, entre os momentos de mudança de máscara, alguém pode avistar um relance do temido rosto. E então? Então transformo-me. Visto minha armadura guerreira: o cinismo, acompanhado de seu devido sorriso. E fujo, corro, até que possa recompor minhas lindas máscaras, meus troféus, e minha força.
Eventualmente é necessário corrigir algumas rachaduras, polir algumas arestas, aperfeiçoar a técnica de confecção das máscaras. Nada que a experiência e o intelecto não possam lidar sem muito esforço.

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