terça-feira, 19 de outubro de 2010

O carrasco

Como eu já disse antes: amar o algoz é o mais difícil. Amar a sensação de insegurança, indecisão, medo, dentro de si, é amar o algoz. E o que se faz, em grande parte das vezes? Exprime-se no outro o algoz que existe em si. O algoz, o carrasco, o outro, é o portador, então, do sofrimento. Porque é mais são, é mais fácil e cômodo odiar o carrasco do que odiar a si mesmo.
Não desejar, nunca, levar o sofrimento aos seres queridos não é garantia de sucesso. Não se pode agradar a todos o tempo todo, sobretudo com o perigo de perder-se no coletivo. E às vezes é necessário sacrificar algum ideal em busca de um objetivo maior. Diga-me, quando o sacrifício é relevante? É tudo o que preciso saber.

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