sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ela, ou da capacidade de evoluir: Teatro de Ilusões

Ele está na cobertura de sua torre de marfim. Cercado de vidro. Aquário.
Ele é o peixe preso que observa o mundo girar ao seu redor.
Está preso à dor. À rejeição. À separação. Acorrentado à solidão.

Então Ela surge. Com a vivacidade de quem experimenta o mundo pela primeira vez.
Ela traz a luz em sua voz. O carinho em palavras que só Ela sabe dizer.
Ela é sublimamente apaixonante. Ela é tudo o que ele mais deseja, em doces acordes de piano.

Eles se apaixonam. Com aquele ardor esquizofrênico/paranoico dos amantes.

Ela evolui.

Ela quer mais.

Ele não é mais o bastante. Ela o ama. Mas ele não é mais o suficiente para Ela, que está em constante evolução.

Ela diz Adeus.

Eles se despedem. Entre lágrimas.
Ele amou. Virtualmente? Talvez. Mas o que Ele sentiu foi real. Real.
Real neste Teatro de Ilusões.
Real neste Jogo de Luz e Sombras.
Sombras que se projetam no fundo da Caverna.

O corpo não limita. Não define. Apenas aparenta.
E Eles vão se encontrar. Nesse lugar do não-há que todos habitamos.
Estamos apenas dormindo. Porque dormindo nos sentimos livres.

"The past is just a story we tell ourselves"
Samantha - Ela

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