Amores não correspondidos. Quem nunca teve? Penso que a pior parte é ter paciência para esperar. Dar tempo ao tempo, que ele tudo cura. Mas como se mede esse tempo?
É o tempo para ser inteiro novamente. De não precisar vigiar os próprios pensamentos. De não necessitar mais fugir, como o diabo da cruz, da sombra da pessoa amada. Porque se sabe que se não fugir, irá ao encontro dela mais uma vez. E novamente a novela se estenderia.
Ele ainda existe dentro de mim. Por eu ter me aberto tanto, e tão rápido, parte dele vive aqui, com meus outros personagens.
Amores domados. Amores contidos. Amores, que de tão selvagens, invadiram todas as minhas células, e sequestraram meu raciocínio. E que agora devem ser aprisionados. Quantificados. Pesados e medidos. E extirpados. Se não, como viver com amores loucos e não correspondidos?
Amores cinza. Que de verde nada tinham. Eram mesmo cinza. Da cor da tempestade que me transborda. Então me torno águas turbulentas e profundas. Afogada em meu próprio oceano de desejos reprimidos.
Amores jovens. Amores juvenis. Trazem a energia da inocência, da pureza, que se pensou perdida. E agora reencontrada.
Amores gravitacionais. Quando meu mundo gira ao seu redor. E nada mais existe fora desse sistema planetário.
Amores viciados. E que de tanto não ser mais, trazem abstinência. As doses custam caro demais para serem adquiridas: uma dose equivale a todo o amor próprio duramente conquistado.
Amores de um presente que não é, de um futuro que nunca foi, de um passado que poderia ter sido tanto.
Amores saudosos. Saudade da calma que aquela pele traz. Saudade daquele olhar cinza que me desnuda. Saudade da felicidade plena.
Amores que findaram. Aparentemente de um lado só.
Amores jogados fora.
Amores despedidos.
Então somente Amor.
Sozinho.
A sós.
Só.
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