sábado, 22 de novembro de 2014

Um dia de cada vez

Um dia desses eu conversava com uma amiga. Ela me contava das novidades da vida dela: o estudo, o trabalho, o pretendente a namorado.
Confesso que, enquanto ela falava, um pensamento não me deixava em paz: é só isso??? Então eu viajo milhões e milhões de anos-luz, submeto-me à este espaço-tempo, a esta dimensão lenta e atrasada para isto??? Não digo que os pequenos dramas da vida dela não sejam importantes para o sentido de vida que ela crê existir (ou parece crer).
Digo no mesmo sentido da pergunta que me assombrou 18 anos atrás, aos meus doze anos, eu me perguntei se a vida humana era apenas nascer, crescer, multiplicar-se e morrer.
O sentido da minha própria existência eu não posso estabelecer assim, de antemão, antes dos acontecimentos do passado, presente e futuro. 
Imagino que este sentido foi, é e será fluido conforme os acontecimentos.

E então me aconteceu um filme deveras poético: Interestelar.
O amor pode transcender a morte? Você deixa de amar quem já morreu?? 
Não.
Logo, ele  pode transcender o espaço, o tempo, e todas as certezas de que jamais encontrará este ser novamente.
Você deixa de amar alguém que já se foi?
Não.
Você deixa de amar porque seu ego ficou ferido, rejeitado?
Tenho pouco tempo aqui restante. Preciso dizer que não.
Você ama. E com tanta intensidade, que o espaço-tempo é dobrado bem aí, dentro de suas memórias.

"Nós amamos quando toda a esperança é perdida" Jane Austen



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