quarta-feira, 21 de maio de 2014

Uma gota de água de cada vez, enche um lago se você não contá-las

Contava as lágrimas como um mendigo alcoólatra conta moedas.
Contava os dias de distância como um náufrago conta seus dias longe da terra.
Contava sua história como os discípulos cristãos fizeram.
Contava a ida de seus dias felizes como os beduínos contam as gotas de chuva no Saara.

Até que se cansou de somar a tristeza.

Olhou para trás. Viu que ele não sentia saudades suas.

Sua saudade também se foi.

O que restou?

Não foi o vazio.

Não foi o não-amor.

Restou um espaço para infinitas possibilidades.
Nesta ou em outras dimensões.

Uma gota de água de cada vez, enche um lago se você não contá-las.
O lago se encheu. Sem que percebesse.

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