terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Para Neruda

Para você, Neruda, se ninguém mais me ouvir. O seu poema da Dança eu guardei. Para o certo. Para o merecedor. Mas é cedo e tarde demais. 
O objetivo é um só, mas ele não entendeu. Ele não entendeu que o caminho até ele foi deveras longo, deveras esburacado. E que qualquer percalço pretérito apenas realça o valor que eu dou. Mas ele não entendeu, Neruda. Ele não entendeu que a alma sedenta de luz, sedenta do seu amor reage assim, deveras exagerada. Deveras apaixonada. 
Eu sei, Neruda. Nunca recitei seu poema para ele. Espero que o compasso esteja de acordo, com os nossos corações afinados. Para que ele possa ouvir dos meus lábios. 

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