terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Ímãs

Sempre me encantei por olhos. Não digo a cor em si. Falo de alguns muito expressivos, que me deixaram entrever a profundidade da própria alma.
E exatamente esses olhos que me cativam: quando vejo, pela fresta de uma porta entreaberta, uma alma magnética que me atrai para dentro.
Posso falar em atração magnética então?
Quando encontro olhos assim, sinto-me como um ímã.

O desejo é o de tocar e não soltar nunca mais.

Mas eu não toco. 

Porque o desejo é só meu. E, ainda que não o seja, talvez eu nunca saiba.

O desejo nasce, então, do quase toque. Cresce no beijo sonhado que nunca existiu. Aumenta nas palavras não ditas. Sufoca nas areias do tempo que jamais foi seu. Morre na sarjeta, mendicante de um olhar que não era para ele.

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