quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Lembra-te de que és mortal

 Memento mori. Lembra-te de que és mortal.

O tempo aqui é curto. Algumas voltas em torno do sol e as rugas já se reúnem num rosto antes jovem. Os cabelos brancos começam a reluzir no topo da cabeça e a chamar atenção. A mente parece a mesma, com seus mil anos e mil vidas em uma. 

Mas o corpo sente o desgaste. Este invólucro feito de carne com data de validade.

Lembra-te de que és mortal. Todos os dias. Para que eles não sejam apenas segundos de um relógio esquecido. Lembra-te da tua missão, da tua vocação. Tão cedo ela apareceu. E foi deixada de lado. 

Lembra-te da sensação das palavras fluindo no papel em branco, de sua leveza e naturalidade. Lembra-te da pena azul e de tudo o que te cerca são ilusões coletivas.

Lembra-te. Pois esquecer está fácil demais.

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