O Demiurgo estava só. No início, a solidão não o incomodava. Era um alento estar só após o turbilhão da Criação. Mas, eventualmente, o eco de sua voz passou a perturbá-lo. E ele se viu imensamente só, cercado do infinito Universo.
Foi então que ele pegou o barro em suas divinas mãos, moldou-o, e escreveu em sua cabeça a palavra "Verdade", para que seu ser apenas dissesse a verdade para ele e sua existência fosse real.
Ao terminar a escrita, o novo ser piscou seus olhos lamacentos e admirou seu redor.
"Sou seu amo e mestre, Golem, e você deverá sempre me dizer a verdade", disse o Demiurgo.
Estupefato, o Golem apenas balançou a cabeça. Tentou abrir a boca, mexer a língua, mas não conseguiu. Ele tinha palavras dentro de si, todavia elas eram mudas, afogadas na argila.
E ele não mentiu ao seu Criador naquele dia.
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