domingo, 20 de julho de 2014

O que é real?

Um emaranhado de fios. Tudo se liga, de maneira tão sutil, que passa despercebido.
Você se coloca neste mundo, neste palco de ilusões, primeiramente porque você quer. A escolha é sua de permanecer ou não neste espaço-tempo. E aqui esquecemos quem somos lá do lado de fora, acordados.
Num sonho lúcido, você tem a liberdade de fazer o que quiser. Nele você tem a liberdade de avisar seus companheiros que isto tudo é um sonho. Ainda que ninguém ouça. Ainda que você passe como um louco abobado.
Tente, num sonho lúcido, se lembrar de quem você é fora dele. É uma tarefa realmente hercúlea.
Então eu me atenho aos detalhes (dizem que o diabo mora neles). Se eu bem me conheço, dentro e fora do sonho, eu me deixaria pistas.
O que é importante? O que você não conseguiria deixar de fazer nem se sua vida dependesse disso? O que você faz com paixão, muitas vezes sem nem perceber que está fazendo?
Assim as respostas começam a se sobressair. Elas sempre estiveram aqui. Eu só nunca perguntei antes.

E o que isto tudo tem a ver com crenças fundamentalistas, me vejo perguntando. Você acreditará no que quiser. E está tudo bem. Como você joga não me importa. Você está se divertindo? Está aprendendo?
E o sangue? É real? Parece real. Pessoas morrem. 

Pessoas acordam da ilusão deste espaço-tempo.

Parece comodismo. É comodismo?

É comodismo se você acreditar que é. 

Envolta em sensações, elas violentam meus sentidos e ofuscam meu raciocínio. Envolta em meu próprio drama, eu lacrimejo, porque imagino que eu tenha me traído.
E então, enquanto ouço discursos obstranhos (obscuros + estranhos), eu me deparo com o sonho lúcido. Nada do que o esquisito orador diz importa. Nada do que eu tenha feito importa. Nem a pseudo sensação de auto-traição.
Não sou aquele "eu" resgatado, remendado. 
Nem sou humana. Apenas estou humana. 
Sou uma cientista e uma demiurga. E tantas outras coisas que ainda não relembrei.
Memento.

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