Há tempos não penso em você, querido Helel. E mesmo assim, você continua a fazer parte de mim.
Você estava lá, comigo, como observador, quando cruzei por águas sombrias. Quando eu não me amava o suficiente, e tentava destruir meu coração a todo custo para que não pudesse amar. Para que fosse forte. Como se o vazio fosse sinônimo de fortaleza.
E foi você quem me contou que a redenção se daria através do amor. Redemption song.
Mas eu não continuei a sua história. Por medo. Eu tive medo de que ela se tornasse real. E eu me tornasse fraca. Aberta para alguém, para o mundo, para o amor.
Eu não continuei sua história, mas ela tinha um quê profético. Isso eu sempre soube. É realmente o amor que nos redime. E deixar de escrever não impediu o amor de vir na minha vida, derrubar meus muros, de me deixar vulnerável, e, ainda assim, forte.
Você era, e talvez ainda seja, a estrela em mim, que brilha mais forte do que as outras à noite, e que dá boas vindas ao sol de manhã.
Você iluminou um pouco a noite sinistra. Mostrou-me a direção e me deu esperanças quando não havia nenhuma.
Você me contou que depois de mil vidas em uma, depois de tanta sombra, haveria um momento em que eu encontraria a minha Angélica, com apenas um olhar.
E que tudo então teria valido a pena.
E vale.
Obrigada, Helel, por fazer parte de mim. Por me deixar contar um pouco da sua história pelas minhas mãos. Mesmo que ninguém nunca a leia. Sabemos que não é isso que nos importa.
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