quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Casca

Existe um ímpeto masoquista em retirar a casca de uma ferida que está quase cicatrizada. A casca cobre a ferida, protegendo-a das intempéries e de germes.
No entanto, a cicatrização é, por vezes, demorada. Cansativa. Incômoda.
Então a mão masoquista coça ao redor da casca, tentando não tocá-la.
A sensação de algo estranho grudado na pele é enervante.
Masoquista, a mão termina por arrancar a casca sobre a ferida, que sangra. Não tanto quanto a primeira vez. Mas sangra. E doi.

A casca se forma novamente, tempos depois.
Mais uma vez, é retirada, masoquísficamente, ainda que cause dor.

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